A história do gênio da grande área que quase pôs fim ao reinado de Pelé

A história do gênio da grande área que quase pôs fim ao reinado de Pelé

Pelé: ‘Se o Reinaldo fosse fisicamente perfeito, poderia bem ser capaz de me relegar ao segundo plano’

“Rei, Rei, Rei, Reinaldo é nosso Rei.” Era assim que os torcedores do Atlético Mineiro saudavam seu principal craque. O centroavante também brilhou na Seleção Brasileira. Era o Neymar de seu tempo, mas, caçado pelos zagueiros e beques, teve sua carreira abreviada (parou aos 31 anos). O livro “Punho Cerrado — A História do Rei” (Letramento, 307 páginas), de Philipe van R. Lima, filho do atacante, poderia ter se tornado uma hagiografia, contando as coisas boas e escondendo as ruins, mas o autor relata tudo (ou quase) — inclusive o vício em cocaína. Não é uma biografia tão perfeita quanto a que Ruy Castro escreveu de Garrincha, mas lança as bases para uma história mais ampla e nuançada. Ainda assim, o livro é muito bom.

José Reinaldo de Lima era um atacante diferenciado. Há centroavantes trombadores, ao estilo de Dario, o Dadá Maravilha, que fazem muito gols, e há centroavantes habilidosos, mas nem sempre goleadores. Reinaldo não era trombador, driblava como poucos e fazia muitos gols, às vezes gols de uma beleza incomparável. Sou santista, por causa de Pelé, mas em Minas sempre torci para o Reinaldo Futebol Clube, quer dizer, o Atlético Mineiro. Lia a revista “Placar” em busca de informações sobre o jogador. A Rádio Globo, uma de minhas principais fontes de informação na época, destacava mais o futebol carioca — tanto que eu tenho paixonite pelo Fluminense.

Punho Cerrado — A História do Rei
Punho Cerrado — A História do Rei (Letramento, 307 páginas), de Philipe van R. Lima

Aos 10 anos, quando era chamado de Zé e Caburé, Reinaldo desequilibrava partidas e encantava as torcidas. Certa vez, jogando como goleiro, driblou o time adversário inteiro e fez gol. Aí um padre disse: “Gol de goleiro não vale!”. Em 1971, com 14 anos, já jogava “no time principal do Pontenovense”. O técnico “deixava Reinaldo no banco até os grandes se cansarem. Quando isso acontecia, o menino entrava em campo e acabava com a partida, marcando sempre muitos gols”.

Barbatana, técnico do juvenil do Atlético, ouviu que havia um cracaço em Ponte Nova e levou-o para Belo Horizonte. Aos 14 anos, deveria jogar no dente de leite, mas decidiram colocá-lo no juvenil. Telê Santana pôs o menino para treinar com o time principal. Abusado, o garoto driblava todo mundo, desmoralizando jogadores consagrados como Grapete e Vantuir. Dario teve de acalmá-los, pois chegaram a agredir o jovenzinho.

Telê Santana e Barbatana ficaram de queixo caído com a habilidade e a coragem de Reinaldo. Mais do que depressa, com receio de perder o jogador para o Botafogo — onde jogava um irmão do adolescente —, o Atlético providenciou um contrato para aquele que, diziam, era “o novo Pelé”. O clu­be começou a bancá-lo pa­ra jogos do dente de leite e do juvenil.

O jornalista Ronan Ramos, da TV Itacolomi, convidou o escritor Roberto Drummond para comentar jogos. O cronista notável logo encantou-se com o futebol de Reinaldo, que se tornou “o maior personagem de suas crônicas”. Mais do que “um tema”, o craque era “uma bandeira” para o, digamos, Mário (Rodrigues) Filho de Belo Horizonte.

Num dos jogos do dente de leite, Reinaldo driblou o time inteiro e entrou “no gol com bola e tudo” (segundo o próprio). Sua técnica era irrepreensível e só podia ser parado pela força. Quando conseguiam, é claro.

O médico Fábio Fonseca dava uma nota de cem cruzeiros sempre que Reinaldo fazia um gol, isto é, sempre. Mesmo quando se tornou profissional, o diretor do Atlético continuou gratificando-o.

Segredos do gênio

Reinaldo em dois tempos: na Seleção Brasileira, na qual teve poucas chances (mas jogou bem), e no Atlético Mineiro, no qual o centroavante conquistou tanto os mineiros quanto todos os brasileiros de seu tempo

Em 1972, quando jogava no dente de leite, teve sua primeira contusão séria. O médico do Atlético, Abdo Arges, diagnosticou “calcificação no tornozelo” e recomendou cirurgia.

Reinaldo: um dos maiores centroavantes da história do futebol

Em seguida, Reinaldo migrou para o infanto-juvenil, tornando-se artilheiro do campeonato de 1972, com 38 gols. Estreou no Mineirão e não tremeu. “Ele não esquentava a cabeça, era de uma frieza impressionante com a bola no pé”, diz Toninho Cerezo, parceiro de Atlético.

