Filmes

Quando a opressão não silencia a arte: o drama turco que transformou trauma político em beleza, agora na Mubi Divulgação / Magnum Film

Quando a opressão não silencia a arte: o drama turco que transformou trauma político em beleza, agora na Mubi

O cinema turco viveu seu auge entre as décadas de 1950 e 1970, impulsionado pelo sistema industrial de Yeşilçam, antes de entrar em colapso nos anos 1980, após o Golpe Militar de 12 de setembro. Não foi apenas uma perda de público ou prestígio: foi um desmonte estrutural, marcado por censura, perseguição a artistas, autocensura e a quase extinção de uma indústria cinematográfica organizada. “Don’t Let Them Shoot the Kite”, lançado em 1989, surge como um raro suspiro de resistência dentro de um sistema opressor cuja lógica só começaria a se enfraquecer, lentamente, a partir dos anos 2000.

Dez minutos fora do lugar e a mente entra em colapso — Ryan Reynolds em um filme na HBO Max que te prende pelo desconforto Divulgação / Warner Bros.

Dez minutos fora do lugar e a mente entra em colapso — Ryan Reynolds em um filme na HBO Max que te prende pelo desconforto

“A Teoria do Caos” parte de um truque doméstico e acompanha o estrago prático que ele espalha por um dia inteiro. Frank Allen vive de vender ordem, mas, quando o tempo dele é mexido sem aviso, cada tarefa vira uma remarcação e cada encontro ganha cara de atraso. Dirigido por Marcos Siega e escrito por Daniel Taplitz, o longa de 2008 usa filas, deslocamentos e compromissos atravessados para tirar o protagonista do pedestal de palestrante e colocá-lo no asfalto, no corredor e no telefone, tentando costurar o que já desandou.

Você dá play nesse filme na HBO Max “só pra relaxar”… aí o “cara de Breaking Bad” rouba tudo — e você termina rindo em modo pânico Hopper Stone / Warner Bros. Entertainment

Você dá play nesse filme na HBO Max “só pra relaxar”… aí o “cara de Breaking Bad” rouba tudo — e você termina rindo em modo pânico

Max e Annie têm um hobby que parece inofensivo, juntar amigos, abrir uma caixa de jogo e competir com educação. Só que eles levam a disputa como se valesse troféu, e essa fome de vitória ganha combustível quando surge uma proposta diferente, um crime de brincadeira, uma “investigação” com prêmio, um roteiro pronto para tirar todo mundo do sofá. A troca soa simples até a primeira situação que não estava no combinado, e o grupo descobre que improviso cobra em deslocamento, em constrangimento, em energia e em minutos que somem sem trazer resposta. “A Noite do Jogo” segura o riso junto do risco e não deixa ninguém descansar.

Você abre o Prime Video por Jackie Chan… e cai num thriller gelado de paranoia com Pierce Brosnan Divulgação / Diamond Films

Você abre o Prime Video por Jackie Chan… e cai num thriller gelado de paranoia com Pierce Brosnan

Depois de um ataque ligado a um grupo irlandês, Quan vê a vida desmontar em poucos minutos e encontra portas fechadas quando procura respostas pelas vias oficiais. Sem paciência para o labirinto de balcões, formulários e promessas vagas, ele passa a encostar sua dor em quem tem acesso a nomes e bastidores, mesmo que isso signifique atravessar a cidade repetidas vezes, voltar para casa de mãos vazias e repetir a mesma pergunta até ficar sem voz. Dirigido por Martin Campbell, “O Estrangeiro” troca bravata por insistência e acompanha o preço cobrado em cada tentativa, no corpo e no relógio.

O filme mais bonito que você queria não ter visto — e não dá pra “desassistir” (no MUBI) Divulgação / MUBI

O filme mais bonito que você queria não ter visto — e não dá pra “desassistir” (no MUBI)

No Chile de 1901, três homens recebem armas, cavalo e uma ordem curta, abrir caminho para as cercas de um grande proprietário. Na trilha, a tarefa vira escolha atrás de escolha, por onde passar, quando parar, quanto água dá para poupar, com quem falar e com quem evitar contato. Cada decisão mexe no ritmo do grupo e cobra em tempo de viagem, sono picado e energia jogada fora em trechos errados. Em “Os Colonos”, Felipe Gálvez Haberle encosta a câmera na poeira, na fome e na distância para desmontar o heroísmo de fachada e lembrar que a ocupação começa como trabalho e termina como violência executada em turnos.