Autor: Sebastião de Assis Neto

O mito de Ulisses e a vida que a quarentena nos rouba

O mito de Ulisses e a vida que a quarentena nos rouba

O confinamento nos tirou esse prazer e, consequentemente, o prazer maior do retorno. Sempre em casa, não há a noção de ausência, tampouco da necessidade do retorno ao ponto de partida. Como disse Heráclito de Éfeso, “É a doença que torna a saúde agradável e boa.” Se subtraímos a ideia de pertencimento à vida de atribulações da rua, desaparece a referência que transforma em bálsamo a quietude do lar.

A vida como ela era — ou por que, em meio à pandemia, prefiro um Nélson desgastado a uma Pollyanna reciclada

A vida como ela era — ou por que, em meio à pandemia, prefiro um Nélson desgastado a uma Pollyanna reciclada

A vida — e o mundo onde ela ocorre — é isso: um jogo de busca pela perfeição em que, sempre que se aproxima do obstáculo, ele é removido para (muito) longe. Ninguém vai sair mais pacifista ou filantropo dessa história — depois do surto de 1918 a humanidade saiu tão boa que, na década de 1930, vimos o holodomor e o início do holocausto.

Entre togas e regatas: melhor que apontar o dedo é encontrar o próprio equilíbrio

Entre togas e regatas: melhor que apontar o dedo é encontrar o próprio equilíbrio

Essa coisa difícil de definir — a liturgia — é algo a que nos afeiçoamos desde cedo: papai e mamãe são chamados assim para manter a ordem da hierarquia familiar; do contrário seriam João e Maria. Levantar, arrumar a cama, lavar o rosto, escovar os dentes e trocar de roupa: só depois o café da manhã. Há todo um ritual a ser seguido mesmo nas pequenas coisas.