1001 álbuns para ouvir antes de morrer disponíveis on-line

1001 álbuns para ouvir antes de morrer disponíveis on-line

O “1001 Álbuns” é um projeto audacioso. Seus criadores, a rádio romena 3 Net, disponibilizaram 1001 álbuns de música para se ouvir on-line. Os álbuns do projeto são os mesmos do livro “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”, do jornalista Robert Dimery. Do rock ao pop, são apresentados os melhores álbuns dos últimos 50 anos. A seleção foi feita em 2006 por 90 jornalistas e críticos e abrange a história da música de 1955 a 2005, de Frank Sinatra a Arcade Fire. Artistas brasileiros como João Gilberto, Tom Jobim, Caetano Veloso, Astrud Gilberto, Bebel Gilberto, Mutantes, Chico Buarque, Elis Regina, Jorge Ben Jor e Sepultura também estão presentes.

Essa felicidade que nos toma de assalto e devolve o que é nosso

Essa felicidade que nos toma de assalto e devolve o que é nosso

A vida passa e leva. É… a vida passa levando tudo. Leva embora nossos dias e nossas tardes e noites. Um a um, a vida leva nossos instantes mais altos, nossas conquistas e desgraças, nossos achados e perdidos, os melhores momentos, os piores episódios e os que ficam entre um e outro lado. Em sua chuva violenta e interminável dos segundos que viram minutos e se tornam as horas que formam os dias, e as noites que compõem as semanas e os meses e os anos que fazem uma existência, a vida inunda as ruas que se pavimentam em cada um de nós e as arrasta em sua torrente. Aos poucos, vai levando quem somos.

Lá vem a vida. Vem seguindo no passo manso das moças

Lá vem a vida. Vem seguindo no passo manso das moças

E então meu pai, que andava sumido no tempo, deu as caras numa lembrança. Disseram lá e cá que ele andava com saudade de mim. Saiu voando por cima das casas, feliz e triste, apertando os olhos para ver se me via lá de cima. Ah… meu pai. Aí me deu saudade de você. Mas foi saudade alegre. Saudade da graça das suas piadas sem graça, do perfume barato da sua loção pós-barba, do seu jeito de ver a vida seguindo no passo manso das moças. Aquelas moças da cidade nossa. Deu saudade.

Chega de tanto mi-mi-mi. O amor perdeu, parceiro

Chega de tanto mi-mi-mi. O amor perdeu, parceiro

Não me venham com essa história de “só o amor constrói”. Ontem mesmo, a balconista da vídeo-locadora em que sou cliente ajoelhou-se no asfalto escaldante — com aqueles joelhinhos bem torneados que até o papa aprovaria — e rezou com fervor ao seu algoz que só o amor construía, e blá-blá-blá, e ti-ti-ti, e assim mesmo levou um tiro na fuça que partiu o seu aparelho ortodôntico de linguinhas cor-de-rosa bem ao meio. Desde então, não consigo mais me imaginar locando os meus tradicionais três filmes tristes da semana sem pagar doze moedas praquela jovem criatura que ria à beça de qualquer coisa que eu falasse, até de política ou de uma sequela sifilítica.

Declaração universal dos direitos e deveres de amar

Declaração universal dos direitos e deveres de amar

Então um dia o mundo, ocupado com o que realmente importa, num momento de divina iluminação, há de reunir sem maior espalhafato não uma comissão de notáveis das ciências e da política, nem um séquito de respeitosos acadêmicos e pensadores superdotados, mas uma turma desprendida, formada por pessoas de modos simples, representando diferentes origens, profissões, faixas etárias e níveis sociais variados. Entre essa gente, nada além de dois ou três interesses comuns, coisas como a inutilidade das conversas à toa, a profundidade dos assuntos desconhecidos e, claro, a alegria incomparável de dar e receber amor.

Pelo direito de um homem acordar mal humorado

Pelo direito de um homem acordar mal humorado

O meu destino será onde vocês quiserem que ele seja. Pra mim, tanto faz. Só não revelo aqui, neste parágrafo, o logradouro completo com CEP e tudo mais, porque não tenho vontade de ser encontrado, que venham me fazer companhia, estorvos a interromperem o meu nem-tão-inflexível-assim compromisso de me desligar das mazelas do dia a dia.

Para Ariano Suassuna, um homem de ideias e sonhos

Para Ariano Suassuna, um homem de ideias e sonhos

Nesta terra da saúde que o cabra põe doente, onde morre tanta gente e a vileza nunca para, mulher apanha na cara e homem faz o que quer, um rei meio quixote, meio doutor, desceu da realeza pra ver de perto a pobreza, sentir toda a sua dor. E pra ajudar seu povo de um a um, tirou a coroa e saiu à toa, vestido de pessoa comum. Andando pra todo lado, de jeito santo e letrado, o rei feito andarilho viu o mundo, desceu ao fundo, cada pai e cada filho e cada mãe, ouviu o velho, ouviu o novo com paciência, gente de toda idade, pra entender de verdade a querência de seu povo.