Reinaldo dificilmente perdia a bola para os adversários. O biógrafo revela o segredo: “Quando o marcador se aproximava para o bote, ele jogava no pé de apoio do adversário e fazia o drible. Sabia exatamente a hora em que o jogador ia levantar o pé e jogava no pé de apoio dele. Driblava com os dois pés e conseguia matar a bola no peito com perfeição após um lançamento”. “Ele sabia o tempo do adversário. Tinha uma facilidade pra finalizar fantástica. Além da cavadinha por cima”, afirma Toninho Cerezo. Era um autêntico mágico em campo e há histórias de que alguns jogadores adversários gostavam de ficar observando seu baile. Ficavam, por assim dizer, mesmerizados.

No fim de 1972, já estava jogando no juvenil. O técnico do Atlé­tico convocou-o para jogar no time principal na disputa da Taça Minas Gerais de 1973. Ele tinha 16 anos. Barbatana desaconselhou, mas não adiantou. O garoto sofreu uma contusão grave, “que viria a lhe causar problemas por toda a vida”.

Dario disse que, ao ver Reinaldo jogar, apressou-se a pedir à diretoria que o vendesse para o Flamengo. Não queria, no futuro, ficar na reserva.

Reinaldo jogou pela primeira vez como profissional em 28 de janeiro de 1973; o Atlético perdeu para o Valério por 2 a 1. No jogo seguinte, no empate de 2 a 2 com a Caldense, Reinaldo fez seu primeiro gol pelo time profissional. O zagueiro Buzuca, um gigante, bateu sem dó no garoto de 16 anos — chegando a acertá-lo com socos e pontapés.

Toninho Cerezo diz que Reinaldo “era veloz, forte e finalizava de pé direito, esquerdo, adorava dar uma caneta. Se o cara lhe dava um carrinho, ele dava um chapéu, pensava antes no adversário, tinha um raciocínio incrível e com uma calma incrível, um espetáculo de jogador”.

O primeiro parceiro de Reinaldo no ataque era Marcelo Oliveira. Em 1974, Cerezo, de volta ao Atlético, “lançava e Reinaldo fazia os gols”. “Eu sabia exatamente onde queria a bola. Quando ele pedia na frente, na verdade queria nas costas, e vice-versa, e eu só enfiava a bola e adeus viola. Quando ele arrancava tinha uma velocidade que era a coisa mais linda. Depois que ele tomava a frente já era, só paravam na porrada”, assinala Cerezo. Reinaldo era um driblador excepcional, mas tinha a objetividade de Messi — daí ter feito tantos gols.

No time profissional, o adversário de Reinaldo era o centroavante Campos. Como Rei era muito novo, o técnico não quis escalá-lo como titular, optando por Campos, mais experiente. O Cruzeiro acabou campeão.

Baby-craque

Quando Reinaldo saía do banco, fazia o aquecimento e entrava em campo, a torcida vibrava. Em setembro de 1973, num jogo contra o Flamengo, sua fama espalhou-se pelo País. O Atlético ganhava de 1 a 0, mas o time carioca pressionava. O relato do biógrafo: no segundo tempo, “Reinaldo recebeu uma bola na entrada da área e, com um drible curto de perna esquerda, passou pelo seu marcador, Chiquinho, ficando de frente para o goleiro Renato, que deu um carrinho, tentando evitar a finalização. Mas Reinaldo foi mais rápido e deu um chute certeiro no ângulo direito, um golaço que impressionou a todos — especialmente ao jovem camisa 10 do Flamengo, Zico”. O craque do Flamengo acreditou, ali, que estava diante do “substituto de Pelé”.

Reinaldo: início da década de 1970

Roberto Drummond escreveu, na época, que, “para o baby-craque Reinaldo fazer um gol bastavam dois palmos de grama, o suficiente para passar a bola”.

Depois do Fla, Reinaldo enfrentou o Santos de Pelé. O jogo terminou em zero a zero. O Rei respeitou o Príncipe e o Príncipe respeitou o Rei. A bola, súdita fiel aos dois aristocratas do futebol, não quis visitar a rede, uma plebeia.

Em 26 de setembro de 1973, o Atlético derrotou o Vitória, em Salvador, mas perdeu Reinaldo, que “sofreu uma grave torção no tornozelo esquerdo após pisar em buraco no gramado”. Teve de operá-lo. Quando não eram os zagueiros-castigadores, eram os campos que maltratavam o craque que parecia flutuar em campo, tal a leveza de seu futebol-arte.

