O filme de Bernardo Bertolucci que envelheceu tão bem quanto vinho, na Mubi Divulgação / Península Films

O filme de Bernardo Bertolucci que envelheceu tão bem quanto vinho, na Mubi

Quando foi lançado, “Os Sonhadores”, de Bernardo Bertolucci, foi recebido com aclamação quase imediata. Críticos respeitados, como Roger Ebert, exaltaram a beleza poética do filme, ainda que ele já carregasse um potencial controverso. Vinte e três anos depois, após sucessivas revisitações, o olhar crítico mudou, e mudou de forma significativa. Até mesmo pelas polêmicas em que o diretor se envolveu. Isabelle, a jovem interpretada pela talentosíssima e deslumbrante Eva Green, passou a ser lida como símbolo de mulheres silenciadas, objetificadas e erotizadas.

Drama que acaba de chegar na Netflix é uma jornada de autoconhecimento, cura e reconciliação com o passado Divulgação / Buddy Buddy Pictures

Drama que acaba de chegar na Netflix é uma jornada de autoconhecimento, cura e reconciliação com o passado

“Uma Carta à Minha Juventude” é um drama que aposta menos em grandes viradas e mais na observação cuidadosa das feridas que a infância deixa. Dirigido por Sim F., o filme acompanha a trajetória de Kefas, primeiro na infância e depois na vida adulta, mostrando como experiências mal resolvidas continuam moldando decisões muitos anos depois.

Vanessa Kirby entrega a atuação mais devastadora da década — e está na Netflix Benjamin Loeb / Netflix

Vanessa Kirby entrega a atuação mais devastadora da década — e está na Netflix

O filme de Kornél Mundruczó aposta no plano-sequência como torvelinho emocional, com diálogos disparados nos primeiros minutos e cada fala carregando um peso próprio. Martha Weiss e Sean atravessam o parto em casa, assistidos por uma parteira, até a morte de Yvette romper a família e corroer o amor. Em seguida, a presença de Elizabeth, mãe de Martha, amplia o conflito, enquanto culpa, processo, traição e colapso psicológico empurram a protagonista para um estado espectral. A metáfora da maçã conduz a recomposição e sustenta o desfecho épico.

A Netflix entrega uma parábola amarga: gente nova compra, gente velha some — e ninguém sai ileso Divulgação / Netflix

A Netflix entrega uma parábola amarga: gente nova compra, gente velha some — e ninguém sai ileso

Entre prequel e reboot, “O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno de Leatherface” ecoa “O Massacre da Serra Elétrica” e “Halloween — A Noite do Terror”, defendendo a parte mais frágil, ainda que monstruosa. Sally Hardesty caça a criatura que a marcou quase cinquenta anos antes, enquanto Melody, Lila e Dante chegam a Harlow com influenciadores e despertam indignação local. A expulsão de Leatherface e da mãe aciona ódio, identidade e barbárie, num terror que usa gentrificação e maniqueísmo como motor.

A anatomia de um relacionamento fracassado no drama de Sofia Coppola com Scarlett Johansson, na Netflix Divulgação / Focus Features

A anatomia de um relacionamento fracassado no drama de Sofia Coppola com Scarlett Johansson, na Netflix

Bob Harris (Bill Murray) chega a Tóquio para gravar um comercial de uísque que paga bem, exige pouco e cobra um preço silencioso: solidão. O fuso horário bagunça o corpo, o idioma cria barreiras práticas e o hotel vira um abrigo automático entre um compromisso e outro. Tudo funciona, mas nada conecta. Bob cumpre horários, responde educadamente e volta sempre ao mesmo lugar, como alguém que perdeu a chave de casa e decidiu não procurar.