Autor: Nelson Moraes

Ota não merecia o tratamento que recebeu. E nós, que ficamos, não merecemos sua partida

Ota não merecia o tratamento que recebeu. E nós, que ficamos, não merecemos sua partida

Meu playground etário foi a década de 70, e nela, numa distraída sexta (lembro que saí da escola feliz pelo dia seguinte ser sábado e, principalmente, meu aniversário), topei numa banca, dei de cara e me apaixonei insanamente pela MAD, a ponto de começar a desviar dinheiro da (minha) merenda escolar pra manter aquele vício mensal. Além da devoção que passei a prestar aos fabulosos (míticos, pronto) artistas publicados pela revista, sempre fui fã do talento, da dedicação e da férrea teimosia de um certo Otacílio d’Assunção Barros, editor da versão brasileira e que esteve bravamente à frente da revista em todas as incontáveis enca(de)rnações editoriais por que ela passou.

Advérbios, henna e um ligeiro imprevisto

Advérbios, henna e um ligeiro imprevisto

Vanderley apresentava um programa de entrevistas “culturais” no horário da madrugada, que dava traço de audiência — mais uma consideração da emissora à sua condição de repórter social decadente. Vanderley mantinha também o hábito de utilizar “literalmente” fora do contexto. “Estou literalmente cansado.” “O cabelo de nossa entrevistada está literalmente mais curto.” Isso inclusive sempre foi motivo de secreta chacota por parte da equipe do programa, dos técnicos à produção.

1967, o ano que mal começou

1967, o ano que mal começou

A segunda metade do século vinte não começou em 1951, mas 16 anos depois. Isso não chega a configurar um atraso, já que o século só teve início mesmo com o assassinato do Franz Ferdinand, em 1914 — então a conta meio que fecha. Mas divago.
1967 é brutalmente injustiçado.

O Iluminado: a comédia que você não viu

O Iluminado: a comédia que você não viu

“Here’s Johnnnnny!”, ou, alguns segundos antes, a fábula do Lobo Mau e os Três Porquinhos, sussurrada a uma apavorada Wendy que teima em não abrir a porta: se você achava que estas cenas eram um alívio cômico em meio a tanto horror e sanguinolência em “O Iluminado”, redimensione suas perspectivas. Na verdade elas dão o tom do filme inteiro.