Em 1974, Reinaldo sofre a contusão mais grave de sua carreira: lesionou, pela primeira vez, o menisco. No jogo, contra o Ceará, fez gol e estava jogando bem. Mas, ao sofrer um “tranco do zagueiro”, a “trava da chuteira ficou presa no gramado, fazendo uma alavanca no joelho”, relata o golden boy. “Após a cirurgia em que foi retirado o menisco interno, iniciou-se um longo e doloroso processo de recuperação. Naquele tempo não existia fisioterapia, apenas um procedimento que envolvia toalha quente e forno de Bier”, informa o biógrafo. “O joelho teve um derrame. Em vez de ser tratado com o descanso da musculatura, Reinaldo foi conduzido de volta aos treinos.” O joelho ficava sempre inchado. Começou a fazer acupuntura, mas o médico proibiu.

Em seguida, dadas as dores, Reinaldo, de 17 anos, passou por uma segunda cirurgia. “O menisco é uma cartilagem que amortece o impacto do joelho. Quando retirado, a dor é amenizada, mas o joelho fica sobrecarregado. Para um jogador de futebol, que depende muito dos joelhos, essa intervenção traria grandes prejuízos imensuráveis”, anota Philipe Lima.

Em 1975, o médico Neylor Lasmar troca o Cruzeiro pelo Atlético. “Com o grande número de infiltrações às quais Reinaldo fora submetido ao longo dos anos, a membrana sinovial em volta do joelho sofreu muita agressão, desenvolvendo uma inflamação crônica.” Atualizado, Neylor Lasmar tratou Reinaldo cuidadosamente, contribuindo, inclusive, para o fortalecimento de sua musculatura e impedindo que entrasse em campo sem estar em condições ideais.

Recuperado, Reinaldo fez os dois gols da vitória sobre o Guarani pelo Campeonato Brasileiro. Mas em 1975 jogou menos do que todos esperavam.

A hora do Rei

Em 1976, Reinaldo finalmente deixou de ser príncipe e se tornou Rei. “Soberano da nação atlética”, começou a ser celebrado pelo País. Nesse ano, os torcedores do Atlético começaram a entoar no Mineirão: “Rei, rei, rei, Reinaldo é nosso Rei”. Tudo começou com uma jogada de gênio, que nem resultou em gol. Surgiram os “reinaldistas”. “As pessoas iam ao estádio para vê-lo jogar, mesmo os torcedores de outros clubes.” “Quando 80 mil pessoas gritavam ‘Rei, rei, rei, Reinaldo é nosso Rei’, até o adversário se curvava. Era um espetáculo”, relata Paulo Isidoro, craque do Atlético. “Naquela época, o Atlético jogava quase sempre para um estádio lotado com mais de 50 mil pessoas”, frisa o biógrafo.

Reinaldo: o maior artilheiro da história do Atlético Mineiro com 255 gols

No Campeonato Mineiro de 1976, Reinaldo marcou 15 gols no primeiro turno, consagrando-se como artilheiro. Num jogo contra o América, o zagueiro deu um chute violento no craque. O atacante ficou fora dos campos durante um mês.

Numa excursão internacional, na África e na Europa, Reinaldo brilhou.

Na volta, começou a disputa do Campeonato Brasileiro. Em 1976, a partir de outubro, começou o show de Reinaldo. Contra o Atlético Paranaense, no Mineirão, o Atlético Mineiro fez cinco gols, três de Reinaldo. Mas ele se machucou, agora sem o esforço dos zagueiros. Disputava então a artilharia com Dario e Zico. Ele não jogou mais em 1976.

Novamente operado, agora para a retirada dos meniscos do joelho direito. “A partir daí, o craque jogaria toda a sua carreira sem os meniscos dos dois joelhos. Essa foi sua terceira cirurgia em apenas três anos de vida profissional.”

No final de janeiro, jogou pelo Atlético contra a seleção da Bulgária, fez um gol e jogou bem. Mas não estava recuperado da contusão.

Jogando no exterior, contra a seleção do Catar, treinada por Zagallo e Carlos Alberto Parreira, Reinaldo fez gols nos dois jogos e encantou o país. Danival, Marcelo e Reinaldo quase se tornaram xeiques.

Reinaldo revela uma de suas artes: “Quando eu recebia a bola, os zagueiros já chegavam batendo na minha panturrilha, nem olhavam a bola. Então, comecei a pedir que tocassem a bola bem forte, e se percebesse que o zagueiro tinha chegado para me atingir, eu abria a perna, deixando a bola passar e pegando ela do outro lado. O Mineirão vinha abaixo. Se o zagueiro não viesse, eu, como tinha um bom domínio, pegava a bola e já partia para cima”.

Certa feita, o zagueiro Luiz Carlos Beleza ficou enfeitiçado por um golaço contra seu time, o Mixto, e decidiu comemorar abraçando Reinaldo. “A torcida do Mixto não sabia se ria, se chorava ou se linchava o Luiz Carlos, mas acabou aplaudindo a atitude dele. A beleza do esporte estava acima de tudo”, relembra Reinaldo. Heleno e Cerezo viram zagueiros aplaudindo os gols e jogadas do centroavante.

