É raro encontrar uma carreira tão vasta e impactante quanto a de Martin Scorsese. O diretor de “Touro Indomável” e “Os Bons Companheiros” não só redefiniu o cinema contemporâneo como também conquistou um Oscar por “Os Infiltrados”. Entretanto, é “Taxi Driver” (1976) que permanece como uma de suas obras mais controversas e reverenciadas. Embora não tenha vencido nenhum dos quatro Oscars a que foi indicado, o filme solidificou seu lugar na história cinematográfica, tanto pela profundidade de sua narrativa quanto pelas polêmicas que suscitou.
Escrito por Paul Schrader em meio a um colapso pessoal, o roteiro nasceu de uma mescla de revolta social e crises individuais. Inspirado pelas mortes trágicas de figuras como John e Robert Kennedy, Martin Luther King e Malcolm X, “Taxi Driver” ecoa o desencanto de uma sociedade em desordem. O longa, no entanto, transcendeu sua própria ficção ao inspirar eventos reais, como a tentativa de assassinato do presidente Ronald Reagan por John Hinckley Jr., em 1981, tornando-se alvo de acusações de apologia à violência.
A Nova York retratada por Scorsese é um organismo doente, cujas veias são as ruas imundas e degradadas, repletas de mendigos, criminosos e prostitutas. É nesse cenário que Travis Bickle (Robert De Niro), um ex-fuzileiro naval atormentado pelo transtorno de estresse pós-traumático, vaga pelas madrugadas como taxista. Sua rotina noturna, entre os bairros marginalizados de Harlem e Brooklyn, alimenta uma visão cada vez mais sombria e distorcida do mundo ao seu redor.
Bickle é um retrato da alienação. Com traços de esquizofrenia, racismo e misoginia, ele caminha na linha tênue entre a vítima e o algoz. Sua tentativa de se aproximar de Betsy (Cybill Shepherd), uma funcionária da campanha presidencial de Charles Palantine, revela sua desconexão com a realidade social. O convite para um cinema pornô no primeiro encontro culmina na rejeição, reforçando sua hostilidade em relação às mulheres. Entretanto, ao cruzar o caminho de Iris (Jodie Foster), uma adolescente explorada pelo cafetão Sport (Harvey Keitel), Bickle acredita ser o salvador que pode redimir sua própria existência.
A angústia de Travis evolui para uma obsessão justiceira. Isolado em seu apartamento, ele se prepara para assassinar Palantine, acreditando estar limpando a cidade daquilo que chama de “escória social”. O cenário psicológico de Bickle torna-se um espelho distorcido da própria desesperança urbana, um reflexo perturbador de quem se vê como herói em um mundo de vilões.
A criação do personagem, segundo Schrader, foi influenciada não só por Arthur Bremer, o atirador de George Wallace, mas também por suas próprias experiências. Sem-teto, insone e emocionalmente devastado após um divórcio, Schrader encontrou no roteiro uma válvula de escape para sua dor. O resultado é um protagonista cujas emoções oscilam entre raiva, tristeza e insanidade, tudo isso orquestrado sob a direção brilhante de Scorsese.
A trilha sonora de Bernard Herrmann, seu último trabalho antes de falecer, potencializa a tensão latente. Inicialmente hesitante em se envolver no projeto, Herrmann mudou de ideia ao compreender a complexidade de Travis. A melodia, ora suave, ora sufocante, acompanha a degradação mental do protagonista, culminando em uma atmosfera de iminente catástrofe.
Filmado durante uma greve de lixeiros, o cenário caótico de Nova York não exigiu muitos retoques. A cidade se apresentava naturalmente como um palco sujo e opressivo, intensificando a autenticidade visual do filme. Mesmo assim, são as atuações que elevam “Taxi Driver” a um status de lenda. Robert De Niro, então um ator promissor com um cachê modesto de 35 mil dólares, transformou o personagem em um ícone. A cena em que, encarando o espelho, repete “Você está falando comigo?” foi improvisada, mas capturou a essência do seu desespero e solidão, consolidando-se como uma das mais memoráveis do cinema.
