O dia em que fiz o gol que Pelé não fez

O dia em que fiz o gol que Pelé não fez

Veteranos em disputa dentro das quatro linhas. Alguém tinha conseguido o contato de um motorista de ambulância. Por segurança. Nunca se sabe. O jogo estava jogado, pegado, duro de assistir, a várzea em polvorosa, a fumaça do churrasquinho serpenteando no ar, os olhos da torcida pregados no campo. Nem tanto assim. Passou uma mulher bonita perto do alambrado e todos a fitaram enfeitiçados. Nossa defesa passava por um sufoco danado, uma verdadeira blitz dos atacantes adversários.

Absolutamente adorável e tão bom quanto o livro: filme na Netflix é um dos momentos mais belos da história do cinema Wilson Webb / CTMG

Absolutamente adorável e tão bom quanto o livro: filme na Netflix é um dos momentos mais belos da história do cinema

“Adoráveis Mulheres” bebe na fonte do clássico literário de Louisa May Alcott, uma história que, apesar de suas múltiplas interpretações cinematográficas — incluindo a notável versão de 1994 com Winona Ryder —, encontra em Gerwig uma narrativa singular. O filme, que garantiu a Greta aplausos críticos e um Oscar de melhor figurino, tece a vida das irmãs March com uma delicadeza que honra a essência do original. Ambientado no turbilhão da Guerra Civil com o patriarca ausente, o enredo se desenrola ao redor da matriarca Marmee (Laura Dern) e suas quatro filhas, cada uma encarnando um espírito distinto e uma abordagem única da vida, do amor e da arte.

Segundo filme de uma das franquias mais famosas do cinema está na Netflix, e você não sabia Divulgação / Dimension Films

Segundo filme de uma das franquias mais famosas do cinema está na Netflix, e você não sabia

Ao que “Todo Mundo em Pânico” (2000) tem de sátira, “Todo Mundo em Pânico 2” responde com escracho (e mais sátira), o que depois do suspense farsesco das cenas de abertura vem a ser um poderoso alívio. Keenen Ivory Wayans não se cansa de provocar o público com seu slasher farofa ao passo que encadeia uma paródia de clássicos do terror dito sério atrás da outra, o que invalida muito dos esforços iniciais quanto a sacudir a pasmaceira do gênero.

Na Netflix, filme com Joaquin Phoenix e Scarlett Johansson é um dos romances mais belos da história do cinema, e você não assistiu Divulgação / Warner Bros

Na Netflix, filme com Joaquin Phoenix e Scarlett Johansson é um dos romances mais belos da história do cinema, e você não assistiu

O cinema, em sua essência, vai além da simples ideia de ser um veículo de mensagens ao mundo; frequentemente, se torna um ambiente onde os filmes dialogam entre si. Esta visão inovadora torna-se clara ao analisarmos “Ela”, obra-prima de Spike Jonze, lançada em 2013, com Joaquin Phoenix como pilar central de sua narrativa. O destaque deste filme não está somente em sua aclamação pública, mas na maneira distinta como se desenvolve, não visando a aplausos retumbantes, mas um diálogo introspectivo com obras anteriores, coroando a carreira de Jonze com um Oscar pelo seu roteiro sem paralelos.

Lívia Mattos e seu ofício seguro de devolver o ar que nos falta

Lívia Mattos e seu ofício seguro de devolver o ar que nos falta

Eu tenho o hábito, desaconselhado pelos otorrinolaringologistas, de ouvir música em fones de ouvido minúsculos, enfiados nos buracos das orelhas, em volumes inacreditáveis, como se eu pudesse silenciar o mundo lá fora. Como se possível fosse reduzir o tempo e o espaço ao movimento infinito de uma canção depois da outra. Ouço música enquanto lavo a louça às quatro horas da manhã. Quando caminho e quando tomo banho. Escuto música para dormir e para acordar. Enquanto escrevo e enquanto leio, ouço música também. Hoje, lendo as notícias de uma guerra estúpida, o ar me faltou no peito e uma playlist aleatória me deu um presente: do nada, ouvi uma moça tocando sanfona. E o mistério da música deu de novo o ar de sua graça.