O Atlético foi campeão invicto do Campeonato Mineiro de 1976, derrotando o arquirrival Cruzeiro duas vezes, com passeios de Reinaldo e Marcelo. Reinaldo entortava os zagueiros que, como o implacável Moraes, chegavam a se contundir. O técnico da Seleção Brasileira, Cláudio Coutinho, parabenizou o Rei do Mineirão e inquiriu-o “sobre suas condições físicas”. Ao final do campeonato, estava muito machucado. “Minha missão é fazer gols e levar pontapés”, reagia, com bom humor, o craque da camisa 9. Ele chegou a aprender caratê para se defender de feras como Darci Menezes e Moraes.

No campeonato de 1977, Reinaldo começou a ser caçado em campo pelos zagueiros e jogadores de outras posições. Se brincasse, até o gandula batia no artilheiro do Atlético. Num jogo contra o Cruzeiro, que terminou em 0 a 0, Moraes chutou a canela de Reinaldo, provocando um corte de oito centímetros. O árbitro Arnaldo Cézar Coelho — hoje, comentarista de arbitragem da TV Globo — impediu a entrada em campo do médico Neylor Lasmar, “ainda que o craque estivesse se contorcendo de dor”.

Antes do término do campeonato, o Atlético fez jogos na Europa. A imprensa da Espanha elogiou o futebol fulgurante, espécie de balé na grama, de Reinaldo. Em Portugal, um jogador do Porto machucou o artilheiro.

Frei Betto

Reinaldo era de esquerda num tempo em que era mais “seguro” ser de direita. A ditadura não perdoava nem a esquerda dita democrática — a que não aceitava a luta armada. Em 1976, dada um grave contusão num joelho, o jogador ficou fora dos gramados e começou a ler vários livros indicados pelo juiz Antônio Carlos Christo e por seus filhos, Leonardo e Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto. Eram vizinhos.

Frei Betto fez a cabeça de Reinaldo no sentido de se preocupar com os problemas do País (como a desigualdade social) e a defender sua redemocratização. O psicólogo Leonardo Christo afirma que o jogador era inteligente e não pensava só em farra.

Em 1977, mudou a forma de comemorar seus gols — com o braço direito levantado, a mão fechada e o braço esquerdo nas costas. O biógrafo afiança que Reinaldo “estava mais interessado em utilizar o punho cerrado como uma alusão socialista, que representasse a sua insatisfação e causasse um mal-estar na ditadura militar”.

“A inspiração surgiu de um dos atacantes que ele mais admirava, o alemão Gerd Müller, artilheiro da Copa do Mundo de 1974. O goleador europeu comemorava seus gols com um dos braços para trás do corpo e levantando o outro, com a mão aberta. O ídolo atleticano achou o gesto forte, exatamente o que procurava e que entendia que deveria ser a comemoração de um gol”, conta Philipe Lima. “Mas, além do gesto de Müller, a verdadeira inspiração veio dos dois atletas negros norte-americanos, Tommie Smith e John Carlos, ouro e bronze nos 200 metros rasos nas Olimpíadas de 1968.” No pódio, “os atletas levantaram seus braços com os punhos fechados e as mãos cobertas por luvas negras, em protesto contra a segregação racial e em apoio aos movimentos negros de seu país. Era a saudação Black Power dos Panteras Negras.”

Aos 20 anos, aproximando-se de Chico Buarque, Toquinho, Fagner, Djavan e João Nogueira, o Drummond de Andrade da bola começou a se interessar pelas questões nacionais.

Seleção Brasileira

Em 1977, Reinaldo, Toninho Cerezo, Marcelo Oliveira e Paulo Izidoro, do Atlético, foram convocados para a Seleção Brasileira pelo técnico Cláudio Coutinho. O time mineiro era, segundo Roberto Drummond, o “mais criativo” e “mais ousado” do País. Nos dois primeiros jogos, Reinaldo ficou no banco e a seleção só empatou. No terceiro, pressionado pela imprensa e pelos torcedores, o treinador colocou-o em campo. O escrete canarinho ganhou e Reinaldo fez um belo gol. O relato do jogador: “Cerezo lançou a bola para mim e, sem me virar para receber, eu a dominei no peito, esperei a bola quicar e, ao sentir o zagueiro se aproximar, dei um chapéu com a perna direita jogando a bola no contrapasso dele, deixei que ele passasse e bati com a perna esquerda”.

Reinaldo, em 1978

O presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), o almirante Heleno Nunes, era vascaíno e preferia Roberto Dinamite como centroavante. O jogador do Vasco, símbolo do futebol-força, se tornou titular. No jogo contra a França, o time não jogou bem e empatou em 2 a 2.

Em seguida, o Atlético jogou contra a seleção da França e ganhou por 3 a 1, com “grande exibição de Reinaldo”, que fez um gol.

