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A história apaixonante da literatura que foi para as telas e vai te fazer tremer (de amor ou de raiva) Divulgação / Warner Bros.

A história apaixonante da literatura que foi para as telas e vai te fazer tremer (de amor ou de raiva)

Em “O Morro dos Ventos Uivantes”, dirigido por Emerald Fennell, Heathcliff (Jacob Elordi) chega à casa dos Earnshaw sem status claro, dependendo da tolerância de quem manda e da boa vontade de quem divide o espaço. Ele aprende rápido onde pode circular, quando deve recuar e como evitar confronto direto, mas nunca conquista aceitação plena. Catherine (Margot Robbie) observa esse movimento e se aproxima não por caridade, mas por identificação. Ela reconhece nele uma liberdade que não encontra dentro das regras que a cercam.

A aproximação cria uma rotina própria entre os dois. Eles compartilham caminhos, desafiam limites e ocupam espaços que não lhes são exatamente permitidos. Isso provoca reação imediata de Hindley Earnshaw, que passa a restringir o acesso de Heathcliff e a impor tarefas mais duras. A casa, que deveria organizar a convivência, se transforma em um território de vigilância, e o vínculo entre Catherine e Heathcliff passa a funcionar como resistência direta à autoridade.

O tempo não suaviza a relação, ele a complica. Catherine e Heathcliff crescem, e o que antes era cumplicidade ganha peso emocional e social. Eles continuam próximos, mas já não conseguem ignorar as diferenças de posição. Catherine sente o limite imposto pelo ambiente; Heathcliff sente o custo de não pertencer completamente.

Quando Catherine passa mais tempo com a família Linton, especialmente com Edgar Linton, ela encontra um tipo de estabilidade que nunca teve. Não se trata apenas de romance, mas de acesso a uma vida mais previsível, com reconhecimento e conforto. Heathcliff percebe essa mudança sem que ela precise explicar, e reage se afastando antes de ser excluído de vez.

Esse afastamento não resolve o conflito, apenas o desloca. Catherine tenta equilibrar os dois mundos, mas cada tentativa de manter proximidade com Heathcliff cobra um preço na relação com os Linton. Aos poucos, o espaço para conciliação diminui, e a pressão por uma escolha definitiva se torna inevitável.

Catherine escolhe Edgar Linton. A decisão atende a uma lógica prática: estabilidade, posição social e aceitação dentro de um sistema que antes a limitava. Mas essa escolha não encerra o vínculo com Heathcliff. Pelo contrário, transforma o que existia em algo mais difícil de administrar.

Heathcliff não confronta Catherine diretamente naquele momento. Ele se retira. E essa retirada altera a dinâmica de todos ao redor. Sem ele, a casa muda de ritmo, e Catherine passa a lidar com as consequências de uma escolha que resolve um problema imediato, mas abre outros.

O tempo passa, mas não neutraliza o impacto dessa decisão. O que foi deixado em aberto continua influenciando relações, comportamentos e expectativas. A aparente estabilidade começa a mostrar fissuras, principalmente quando o passado retorna de forma concreta.

Heathcliff volta diferente. Não apenas mais seguro, mas mais consciente de como ocupar espaço e influenciar quem está ao redor. Ele não busca retomar exatamente o que perdeu; busca reorganizar sua posição dentro daquele ambiente.

Catherine percebe a mudança rapidamente. Ela tenta recuperar a proximidade de antes, mas encontra resistência. Heathcliff mantém distância estratégica, e isso desestabiliza a relação. O que antes era impulsivo agora é medido, e cada gesto tem consequência direta.

A presença de Isabella Linton (Hong Chau) amplia o alcance desse conflito. Relações que antes estavam separadas passam a se cruzar de forma mais intensa. Heathcliff usa essas conexões para avançar em posição; Catherine reage tentando manter algum controle sobre o que já não domina completamente. Cada decisão passa a afetar mais de uma pessoa ao mesmo tempo, e o risco se multiplica.

O vínculo entre Catherine e Heathcliff não desaparece, mas muda de forma. Ele deixa de ser uma possibilidade e passa a ser um fator constante de tensão. Pequenos gestos, uma visita, um silêncio, um confronto evitado, carregam efeitos maiores do que antes.

Há um ponto em que Catherine entende que não conseguiu preservar o que tinha ao tentar garantir o que parecia mais seguro. Heathcliff, por sua vez, age como alguém que não aceita perder completamente, mesmo quando já não há retorno possível. Ele não diz isso abertamente, mas suas escolhas mostram que manter-se próximo, ainda que em conflito, é uma maneira de não abrir mão do que considera seu.

Os espaços permanecem os mesmos, as casas, os caminhos, os encontros inevitáveis, mas o significado muda. Cada retorno a esses lugares reforça o peso das decisões anteriores. Ninguém consegue simplesmente seguir em frente, porque tudo o que foi feito continua operando no presente, ajustando posições e impondo novas perdas.

Filme: O Morro dos Ventos Uivantes
Diretor: Emerald Fennell
Ano: 2026
Gênero: Drama/Romance
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.