Um dos últimos filmes de Bruce Willis antes da doença está na Netflix e não vai deixar você piscar por 96 minutos Divulgação / EuroVideo Medien

Um dos últimos filmes de Bruce Willis antes da doença está na Netflix e não vai deixar você piscar por 96 minutos

Embora os 96 minutos do filme navegarem por instantes que flertam com a ostentação, o roteiro de Bill Lawrence encontra seu brilho em interlúdios surpreendentes, amplificados significativamente pela entrega convicta de Willis. Este, à beira de enfrentar tribulações de saúde que viriam à tona mais tarde, oferece uma atuação restrita, porém impactante, em contraste com seus co-protagonistas mais novos. Há uma ironia palpável, quase paradoxal, em testemunhar esta emblemática força de masculinidade na tela, agora às voltas com desafios singulares, orquestrando um adeus que ressoa com a intensidade de seu carisma intrínseco.

Digno de Oscar, o filme mais bonito, cruel e encantador da Netflix Divulgação / Caramel Films

Digno de Oscar, o filme mais bonito, cruel e encantador da Netflix

“O Lugar da Esperança”, um filme de 2021 realizado por Phyllida Lloyd, apresenta-se como uma dissecção aguda das camadas sociais, mergulhando nos obstáculos cotidianos e na resiliência humana com um realismo que dispensa floreios. Este longa-metragem distancia-se das abordagens genéricas de desafios financeiros, complexidades familiares e a incessante procura por um terreno estável, escolhendo, em vez disso, um caminho de honestidade e representação crível.

 Lusco-Fusco e a arte luminosa de Assucena Natalia Mitie / Divulgação

 Lusco-Fusco e a arte luminosa de Assucena

Naquele instante em que já não é mais dia nem é noite ainda, como na primeira horinha da manhã em que o sol inda não deu as caras mas um raio apressado entrega o dia que chega, nesse momento há um intervalo luminoso, uma luz que banha o mundo e a ela alguém deu o nome lusco-fusco. No anoitecer e no amanhecer, é como a mudança se anuncia irreprimível, absoluta e peremptória. No lusco-fusco.

Oldboy: a pedagógica tragédia de Park Chan-wook Divulgação / Neon

Oldboy: a pedagógica tragédia de Park Chan-wook

Há algumas semanas, tive a oportunidade de assistir “Oldboy” em uma tela de cinema. Já havia visto o filme outras vezes, mas sempre pelo computador. A experiência, é claro, foi muito mais impactante. A sala de cinema, com seu breu artificial e seu imponente ecrã, como que convida o expectador a imergir em cada “frame”. Nelson Rodrigues dizia que a cama é um móvel metafísico, onde o homem nasce, dorme, sonha, ama e morre. O mesmo poderia ser dito da poltrona de cinema, com a diferença de que nela esse ciclo se completa ao tempo de uma sessão.

Eu conspiro contra o universo

Eu conspiro contra o universo

Não me casei. Não me casei porque não quis. Perdi o juízo aos 38. Tinha passado incólume pelo ímpeto de me atirar de um tédio sobre os braços invisíveis do esquecimento. Sempre fora uma famosa ninguém, uma célebre em nada, uma PhD em pessimismo e neurastenia. A partir de tal ruptura emocional, a primeira atitude que me ocorreu, enquanto persona desajustada, foi aposentar o relógio de pulso nalgum canto da mobília. Recebera como herança um diagnóstico reservado e o relógio de bolso do meu avô paterno, o qual foi solenemente esquecido num poço insondável da minha memória.