Autor: Nelson Moraes

Escritor gosta é de apanhar

Escritor gosta é de apanhar

Quem ficou surpreso ao saber do barraco entre Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa, acontecido em 76 (donde deduzimos que a Literatura Moderna não consiste apenas num soco no estômago do leitor: às vezes vale murro em olho de autor), é porque nunca soube de outros casos, tão mais apetitosos quanto abafados, também envolvendo literatos — e que chegam agora até você, com exclusividade.

Ota não merecia o tratamento que recebeu. E nós, que ficamos, não merecemos sua partida

Ota não merecia o tratamento que recebeu. E nós, que ficamos, não merecemos sua partida

Meu playground etário foi a década de 70, e nela, numa distraída sexta (lembro que saí da escola feliz pelo dia seguinte ser sábado e, principalmente, meu aniversário), topei numa banca, dei de cara e me apaixonei insanamente pela MAD, a ponto de começar a desviar dinheiro da (minha) merenda escolar pra manter aquele vício mensal. Além da devoção que passei a prestar aos fabulosos (míticos, pronto) artistas publicados pela revista, sempre fui fã do talento, da dedicação e da férrea teimosia de um certo Otacílio d’Assunção Barros, editor da versão brasileira e que esteve bravamente à frente da revista em todas as incontáveis enca(de)rnações editoriais por que ela passou.

Advérbios, henna e um ligeiro imprevisto

Advérbios, henna e um ligeiro imprevisto

Vanderley apresentava um programa de entrevistas “culturais” no horário da madrugada, que dava traço de audiência — mais uma consideração da emissora à sua condição de repórter social decadente. Vanderley mantinha também o hábito de utilizar “literalmente” fora do contexto. “Estou literalmente cansado.” “O cabelo de nossa entrevistada está literalmente mais curto.” Isso inclusive sempre foi motivo de secreta chacota por parte da equipe do programa, dos técnicos à produção.

1967, o ano que mal começou

A segunda metade do século vinte não começou em 1951, mas 16 anos depois. Isso não chega a configurar um atraso, já que o século só teve início mesmo com o assassinato do Franz Ferdinand, em 1914 — então a conta meio que fecha. Mas divago.
1967 é brutalmente injustiçado.