No Campeonato Brasileiro de 1977, Reinaldo brilhou, “só não marcou gol em dois dos 18 jogos disputados”. Ele fez 28 gols (média de 1,55 gols por partida). A Imprensa notava que “a criatividade do craque parecia ilimitada”. Apesar do show dos mineiros, o São Paulo foi campeão. Os cronistas esportivos escolheram o atacante como “o craque do ano e o melhor ponta de lança do campeonato”.

Reinaldo era mascarado e não gostava de treinar? Nada disso. O biógrafo conta que o jogador era devotado aos treinos e apreciava observar como treinavam e jogavam os times adversários.

Copa da Argentina

Em 1978 era Deus no Céu, Lúcifer no Inferno e Reinaldo na Seleção. O país clamava, quase de joelhos, para que os anjos infiltrassem-se no joelhos do craque e contribuíssem para que saísse da Copa da Argentina como o novo Pelé.

Coutinho, ao isolá-lo no ataque — apesar da parceria com Rivellino e Zico —, contribuía para reduzir parte de seu brilho. Mas o técnico dizia: “Reinaldo será o titular na Copa do Mundo de 1978”. Mas um joelho voltava a atrapalhar o artilheiro. Às vezes, escondia que estava sentindo dores. “Passei a treinar sempre de calça de agasalho para que ninguém visse o inchaço no meu joelho.”

Reinaldo deixando no chão o zagueiro Antonio Cabrini, da Itália

A imprensa de São Paulo e Rio de Janeiro — que faz a cabeça da imprensa dos demais Estados — começou a publicar que ele não tinha condições de ser titular. Pressionada pelo técnico, “a CBD comprou o Nautillus, um aparelho que ajudaria no fortalecimento dos músculos da perna de Reinaldo, acelerando sua recuperação. Coutinho torcia muito pela recuperação de Reinaldo e prestigiava o craque: ‘Reinaldo será o titular nem que tenha que entrar apenas 30 minutos por partida”.

Em março de 1978, o jornal “O Movimento” publicou: “Reinaldo, bom de bola e bom de cuca: o goleador do Atlético é o artilheiro do campeonato nacional e diz que o povo sabe votar e defende a Constituinte”. O craque defendeu anistia para presos e exilados políticos. Em seguida, o presidente da CBD (e da Arena no Rio de Janeiro), Heleno Nunes, deu o recado da ditadura: “Reinaldo não possui as condições físicas exigidas para uma competição de alto nível”. Depois, talvez devido à influência do ministro da Agricultura, Alysson Paulinelli, que era vizinho do craque, recuou: “Reinaldo é um gênio, ele é imprescindível à seleção”.

Porém, mesmo não estando em excelente forma — os zagueiros e, às vezes, os campos não deixavam —, Reinaldo jogava bem pela seleção. Em maio de 1978, contra o Peru, entrou aos 13 minutos do segundo tempo e marcou dois gols. Rivellino vibrou: “Gostei da entrada de Reinaldo, que está mostrando porque foi convocado. É um grande jogador. Tem tudo para ser o titular na Argentina”. Zico também o defendeu.

Contra a Tchecoslováquia, Reinaldo voltou ao time titular. O Brasil venceu por 2 a 0 e o artilheiro fez um gol. Ainda não era jogo da Copa.

O ministro da Educação, Ney Braga, apresentou Reinaldo ao presidente Ernesto Geisel, no Rio Grande do Sul. O general disse: “Então é esse o menino?” O atacante recorda o encontro: “O general disse que eu jogava muito bem, mas que eu não deveria falar de política porque disso eles cuidavam. Tudo isso em um tom imperativo e firme: estava me dando um recado. Fiquei assustado e não respondi nada”.

Na estreia da Copa do Mundo, o Brasil empatou com a Suécia, com um gol de Reinaldo. Contrariando a recomendação, comemorou com o punho cerrado.

Depois de um segundo empate, com a Espanha, Heleno Nunes barrou Reinaldo, Zico e Edinho. O almirante escalou Roberto Dinamite para o lugar do atacante rebelde.

Na verdade, o esquema tático de Cláudio Coutinho não funcionava, pois “as bolas não chegavam a Reinaldo, isolado no ataque”. O joelho esquerdo do atacante estava periclitante. Só voltou a jogar na disputa pelo terceiro lugar. Ele só jogou três partidas e, assim, não pôde brilhar. A Seleção Brasileira ficou em terceiro lugar, e invicta. A Argentina de Mario Kempes sagrou-se campeã.

Depois da Copa, Reinaldo foi para os Estados Unidos, onde teve o joelho esquerdo operado pelo médico James Nicholas, do Hospital Lennox Hill, em Nova York. O especialista constatou “que o grande problema do joelho esquerdo de Rei era uma rótula muito grande que causa atrito dos dois lados, a verdadeira origem das dores e derrames no joelho”.

