Autor: Giancarlo Galdino

Filme complexo e sinistro que é grande aposta para o Oscar 2022 acaba de estrear na Netflix

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Thomas Savage (1915-2003) é dos nomes mais sólidos da literatura de western, dispondo de um currículo de quase meio século de produção. “The Power of the Dog” (1967), livro do qual a diretora Jane Campion tirara inspiração para rodar “Ataque dos Cães”, trata o faroeste sob perspectivas absolutamente revolucionárias para o contexto social em que toma corpo, dando azo a produções igualmente provocadoras, como “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005), de Ang Lee, e “Django Livre” (2012), dirigido por Quentin Tarantino.

Considerado pela crítica a melhor animação de 2021, novo filme da Netflix tem 100% de avaliações positivas

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Releitura de um mangá, as histórias em quadrinhos japonesas, o francês “Viagem ao Topo da Terra” se estende sobre o argumento de um alpinista determinado, perseguido pelo sonho quase perverso de escalar o Everest, conquistado décadas antes — o que o surgimento de uma câmera mitológica prova. A animação do diretor Patrick Imbert transporta o espectador para uma das paisagens mais inóspitas da Terra, inspirando-lhe reflexões acerca dos insanos desejos do homem.

O filme da Netflix que abalará seu estado psicológico como se fosse uma serpente rastejando pelo seu corpo

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“A Perfeição” pode se desdobrar sobre um dos sentimentos mais bestiais que pode haver na natureza humana, mas no filme de Richard Shepard a forma como se conta a história importa tanto como a história em si. O diretor não se furta a subverter tudo o que o público espera dele, imiscuindo um gênero no outro numa mesma sequência e torcendo o tempo da narrativa ao sabor de sua vontade.

Complexo e reflexivo, filme da Netflix é uma aula de história e um pequeno diamante do cinema

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O épico sul-coreano “Nas Muralhas da Fortaleza” (2017), de Hwang Dong-hyuk, retrata um episódio vergonhoso para a história de seu país. Ao retratar a invasão da Coreia por tropas da dinastia chinesa Qing, em 1636, o diretor abre outras possibilidades quanto a se estudar o cerco a um forte isolado, fato que acabou por desencadear uma longa era de miséria e fome e o remorso de um estadista, coagido a tomar a pior decisão de sua vida — ainda que o outro cenário fosse igualmente monstruoso.

O filme na Netflix que poderia mantê-lo acordado pelo resto da vida

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Filmes não são quebra-cabeças para serem resolvidos. Bons filmes podem até deter sugestões reveladoras para as inúmeras agruras do gênero humano, mas optar-se por um único viés quanto a definir uma obra que tem por natureza justamente ser pluralisticamente incômoda é tolice. “Nós”, noir em que Jordan Peele mescla terror e dissertações filosóficas sobre a dubiedade do homem, vai apresentando um enigma atrás do outro, todos de relevância fundamental a fim de se entender a alma de uma pessoa, último — e indevassável — refúgio de sua individualidade. E que, por essa mesma razão, pode esconder segredos os mais abjetos.