Autor: Eberth Vêncio

Não há mais vagas no céu para crianças que viram estrelinhas

Não há mais vagas no céu para crianças que viram estrelinhas

Caminhamos, sob anseios seculares, singulares, sem saber aonde é que isso tudo vai dar, se no oco vazio do peito ou na dança frenética das jugulares. Que os bons ares me traguem. Preciso, urgentemente, ser fumado. Dúvidas… Que me valham as dúvidas. Por elas, tragado até a guimba, eu sobrevivo, mais aceso do que nunca. Eu digo e repito: Nada disso é real.

Se vai pular o carnaval, não leia este texto

Se vai pular o carnaval, não leia este texto

À parte da embriaguez nauseante, do vapor fumegante da ureia nos becos, da trilha sonora de gosto discutível, das mãos bobas bancando as espertas, o que mais me surpreende nessa folia com doses cavalares é o exagero, a extravagância, o desligamento automático e massivo das massas cinzentas durante os quatro dias de feriadão (no mínimo), como se o país já fosse uma nação.

10 marchinhas de carnaval para cantar e ser preso

10 marchinhas de carnaval para cantar e ser preso

É um exagero. Ninguém vai preso por cantar marchinhas de carnaval com letras politicamente incorretas. Ora, nem pilhando a Petrobrás o sol nascerá quadrado para muitos. Debochar das diferenças — dizem os debochadores — faz parte dos costumes. Ser indiferente também. Há quem não mova uma palha pelo chamado mundo melhor. São os piores seres humanos que conheço.

Vende-se cola para corações partidos

Vende-se cola para corações partidos

O futuro não lhes sorria. Não havia o futuro, estavam convictos. O presente, este sim, escancarava os seus dentes. Decidiram, então, torrar as economias que restavam viajando a esmo. Uma decisão conjunta, desajuizada, desarrazoada, porém, contente.

Para quem já passou pelo desgosto de chorar a morte de um cão

Para quem já passou pelo desgosto de chorar a morte de um cão

Era amor. Era uma dor diferente, assim, de média para grande, se é que me entendem. Para todos os efeitos, a dor firme e forte. Não era a perda de um parente, de um amigo, de um colega de trabalho. Era o fim da velha fidelidade canina, uma coisa difícil de explicar, um sentimento de afeto mais legítimo do que o de algumas pessoas que eu cria fossem confiáveis.