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Se a ideia é rir sem compromisso, essa comédia com Owen Wilson na Netflix merece a chance Divulgação / Paramount Pictures.

Se a ideia é rir sem compromisso, essa comédia com Owen Wilson na Netflix merece a chance

Steven Brill dirige “Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor” com Owen Wilson, Troy Gentile, Nate Hartley e David Dorfman numa comédia que parte de uma situação mais amarga do que seu tom de molecagem faz supor. Ryan, Wade e Emmit chegam ao ensino médio e, logo no primeiro dia, viram alvo de Filkins e Ronnie, dois garotos que ocupam corredores, pátios e humilhações como se a escola inteira estivesse sob seu comando. Sem encontrar proteção suficiente entre professores e funcionários, os três publicam um anúncio em busca de um guarda-costas e acabam nas mãos de Drillbit Taylor, homem que posa de especialista em segurança embora viva de fraude e improviso. A ideia de partida é boa porque já nasce defeituosa.

Brill acerta ao tratar a escola menos como cenário de travessura do que como lugar de intimidação contínua. Filkins não aparece como simples caricatura de valentão, mas como presença física e pública, alguém que expõe, persegue e aperta os meninos diante de todos, enquanto a instituição parece incapaz de lhes oferecer qualquer abrigo minimamente estável. Quando Ryan, Wade e Emmit concluem que precisam pagar do próprio bolso por um adulto que os defenda, o filme encosta num ponto mais duro, o de garotos recém-chegados ao ensino médio que já aprendem a calcular rota, risco e vexame antes mesmo de se adaptar ao novo ambiente. Aí há um nervo verdadeiro.

A entrada de Drillbit muda o eixo sem apagar esse desamparo inicial. Ele vende aos meninos a imagem de alguém treinado, com passado militar e talento estratégico, mas é um sem-teto que quer arrancar deles dinheiro suficiente para fugir para o Canadá, e a distância entre a pose confiante e a precariedade concreta sustenta boa parte da graça. Os treinamentos corporais, os conselhos absurdos e as táticas improvisadas de autodefesa servem tanto como motor cômico quanto como prova permanente de que aquele protetor não sabe de fato o que está fazendo. Owen Wilson conhece bem esse tipo de personagem e encontra o ponto entre malandragem, desgaste e oportunismo.

A fraude dentro da escola

Parte do interesse vem de Drillbit não se limitar a uma única mentira. Além de vender proteção duvidosa a Ryan, Wade e Emmit, ele inventa a identidade de “Dr. Illbit”, entra no colégio, se aproxima de uma professora e cria uma segunda fraude dentro da primeira, enquanto Wade tenta se aproximar de Brooke e o trio continua pressionado por Filkins e Ronnie a cada novo dia. A escola vira palco de encenação. Nesse trecho, a comédia melhora porque os corredores, as salas e os encontros dentro do prédio passam a concentrar medo, fingimento e desejo de pertencimento ao mesmo tempo, em vez de servir apenas de passagem para agressões repetidas.

O problema é que Brill nem sempre decide quanto peso quer dar ao material. De um lado, há três calouros acuados, um ambiente escolar que naturaliza humilhação e um adulto que vê naquele medo uma chance de exploração; de outro, a história frequentemente prefere transformar Drillbit num guru torto de autodefesa, aliviando a dureza do ponto de partida com um relaxamento que simplifica o que havia de mais incômodo ali. Quando o enredo caminha para um confronto físico mais amplo entre nerds, valentões e o falso guarda-costas, a barulheira cresce e toma conta da tela, mas a parte mais amarga da premissa, ligada à exposição pública e ao abandono, vai perdendo espaço. A reta final sente esse deslocamento.

O que permanece

Ainda sobra alguma coisa viva nessa mistura de bullying escolar, impostura adulta e amizade improvisada. Ryan, Wade e Emmit continuam sendo garotos assustados tentando atravessar o ensino médio sem virar alvo fixo, e Drillbit continua sendo um vigarista que oscila entre explorar esse medo e se deixar capturar por ele, o que impede o personagem de virar apenas uma piada ambulante. “Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor” não reúne tudo com a mesma firmeza, mas encontra seus momentos mais nítidos quando Owen Wilson circula entre armários, salas e pátios distribuindo instruções frágeis, como se improvisasse coragem diante de adolescentes apavorados. No que o filme tem de melhor, vê-se esse homem falando baixo, encostado nos armários, enquanto os meninos olham para os dois lados antes de seguir.

Filme: Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor
Diretor: Steven Brill
Ano: 2008
Gênero: Ação/Comédia/Crime
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★