O legado de “Taxi Driver” vai além do thriller psicológico; é uma reflexão profunda sobre a mente humana em desequilíbrio e uma crítica crua à sociedade. Repleto de nuances e simbolismos, o filme continua a instigar debates e análises, firmando-se como um clássico indispensável para qualquer entusiasta da sétima arte.É raro encontrar uma carreira tão vasta e impactante quanto a de Martin Scorsese. O diretor de “Touro Indomável” e “Os Bons Companheiros” não só redefiniu o cinema contemporâneo como também conquistou um Oscar por “Os Infiltrados”. Entretanto, é “Taxi Driver” (1976) que permanece como uma de suas obras mais controversas e reverenciadas. Embora não tenha vencido nenhum dos quatro Oscars a que foi indicado, o filme solidificou seu lugar na história cinematográfica, tanto pela profundidade de sua narrativa quanto pelas polêmicas que suscitou.
Escrito por Paul Schrader em meio a um colapso pessoal, o roteiro nasceu de uma mescla de revolta social e crises individuais. Inspirado pelas mortes trágicas de figuras como John e Robert Kennedy, Martin Luther King e Malcolm X, “Taxi Driver” ecoa o desencanto de uma sociedade em desordem. O longa, no entanto, transcendeu sua própria ficção ao inspirar eventos reais, como a tentativa de assassinato do presidente Ronald Reagan por John Hinckley Jr., em 1981, tornando-se alvo de acusações de apologia à violência.
A Nova York retratada por Scorsese é um organismo doente, cujas veias são as ruas imundas e degradadas, repletas de mendigos, criminosos e prostitutas. É nesse cenário que Travis Bickle (Robert De Niro), um ex-fuzileiro naval atormentado pelo transtorno de estresse pós-traumático, vaga pelas madrugadas como taxista. Sua rotina noturna, entre os bairros marginalizados de Harlem e Brooklyn, alimenta uma visão cada vez mais sombria e distorcida do mundo ao seu redor.
Bickle é um retrato da alienação. Com traços de esquizofrenia, racismo e misoginia, ele caminha na linha tênue entre a vítima e o algoz. Sua tentativa de se aproximar de Betsy (Cybill Shepherd), uma funcionária da campanha presidencial de Charles Palantine, revela sua desconexão com a realidade social. O convite para um cinema pornô no primeiro encontro culmina na rejeição, reforçando sua hostilidade em relação às mulheres. Entretanto, ao cruzar o caminho de Iris (Jodie Foster), uma adolescente explorada pelo cafetão Sport (Harvey Keitel), Bickle acredita ser o salvador que pode redimir sua própria existência.
A angústia de Travis evolui para uma obsessão justiceira. Isolado em seu apartamento, ele se prepara para assassinar Palantine, acreditando estar limpando a cidade daquilo que chama de “escória social”. O cenário psicológico de Bickle torna-se um espelho distorcido da própria desesperança urbana, um reflexo perturbador de quem se vê como herói em um mundo de vilões.
A criação do personagem, segundo Schrader, foi influenciada não só por Arthur Bremer, o atirador de George Wallace, mas também por suas próprias experiências. Sem-teto, insone e emocionalmente devastado após um divórcio, Schrader encontrou no roteiro uma válvula de escape para sua dor. O resultado é um protagonista cujas emoções oscilam entre raiva, tristeza e insanidade, tudo isso orquestrado sob a direção brilhante de Scorsese.
A trilha sonora de Bernard Herrmann, seu último trabalho antes de falecer, potencializa a tensão latente. Inicialmente hesitante em se envolver no projeto, Herrmann mudou de ideia ao compreender a complexidade de Travis. A melodia, ora suave, ora sufocante, acompanha a degradação mental do protagonista, culminando em uma atmosfera de iminente catástrofe.
Filmado durante uma greve de lixeiros, o cenário caótico de Nova York não exigiu muitos retoques. A cidade se apresentava naturalmente como um palco sujo e opressivo, intensificando a autenticidade visual do filme. Mesmo assim, são as atuações que elevam “Taxi Driver” a um status de lenda. Robert De Niro, então um ator promissor com um cachê modesto de 35 mil dólares, transformou o personagem em um ícone. A cena em que, encarando o espelho, repete “Você está falando comigo?” foi improvisada, mas capturou a essência do seu desespero e solidão, consolidando-se como uma das mais memoráveis do cinema.
O legado de “Taxi Driver” vai além do thriller psicológico; é uma reflexão profunda sobre a mente humana em desequilíbrio e uma crítica crua à sociedade. Repleto de nuances e simbolismos, o filme continua a instigar debates e análises, firmando-se como um clássico indispensável para qualquer entusiasta da sétima arte.
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