Se “Clube da Luta” te pegou pelo incômodo, a Netflix tem um primo mais sujo e debochado Divulgação / Sony Pictures Home Entertainment

Se “Clube da Luta” te pegou pelo incômodo, a Netflix tem um primo mais sujo e debochado

Guy Ritchie arma uma sátira engenhosa sobre gente suja, expedientes abjetos e representantes corrompidos, costurando lutas clandestinas e o afano de uma relíquia. O filme ecoa “Clube da Luta” e “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, provoca o politicamente correto e faz do caos de Londres um idioma de desencontros. Mickey O’Neil domina a cena, enquanto Franky Quatro-Dedos arrasta todos para a caça ao diamante. O excesso de personagens pode pesar, mas a anarquia autoral cobra seu preço e vira assinatura.

O roteirista de “Point Break” voltou ao crime urbano — e dá pra sentir esse DNA no filme mais visto da Netflix hoje Divulgação / Screen Media Films

O roteirista de “Point Break” voltou ao crime urbano — e dá pra sentir esse DNA no filme mais visto da Netflix hoje

Cuda começa trabalhando com pressa de quem tem horário marcado, recolhe dinheiro, atravessa portas sem pedir licença e já volta para o carro antes do assunto esfriar. Quando ele cruza uma jovem em fuga e decide tirá-la do alcance da quadrilha, a rotina vira sequência de endereços, corredores e telefonemas curtos, com o risco vindo junto no mesmo pacote. Em casa, a conta aparece em gestos simples, luz acesa, celular largado longe e o controle na mão para voltar alguns segundos quando um nome ou um lugar passa rápido demais.

Prime Video: se você já tentou “salvar” alguém, esse filme vai te desmontar por dentro Divulgação / Fathom Events

Prime Video: se você já tentou “salvar” alguém, esse filme vai te desmontar por dentro

Ambientado na Louisiana dos anos 1960, “Antes da Dinastia” volta ao período em que Phil Robertson ainda era só um homem tentando manter a casa de pé. O drama anda por ações curtas e caras, pegar a estrada, empurrar a porta do bar, sentar à mesa do café, e cada escolha vem com cobrança concreta, como a manhã perdida no trabalho, a noite acordado, o gasto que sobra para quem fica. Quem tenta ver com o celular na mão se perde e paga com minutos de volta e cansaço extra, porque a rotina do personagem não vira atalho e ocupa o tempo inteiro até a próxima recaída.

O Dom Quixote não nasceu do nada: a Netflix mostra o inferno que moldou Cervantes Divulgação / Misent Producciones S.L.

O Dom Quixote não nasceu do nada: a Netflix mostra o inferno que moldou Cervantes

O longa de Alejandro Amenábar põe Miguel de Cervantes na conta fria de uma captura sem intervalo. Quem dá play depois do jantar entra em convés, corrente e negociação, e precisa manter a cabeça no lugar para entender quem manda, quem deve e quanto cada corpo pode render. As cenas alongam a espera e empurram o espectador a decidir entre pausar e retomar no dia seguinte ou atravessar a sessão e pagar com sono. Em cada sequência, alguém escolhe um passo prático, recebe cobrança em dinheiro ou obediência e paga com horas, fome, dor e risco dentro da prisão.

Chegou ao Prime Video: a história real tão absurda que parece ficção (e é viciante) Divulgação / Sony Pictures Releasing

Chegou ao Prime Video: a história real tão absurda que parece ficção (e é viciante)

Em uma cidade litorânea inglesa dos anos 1920, cartas anônimas cheias de ofensa e grosseria viram assunto de rua, viram caso de polícia e acabam em tribunal. “Pequenas Cartas Obscenas”, dirigido por Thea Sharrock, encadeia esse alvoroço com foco em gente que precisa acordar cedo, trabalhar, cuidar de filho e ainda sobrar energia para se defender em público. A cada nova carta, alguém atravessa a rua, bate à porta de um vizinho e entrega parte do intervalo de almoço só para confirmar o boato do dia.