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Prime Video: um filme elegante, cruel e impossível de largar — e você sente isso na pele Kerry Hayes / EuropaCorp

Prime Video: um filme elegante, cruel e impossível de largar — e você sente isso na pele

Mulheres bonitas e mordazes como Margaret Elizabeth Sloane aprenderam a transitar pelos terrenos pantanosos do lobby, valendo-se de predicados que a sua bela figura ostenta. Perfeccionista como sempre, John Madden faz de “Armas na Mesa” um brilhante estudo de personagem, tendo por pano de fundo o alcance da indústria bélica nos Estados Unidos. E ainda vai além.


Um Monet de 100 milhões some — Pierce Brosnan e Rene Russo se enfrentam no suspense mais intrigante da Netflix Divulgação / Metro-Goldwyn-Mayer

Um Monet de 100 milhões some — Pierce Brosnan e Rene Russo se enfrentam no suspense mais intrigante da Netflix

Feito como releitura de um título conhecido, “Thomas Crown — A Arte do Crime” corre menos atrás de viradas rápidas e aposta em encontros repetidos, retornos a pistas e circulação por espaços institucionais. A direção de John McTiernan acelera quando a investigação encosta em um detalhe e estica quando o filme prende os personagens na mesma sala, olhando um para o outro e medindo o próximo passo. Para quem assiste, isso tem efeito direto: a história pede tempo e cobra disposição para acompanhar idas e vindas sem recompensa imediata.

Netflix tem um suspense investigativo com Denzel Washington e Angelina Jolie que prende do começo ao fim Divulgação / Columbia Pictures

Netflix tem um suspense investigativo com Denzel Washington e Angelina Jolie que prende do começo ao fim

Mais do que um mistério sombrio, “O Colecionador de Ossos” é lido aqui como estudo de caráter e encontro improvável. O texto acompanha como Phillip Noyce conduz subtramas e aproxima Lincoln Rhyme e Amelia Donaghy, sustentados pelo carisma de Denzel Washington e Angelina Jolie, sem cair numa história comum. No caminho, aparecem diferenças de mundo, tensões de trabalho e o desenho de um romance que não se consuma. Ao fim, a festa natalina sugere outra forma de redenção.

Para quem ama arquitetura e filosofia, o delicado filme de Kogonada na Mubi transforma silêncio em emoção Divulgação / Superlative Films

Para quem ama arquitetura e filosofia, o delicado filme de Kogonada na Mubi transforma silêncio em emoção

Tolkien tem uma frase conhecida que diz que “nem todos os que vagueiam estão perdidos”. Ela parece se encaixar bem com o espírito de “Columbus”, longa de estreia de Kogonada, lançado em 2017, realizado com um orçamento modesto de cerca de 700 mil dólares, algo praticamente impensável dentro da lógica industrial de Hollywood. Ainda assim, ou talvez justamente por isso, Kogonada constrói um drama de extrema sofisticação, sustentado por um roteiro de vocação contemplativa e por uma fotografia que dialoga de maneira orgânica com a arquitetura da cidade de Columbus, elemento intrinsecamente ligado tanto à narrativa quanto ao estado emocional dos personagens.

No Prime Video: um poeta à beira da loucura vira detetive e caça um serial killer na Estônia de 1894 Divulgação / Baltic Crime

No Prime Video: um poeta à beira da loucura vira detetive e caça um serial killer na Estônia de 1894

Mundialmente conhecido pelo documentário “Disco e a Guerra Atômica” (2009), no qual revisita a Guerra Fria (1947-1991) a partir da influência da cultura pop ocidental, o estoniano Jaak Kilmi usa o humor como ferramenta política, sem anular a carga histórica do que é apresentado. “A Sombra”,  porém, é seu trabalho mais introspectivo — e lutuoso. Uma cinebiografia que mais parece ficção.