Reinaldo voltou a jogar bem, dado seu imenso talento, mas não com a mesma desenvoltura e velocidade de antes. Tinha dificuldade para flexionar a perna esquerda.

Na fase de recuperação da cirurgia do joelho esquerdo, Reinaldo voltou a ler muito, sobretudo livros de psicologia e parapsicologia. Aproximou-se do parapsicólogo Paul Louis Loussac (dizia que era extraterreste), que prometeu ajudá-lo a se recuperar com energização.

Reinaldo tornou-se amigo da cantora Elis Regina. “Ela entendia tudo de futebol e, em Minas, passou a torcer pelo Atlético por causa do Rei.”

A cantora levou Reinaldo para fazer uma cirurgia espiritual com o médium Leocádio, em Curitiba. Como ele estava se recuperando, o Atlético não o liberaria para a viagem. Então, com o apoio do amigo Tutti Maravilha (apesar da fofoca, os dois não tinham um caso), o jogador escapou para a capital paranaense.

A cirurgia durou 20 minutos, consistindo de uma reza, Reinaldo continuou jogando com qualidade, mas sem a constância e o brilho intenso de outrora. Sobrou a amizade com Elis Regina. A cantora ligava diariamente para o jogador.

No retorno aos campos, Reinaldo, com seus dribles curtos e tabelas inteligentes, marcou gols e empolgou a torcida. O próximo jogo seria um amistoso com o Santos. Mas, durante o treinamento, o atacante “sofreu uma grave distensão. O músculo da coxa direita se rompeu, formando uma depressão que, de tão grande, comportava a mão de uma pessoa”. Mesmo assim, depois de ter feito uma infiltração, decidiu jogar. Nelinho, craque do Cruzeiro e da Seleção, estava lá para aplaudi-lo.

Durante o jogo, lançaram a bola na área do Santos, e “Reinaldo se enfiou por entre os defensores, aparou a bola com o peito, colocou a bola em posição de chute e, de frente para o goleiro Vitor, deu um toque sutil com o pé esquerdo, eliminando qualquer chance de defesa”. O estádio explodiu em gritos de “Rei, rei, rei, Reinaldo é nosso Rei”. O Atlético perdeu por 2 a 1. Mas Reinaldo vencera: estava apto a jogar.

Em 1979, Reinaldo contribui para o Atlético ganhar o bicampeonato mineiro. Em campo, deu show e fez gols — dois deles contra o Cruzeiro. Já se pensava numa seleção com Reinaldo, Zico e Sócrates.

Reinaldo e Sócrates se encontraram em São Paulo, no apartamento do segundo. “Vi Sócrates jogando contra a Bolívia, é um gênio. Um cara de grande caráter.” O Doutor devolveu o elogio: “Poxa, te admiro muito. Gostaria de jogar ao seu lado, vai ser muito bom”.

O técnico da seleção, Coutinho, repetia que Reinaldo era “um gênio”. Mas as contusões continuaram afastando-o da seleção.

Em 1980, o Galo dava espetáculo no Campeonato Brasileiro. Na final, contra o Flamengo, o Atlético ganhou o primeiro jogo, com gol de Reinaldo, depois de uma jogada com Palhinha. Porém, no Maracanã, com 154.355 pagantes — o biógrafo sugere que 200 mil pessoas estavam no estádio —, com uma arbitragem estranhíssima, o Flamengo acabou ganhando o jogo e o título. Reinaldo, autor de um gol, jogou muito bem. Cerezo deu um passe e Reinaldo “ameaçou ir na bola, mas deixou-a passar, para em seguida dominá-la com a perna direita. Esse movimento deixou três zagueiros para trás. Rei cortou mais um e chutou. A bola resvalou no zagueiro Manguito e entrou no canto direito do goleiro”. O atacante sofreu uma “distensão violenta na parte posterior da coxa”.

Como o Atlético não podia mais fazer substituições, Reinaldo ficou em campo, praticamente arrastando-se. E acabou fazendo outro gol. Quase um milagre… o do talento.

Pela Libertadores, Flamengo e Atlético jogaram no Estádio Serra Dourada, em Goiânia. O árbitro, José Roberto Wright, chegou no mesmo avião do time do Flamengo e hospedou-se no mesmo hotel. Ele era carioca. Num jogo catimbado, de ambas as partes, Reinaldo fez uma falta em Zico, sem nenhuma gravidade, e acabou expulso. Não tinha recebido nem cartão amarelo. Éder, Chicão, Palhinha e João Leite foram expulsos. A partida foi interrompida, sob vaias de 50 mil torcedores. A “Folha de Goiaz” publicou: “Wright bagunçou”. O Flamengo foi campeão da Libertadores em 1981.

