Vincent Cassel e Emmanuelle Bercot: quando o amor vira vício e vergonha — já no Prime Video Divulgação / Film Movement

Vincent Cassel e Emmanuelle Bercot: quando o amor vira vício e vergonha — já no Prime Video

Há romances que começam com mesa cheia, copo erguido e promessas fáceis, e acabam virando planilha mental de ligações, desculpas e remarcações. “Meu Rei”, dirigido por Maïwenn, acompanha esse desgaste em tempo real, sem cortar caminho, colando na rotina de uma protagonista que precisa escolher como atravessar o dia enquanto o joelho limita passos e a memória insiste em puxar de volta o que parecia superado. É um drama longo, às vezes áspero, que ganha quando troca frases prontas por atitudes pequenas, com custo em sono, energia e tempo perdido em conversas que não terminam.

O mistério do cometa

O mistério do cometa

Volta e meia, um desses telescópios gigantes que existem por aí detecta algo diferente, e todo mundo fica ligado. Há algum tempo, apareceu uma parada com o estranho nome de Oumuamua, e um monte de gente teve certeza de que era uma nave alienígena. O tal objeto acabou passando direto pelo Sistema Solar e saiu das conversas nas redes sociais, mas muita gente continuou certa de que era uma nave gigante, apesar de os cientistas garantirem que era um cometa.

É uma história de amor… só que com a cidade inteira assistindo: Richard Gere e Jodie Foster no Prime Video Divulgação / Warner Bros.

É uma história de amor… só que com a cidade inteira assistindo: Richard Gere e Jodie Foster no Prime Video

Em “Sommersby — O Retorno de um Estranho”, um homem dado como morto reaparece seis anos depois e tenta ocupar, de novo, o lugar que ficou vazio na rotina da casa. A história parte de um gesto simples, abrir a porta para quem diz ser o marido, e logo transforma carinho em assunto de rua, com perguntas repetidas no portão, na varanda e no caminho até a cidade. Jon Amiel dirige com sobriedade e prefere a conversa atravessada e o olhar que não desvia a qualquer correria. O suspense nasce do cotidiano, de encontros forçados e de gente rondando a casa, cobrando memória e cobrando postura. É drama, romance e mistério sem fogos de artifício, interessado no que um casal perde em tempo, energia e posição social quando cada resposta vira convite para mais perguntas.

O último filme de M. Night Shyamalan chegou à Netflix — e é o suspense que te deixa sem ar Divulgação / Warner Bros.

O último filme de M. Night Shyamalan chegou à Netflix — e é o suspense que te deixa sem ar

Um pai leva a filha adolescente para ver uma estrela pop, mas a saída do carro até o assento vira um caminho cheio de barreiras, seguranças e policiais demais para um evento comum. Cooper percebe o excesso, muda o trajeto, faz perguntas curtas e tenta parecer só mais um adulto procurando o setor certo. Cada escolha custa alguma coisa bem palpável, minutos em fila, idas e voltas por corredores, energia para sorrir quando dá vontade de correr. O suspense cresce menos por gritos e mais por logística, o tipo de lugar em que uma porta fechada muda o plano e um olhar demorado chama gente demais.

Cartas do pai reaparecem décadas depois — e viram o livro mais íntimo (e inquietante) de Cristovão Tezza

Cartas do pai reaparecem décadas depois — e viram o livro mais íntimo (e inquietante) de Cristovão Tezza

“Visita ao Pai”, eleito o melhor livro brasileiro de 2025 em enquete da Revista Bula, marca um passo decisivo na obra de Cristovão Tezza. Partindo de cartas, cadernos e anotações do pai morto quando o autor era criança, o livro transforma o arquivo íntimo em investigação literária. Sem sentimentalismo, Tezza evita a biografia pronta e trabalha com a ausência, com os silêncios e com o que a memória distorce e rearranja. É assim que o Brasil aparece, nos detalhes de época.