Na Netflix, uma história que liga duas palavras que ninguém quer juntar: infância e escravidão Divulgação / Roadside Attractions

Na Netflix, uma história que liga duas palavras que ninguém quer juntar: infância e escravidão

À tragédia da imigração, soma-se um dado ainda mais perverso. Alimentado por corrupção e negligência do poder público, a escravatura no século 21 alicia em todo o mundo outros doze milhões de crianças como mão-de-obra abundante e barata para empresas clandestinas ou não, eixo em torno do qual move-se “A Cidade dos Sonhos”. Mohit Ramchandani joga luz sobre esse escândalo, óbvio, mas ignorado.

Jacques Fux e as irmãs Dutilh: documentos de família viram literatura — e ferida histórica

Jacques Fux e as irmãs Dutilh: documentos de família viram literatura — e ferida histórica

Os começos, assim como os finais, nos fazem olhar para a vida de forma diferente. De um lado, promessas de páginas em branco que escreverão, se der certo, uma história que valha ser lembrada. Do outro, o risco de que tudo o que se passou seja enterrado e esquecido. O esquecimento que encerra a morte, mas que, ao mesmo tempo, apaga a vida para sempre. A morte dos mortos.

No Prime Video, um filme que te dá o poder de voltar no tempo… só para mostrar por que isso não salva ninguém Divulgação / Translux

No Prime Video, um filme que te dá o poder de voltar no tempo… só para mostrar por que isso não salva ninguém

Aos 21 anos, Tim ganha o poder de voltar no tempo, apenas ao ontem, e tenta reparar equívocos como se isso pudesse curar uma vida inteira. A premissa dialoga com “Feitiço do Tempo”, mas segue na direção oposta, oferecendo uma viagem divertida e comovente que esbarra na finitude e na incerteza. Entre Londres e Crawley, o segredo familiar surge numa conversa com o pai, enquanto Domhnall Gleeson e Bill Nighy sustentam o conto. No amor, sem bruxaria, a doçura também enjoa.

Se você amou o clássico Harold & Maude, vai amar essa comédia estranha e delicada na HBO Max Divulgação / Ley Line Entertainment

Se você amou o clássico Harold & Maude, vai amar essa comédia estranha e delicada na HBO Max

Em “Entre os Templos”, Nathan Silver acompanha Ben Gottlieb (Jason Schwartzman), um cantor de sinagoga que atravessa uma crise que vai além do luto. Desde a morte repentina da esposa, uma escritora, Ben sente que perdeu algo essencial: a voz, a fé e a capacidade de ocupar seu lugar dentro da própria comunidade. Ele continua aparecendo nos compromissos religiosos, mas tudo soa mecânico, como se estivesse apenas cumprindo tabela para não decepcionar o rabino, a congregação e as duas mães que orbitam sua vida adulta.

O filme de Bernardo Bertolucci que envelheceu tão bem quanto vinho, na Mubi Divulgação / Península Films

O filme de Bernardo Bertolucci que envelheceu tão bem quanto vinho, na Mubi

Quando foi lançado, “Os Sonhadores”, de Bernardo Bertolucci, foi recebido com aclamação quase imediata. Críticos respeitados, como Roger Ebert, exaltaram a beleza poética do filme, ainda que ele já carregasse um potencial controverso. Vinte e três anos depois, após sucessivas revisitações, o olhar crítico mudou, e mudou de forma significativa. Até mesmo pelas polêmicas em que o diretor se envolveu. Isabelle, a jovem interpretada pela talentosíssima e deslumbrante Eva Green, passou a ser lida como símbolo de mulheres silenciadas, objetificadas e erotizadas.