Autor: Giancarlo Galdino

Apocalipse zumbi, ação e suspense se misturam, na Netflix, em um dos melhores filmes da história recente do cinema Divulgação / Splendid Film GmbH

Apocalipse zumbi, ação e suspense se misturam, na Netflix, em um dos melhores filmes da história recente do cinema

Lançado em 2016, o filme, dirigido por Yeon Sang-ho, é a cara de como o cinema sul-coreano tem se apresentado desde meados da década passada, com “O Hospedeiro” (2006), de Bong Joon-ho: filmes que prezam pela originalidade, pela excelência da técnica, sem prejuízo da bilheteria — pelo contrário. Aliás, é justo com Joon-ho que Sang-ho mais se assemelha em seu primeiro trabalho de fôlego.

O filme da Netflix que não quer te convencer de nada, mas vai te fisgar e tirar seu fôlego até a última cena Marcos Cruz / Netflix

O filme da Netflix que não quer te convencer de nada, mas vai te fisgar e tirar seu fôlego até a última cena

A vida é plena de histórias que não resistiriam ao escrutínio um pouco mais rigoroso de um crítico dado a rabugices. Como explicar um grupo de espiões que convencem seus chefes a encampar a compra de um hotel abandonado a fim de tornar mais efetivo o resgate de refugiados num país tomado pela tirania? O diretor israelense Gideon Raff não quer explicar nada, e apenas reproduz, com riqueza de detalhes impressionante, a proeza desses bravos agentes.

Envolvente do início ao fim, filme com 100% de avaliações positivas é um diamante perdido na Netflix Tudor Panduru / Netflix

Envolvente do início ao fim, filme com 100% de avaliações positivas é um diamante perdido na Netflix

“My Happy Family”, “Chemi Bednieri Ojakhi”, no original, pinta um cenário em nada semelhante ao de “Casa de Bonecas”, tirante o argumento central da opressão insondável a que uma mulher pode se sujeitar ao longo da vida. A Geórgia, país do Leste Europeu e uma das ex-Republicas Socialistas Soviéticas até 26 de dezembro de 1991, evidentemente não se compara à Noruega — tem suas próprias belezas e suas próprias tragédias — e não se está mais em 1879, mas em 2017. Por essa razão, o retrato que o casal de diretores Nana Ekvtimishvili e Simon Gross pretendem fazer do anseio da mulher por liberdade num já maduro terceiro milênio se mostra um tanto mais chocante.

5 filmes doidos e inteligentes na Netflix que vão fritar seu cérebro Mary Cybulski / Netflix

5 filmes doidos e inteligentes na Netflix que vão fritar seu cérebro

O pioneiro “Viagem à Lua” (1902), de Georges Méliès, mesmo com toda a despretensão, amadorismo e frugalidade técnica de seus 18 minutos, intrigou a sociedade da época e enlouqueceu muita gente, também pelo ineditismo do que se tinha ali: uma outra realidade exposta numa tela grande por meio de um projetor. A Bula escolheu cinco exemplos de filmes que podem até não ter como propósito primeiro deixar ninguém encafifado, mas que a mufa sai chamuscada, sai.

Sinistro e contundente, obra-prima na Netflix vai te conduzir por uma experiência visceral e agonizante Divulgação / Zee Studios

Sinistro e contundente, obra-prima na Netflix vai te conduzir por uma experiência visceral e agonizante

Em poucos lugares do mundo a ilusão da democracia racial, de que todos os cidadãos gozam de direitos iguais e estão sujeitos às mesmas obrigações, é tão palpável quanto na Índia — nem no cínico Brasil. É desse argumento, insofismável, que bebe Anubhav Sinha em seu “Artigo 15”, em que o diretor expõe a dificuldade de um policial eticamente irrepreensível em averiguar crimes quando as vítimas são aqueles por quem ninguém se importa.