Em 1982, o Galo participou do Torneio de Paris e goleou o Paris Saint-Germain, atual clube de Neymar, com show de Reinaldo, que fez um gol. Repórteres franceses perguntaram-lhe o motivo de não ter participado da Copa de 82. Ele não soube responder. Curiosamente, antes da Copa Telê Santana o convocara e chegou a dizer: “O Reinaldo é a reunião de tudo o que se pode querer num centroavante: técnica, inteligência, chute, cabeceio, drible. É o centroavante mais perigoso que já vi. Vou convocá-lo sempre que estiver em forma”. Pelé corroborava: “Olha, até nisso eu dei sorte. Se o Reinaldo fosse fisicamente perfeito, poderia bem ser capaz de me relegar ao segundo plano”. Mas Telê Santana optou por convocar Roberto Dinamite, espécie de Dario do Vasco, desconsiderando o atestado do médico Neylor Lasmar de que “Reinaldo tinha plenas condições de disputar a Copa”.

Paris Saint-Germain tentou contratar Reinaldo

Campeão do Torneio de Paris, em 1982 — com Reinaldo brilhando e iluminando a Cidade Luz —, os franceses viram o Atlético como uma espécie de seleção não oficial. Um gol do atacante levou a torcida do Paris Saint-Germain a aplaudi-lo de pé.

Encantados com o futebol mágico de Reinaldo, os dirigentes do Paris Saint-Germain decidiram contratá-lo. Num encontro com o pessoal de Belo Horizonte, “o presidente do clube francês chegou determinado: colocou duas malas em cima da mesa, uma com 1 milhão de dólares para Reinaldo e outra com 1 milhão de dólares para o Atlético. Esse valor era uma grande fortuna na época. O presidente do Galo, Elias Kalil, vetou o negócio.

“Quando 80 mil pessoas gritavam ‘Rei, rei, rei, Reinaldo é nosso Rei’, até o adversário se curvava”

Como Reinaldo era um ás do drible, há quem pense no atleticano como um jogador pouco eficiente em termos de gols. Na verdade, era eficientíssimo. Foi o maior artilheiro do Atlético (255 gols), “o maior artilheiro do clássico Atlético e Cruzeiro no Mineirão” (15 gols) e o “maior artilheiro do estádio Mineirão” (157 gols).

Casado, Reinaldo teve dois filhos, Daniel e Philipe Lima. O autor do livro nasceu em 1984.

No chamado “Segundo Reinado”, sem condições de enfrentar os zagueiros-batedores, Reinaldo “voltava para buscar a bola e armar as jogadas na intermediária. O drible deixou de ser a marca principal do artilheiro, mas as assistências para os companheiros tornaram-se mais comuns”.

Em 1984, convocado pelos técnicos Edu Antunes e Evaristo de Macedo, Reinaldo voltou à Seleção. Telê Santana reassumiu e não convocou o atleticano.

As relações entre Reinaldo e o Atlético não eram boas em 1985. O casamento de 14 anos acabou e o craque foi contratado pelo Palmeiras, no qual não obteve sucesso.

A história de Reinaldo com a cocaína

A prova de que o livro de Philipe Lima não é uma hagiografia reside no fato de que conta a história do pai como viciado em cocaína. Em crise, dentro do campo e no casamento, Reinaldo “passou a consumir cocaína todos os dias e começou a levar uma vida boêmia, sempre na noite em busca de drogas”.

Tentando escapar das drogas, e dos amigos que contribuíam com seu vício, aceitou jogar no Rio Negro, de Manaus. Mas quebrou um dedo do pé direito, num treinamento, e ficou parado por algum tempo. Jogou quatro partidas, fez dois gols e deixou o time do Amazonas. Aos 29 anos, havia decidido a encerrar a carreira. “Não suportava mais as dores e as constantes lesões.”

O Cruzeiro decidiu, porém, contratá-lo — o que era uma afronta para a torcida do Atlético. “Quando eu fui para lá, não tinha mais condições físicas. O presidente Benito Masci me chamou, eu falei ‘então vamos tentar’”, diz Reinaldo.

Ao sair na capa da revista “Placar” com a camisa do Cruzeiro, o arquirrival de seu clube do coração, os torcedores do Atlético ficaram em pé de guerra, desapontados. Era como se Deus tivesse traído a nação atleticana.

Reinaldo estreou pela Cruzeiro em setembro de 1986, no Campeonato Brasileiro, contra o Rio Branco (ES). A torcida era gigante (consta que parte era atleticana): 32.828 pagantes. Não fez uma grande partida. Jogou mais uma vez e decidiu parar.

Separado da mulher, Jeanine, voltou a usar cocaína. Para sobreviver, aceitou um convite de Johan Cruijff, técnico do Ajax, para fazer um estágio na Holanda. Chegou a treinar no Telstar, time auxiliar do Ajax, e fez sucesso. “Os holandeses ficaram tão entusiasmados que começaram a insistir para que voltasse a jogar.” Ele aceitou e até ganhou um automóvel Volvo. Mas o inverno rigoroso abreviou sua carreira europeia.

