Autor: Giancarlo Galdino

Novo filme da Netflix é uma obra de arte dolorosamente triste, delicada e linda e uma das promessas do Oscar 2022

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Rebecca Hall faz um debute emocionante como diretora em “Identidade” (2021), baseado na novela de mesmo nome da romancista americana Nella Larsen (1891-1964), publicada em 1929. A história de Irene e Clare, negras de pele clara que encaram esse fato de suas vidas de uma forma diametralmente oposta, toca pela singeleza, num filme feito para encantar, pela trama em si, pela fotografia em preto-e-branco, pela trilha sonora inspirada no melhor da música erudita.

Sombrio, violento e perturbador, filme da Netflix vai hipnotizar você por 136 minutos Loris T. Zambelli / Netflix

Sombrio, violento e perturbador, filme da Netflix vai hipnotizar você por 136 minutos

Embora valha-se de um roteiro assertivo, “Rede de Ódio” (2020) mais esconde do que mostra. Talvez um sintoma dos tempos nebulosos em que vivemos, em que a novilíngua contemporânea, à luz do que o escritor britânico George Orwell (1903-1950) expõe em “1984”, publicado em 1949, determina que notícia é detração e imaturidade é experiência.

O suspense da Netflix que mostra que por trás de governos autoritários sempre há um genocídio em potencial

O suspense da Netflix que mostra que por trás de governos autoritários sempre há um genocídio em potencial

Drama histórico espantosamente atual, “A Sombra de Stálin” (2019), joga luz sobre um dos piores crimes do tirano, que governou a União Soviética, como alude seu nome, com mão (e alma) de ferro. Em tempos de mistificação grosseira no jornalismo dito profissional, em que notícias falsas são consideradas uma licença da liberdade de expressão, o filme da diretora polonesa Agnieszka Holland, disponível na coleção da Netflix, lembra que a coragem pode ser a salvação da humanidade — por mais que o medo a paralise.

O filme sombrio, sangrento e engraçado da Netflix apenas para quem tem estômago de ferro Divulgação / Netflix

O filme sombrio, sangrento e engraçado da Netflix apenas para quem tem estômago de ferro

Mistura intencionalmente desequilibrada de alguma comédia com muito sangue, o norueguês “The Trip” vai fundo na proposta de falar do sentimento amoroso de uma maneira no mínimo inusitada. Dirigido por Tommy Wirkola, o suspense expõe as desventuras de Lars (Aksel Hennie) e Lisa (Noomi Rapace), que tentam se matar, mas para tentar resolver uma questão colateral, não por falta de amor. Lançado em 2021 e disponível no acervo da Netflix, “The Trip” se prova um filmaço. Só se precisa ter um pouco de paciência.

O filme que é uma joia rara no catálogo da Netflix e prova que sem música a vida seria um erro Divulgação / Lighthouse Home Entertainment

O filme que é uma joia rara no catálogo da Netflix e prova que sem música a vida seria um erro

Produção cuidadosa, com diálogos estudados e silêncios ainda mais eloquentes, “A Última Nota” (2019) apresenta o embate do pianista Henry Cole (Patrick Stewart) consigo mesmo depois da morte do grande amor de sua vida. A partir da amizade com a jornalista Helen Morrison (Katie Holmes), uma fã incondicional de seu trabalho, Cole, prestes a completar oitenta anos, se dá conta de que ainda tem muito pela frente.