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Com ‘Pixel’, escritora húngara Krisztina Tóth estreia no Brasil Divulgação / Falus Kriszta

Com ‘Pixel’, escritora húngara Krisztina Tóth estreia no Brasil

Krisztina Tóth é uma autora conhecida por descrever contradições e trazer à tona incômodos em uma sociedade multicultural e miscigenada que compõe o Leste Europeu. Em “Pixel”, primeiro livro da autora publicado no Brasil e editado pela DBA (171 páginas), a escritora húngara toca nesses temas em 30 textos que correspondem a diferentes partes do corpo — despedaçado, mas ainda assim um corpo. O título revela uma das características principais da obra: cada capítulo é uma peça de um quebra-cabeça que integra a trajetória de diferentes personagens.

Zizi Possi: um dos mais belos shows de 2023

Zizi Possi: um dos mais belos shows de 2023

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche proclamou certa vez: “Sem a música, a vida seria um erro”. A cada dia que passa, percebo a profundidade dessa verdade. Nesta semana, tive a oportunidade de assistir, no icônico Blue Note em São Paulo, a uma performance memorável da cantora Maria Izildinha Possi, mais conhecida pelo público como Zizi Possi. Aos 67 anos, Zizi mantém uma qualidade vocal que a distingue notavelmente em meio àqueles que se proclamam cantores. A maestria com que emprega seu alcance vocal, particularmente como soprano, combina-se perfeitamente com sua habilidade única de equilibrar a técnica vocal e a interpretação emocional.

O olhar e a escuta de Kleber Mendonça Filho Divulgação / Ancine

O olhar e a escuta de Kleber Mendonça Filho

O filme “Retratos Fantasmas”, de Kleber Mendonça Filho, é um acontecimento. Chamá-lo de documentário pode ser pouco, em vista dos elementos variados que compõem a história. O diretor fez, de novo, um cinema que pensa e não apenas narra uma boa trama. A obra está nos serviços de streaming para venda e aluguel. O olho de Mendonça vê o que passa despercebido das pessoas, e a escuta vai mais além para pegar coisas dispersas e perdidas no mundo moderno — que pode ser apenas uma casa, uma rua da cidade do Recife ou mesmo o país.

O dia em que fiz o gol que Pelé não fez

O dia em que fiz o gol que Pelé não fez

Veteranos em disputa dentro das quatro linhas. Alguém tinha conseguido o contato de um motorista de ambulância. Por segurança. Nunca se sabe. O jogo estava jogado, pegado, duro de assistir, a várzea em polvorosa, a fumaça do churrasquinho serpenteando no ar, os olhos da torcida pregados no campo. Nem tanto assim. Passou uma mulher bonita perto do alambrado e todos a fitaram enfeitiçados. Nossa defesa passava por um sufoco danado, uma verdadeira blitz dos atacantes adversários.

Lívia Mattos e seu ofício seguro de devolver o ar que nos falta

Lívia Mattos e seu ofício seguro de devolver o ar que nos falta

Eu tenho o hábito, desaconselhado pelos otorrinolaringologistas, de ouvir música em fones de ouvido minúsculos, enfiados nos buracos das orelhas, em volumes inacreditáveis, como se eu pudesse silenciar o mundo lá fora. Como se possível fosse reduzir o tempo e o espaço ao movimento infinito de uma canção depois da outra. Ouço música enquanto lavo a louça às quatro horas da manhã. Quando caminho e quando tomo banho. Escuto música para dormir e para acordar. Enquanto escrevo e enquanto leio, ouço música também. Hoje, lendo as notícias de uma guerra estúpida, o ar me faltou no peito e uma playlist aleatória me deu um presente: do nada, ouvi uma moça tocando sanfona. E o mistério da música deu de novo o ar de sua graça.