Na volta ao Brasil, passou a treinar a equipe juvenil do Atlético. Não deu certo. Retomou o uso de cocaína.

Reinaldo é eleito deputado estadual por Minas

Candidato a deputado estadual pelo PT, em 1989, Reinaldo conquistou o apoio de Djavan — que compôs seu jingle —, João Bosco e Chico Buarque. Eleito, trocou o partido pelo PDT de Leonel Brizola. Em 1994, não foi reeleito e voltou a usar drogas.

Em 1996, a polícia tentou implicá-lo como traficante de cocaína — era apenas usuário. O psicólogo Leonardo Christo, irmão de Frei Betto, convenceu-o a participar de reuniões do Santo Daime. O ex-jogador tomou o chá de Ayahuasca e, aos poucos, deixou a cocaína.

O promotor Francisco José Lins do Rego pediu a absolvição de Reinaldo. Ele “constatou que Rei era um refém das drogas e dos falsos amigos que traficavam”. Mesmo assim, a Justiça o condenou “a quatro anos de prisão por tráfico de drogas, sem o direito de recorrer em liberdade”. O jornalista Armando Nogueira, numa crônica publicada em “O Globo”, escreveu: “Reinaldo agora é vítima de zagueiros que usam paletó e gravata. (…) A cocaína foi um meio que Reinaldo encontrou para dar um pouco de graça à sua existência. Colocá-lo atrás das grades é dizer, através de uma sentença, que ele não merece uma chance”.

Em crise e desesperado, Reinaldo foi internado numa clínica. O Tribunal de Justiça deu-lhe um habeas corpus e ele não foi para a cadeia. Em seguida, “Reinaldo foi absolvido por unanimidade pela Justiça”.

Convidado por Vitório Medioli, dono do jornal “O Tempo”, Reinaldo tornou-se cronista esportivo e venceu a luta contra as drogas. Ele teve mais duas filhas, Nina e Maria Vitória.

Reinaldo foi eleito vereador duas vezes em Belo Horizonte e formou-se em Jornalismo em 2007. Tornou-se um expert em análise de futebol. O futebol de Ronaldinho Gaúcho encantou-o.

Philipe Lima diz que “o título que Reinaldo desejava foi conquistado: a felicidade”.

O excelente livro de Philipe Lima contém prefácio de Chico Pinheiro, crônicas de Roberto Drummond — autor dos melhores textos sobre Reinaldo — e artigos de Nuno Ramos (“quem torcia por Reinaldo torcia pela fluência, pela facilidade, pelo modo desobstruído de vencer os zagueiros”), Fred Melo Paiva (“atleticano não gosta de futebol. Gosta de Atlético”), Idelber Avelar (“eram características de Reinaldo a inteligência genial para antever a jogada, o absurdo talento para driblar de forma seca, dentro do espaço de um guardanapo, a batida fulminante com qualquer uma das pernas, o cabeceio certeiro, apesar da baixa estatura, o senso de colocação impressionante, a arrancada implacável e a concisão na genialidade”), entre outros.

No início da década de 1980, assisti um jogo de Reinaldo pela Seleção Brasileira, no Estádio Serra Dourada, em Goiânia. Ele fez um gol e jogou belamente. Era de uma elegância ímpar em campo. Bailava e fazia os adversários bailar.

Há quem acredite, e estou entre os crentes, que, em termos de futebol pelo menos, a Monarquia só foi abolida no Brasil depois que Reinaldo parou de jogar. O rei anterior — Pelé — havia abdicado e passado o cetro para o novo rei, Reinaldo. Como o britânico, Neymar é um príncipe à espera de consagração.

Reinaldo provou que Minas existe e não é mero retrato na parede. Nascido em 11 de janeiro de 1957, Reinaldo tem 61 anos.

O que grandes jogadores disseram de Reinaldo

Reinaldo

Pelé: “Olha, até nisso eu dei sorte. Se o Reinaldo fosse fisicamente perfeito, poderia bem ser capaz de me relegar ao segundo plano”.

Zico: “Reinaldo foi um jogador maravilhoso. Eu sempre digo que seria o jogador que mais se aproximaria de Pelé se não fossem tantos problemas de joelhos e cirurgias”.

Tostão: “Posso afirmar, sem bairrismo, que Reinaldo foi um dos maiores centroavantes do Brasil e do mundo em todos os tempos”.

Romário: “Eu ia a o campo só pra ver o Reinaldo jogar. Nunca tive um ídolo na minha vida, mas eu me espelhei no Reinaldo”.

Paulo Izidoro: “Quando 80 mil pessoas gritavam ‘Rei, rei, rei, Reinaldo é nosso Rei’, até o adversário se curvava, era um espetáculo”.

Geraldo Márcio: “Se Deus um dia quis brincar de centroavante, ele encarnou no Reinaldo”.

 

Euler de França Belém é editor do Jornal Opção.
Email: eulerdefrancabelem@gmail.com