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Os 10 melhores romances brasileiros de 2023

Os 10 melhores romances brasileiros de 2023

O Brasil estreia 2024 atolado nas velhas questões de sempre — miséria galopante, políticos demagogos que se perpetuam no topo do sistema fazendo dela ótimo proveito, ignorância, má-fé —, e a literatura por seu turno encontra uma maneira de explicar seus efeitos, ou, quando menos, engendrar uma denúncia minimamente sólida. Narrativas intimistas ou de filosófico escracho figuram na nossa lista dos dez melhores romances brasileiros publicados em 2023, com sinopses adaptadas ou reproduzidas dos websites das editoras.

Alba de Céspedes, a precursora de Elena Ferrante

Alba de Céspedes, a precursora de Elena Ferrante

Basta um relance na contracapa para fisgar leitores do pseudônimo mais badalado da atualidade: “De uma das grandes romancistas do século 20, que influenciou autoras como Elena Ferrante, ‘Caderno Proibido’ é um clássico moderno incontornável da literatura italiana”. De fato, Alba de Céspedes ecoa, em muitos aspectos, na escrita de Ferrante. Desde a prosa que te captura, embaraçosamente sincera e inquietante; até a narrativa que privilegia o mergulho na alma feminina e suas ambiguidades, luzes e sombras. É quase como se suas protagonistas fossem Valerias Cossatis da contemporaneidade.

Bula de Livro: O Pato, a Morte e a Tulipa, de Wolf Erlbruch

Bula de Livro: O Pato, a Morte e a Tulipa, de Wolf Erlbruch

Escrito e desenhado, aparentemente, para leitores de todas as idades, “O Pato, a Morte e a Tulipa” não é um livro para crianças, no sentido convencional. Nele está colocado o resumo da existência, no sentido existencialista, a pena de morte contratada no nascimento, a parceria ser-vida e sua principal inimiga: a morte. A leveza e a simplicidade de Erlbruch é que torna o livro um clássico de nascença e uma leitura de formação, de visão e de adaptação. A compreensão dos elementos fundamentais da manifestação humana são o interesse do autor.

“Os Substitutos”, de Bernardo Carvalho, expõe o fim do mundo Divulgação / Pablo Saborido

“Os Substitutos”, de Bernardo Carvalho, expõe o fim do mundo

A boa ficção se preocupa em apenas expor situações e personagens, sem a necessidade de apresentar provas. Quem documenta e busca comprovações são os cientistas e os jornalistas. Ao fazer a exposição da realidade, o artista chega antes dos outros (a ciência, sobretudo) a uma verdade. No Brasil, o escritor Bernardo Carvalho é um dos mestres do jogo ficcional que se aproxima e se afasta do “real”. Ele desconfia do chamado realismo e luta contra a ideia de escrita como registro. “A verdade está perdida entre todas as contradições e os disparates”, escreveu ele no romance “Nove Noites” (2002).