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  • O Homem de La Mancha, com Sophia Loren

POR EM 12/04/2012 ÀS 02:25 PM

E se a vida tivesse fundo musical...

publicado em

Vida boa é de personagem. Antes que os fatos aconteçam, já tem uma musiquinha ao fundo, dando a dica do que vem pela frente. A vida da gente é um tanto mais precária se comparada com a dos personagens de filmes e novelas. 

Como seria a vida real se cada um de nós fosse portador de um ouvido invulgar para ouvir a música que toca em surdina, enquanto as coisas se preparam para acontecer? E se a audição não se restringisse exclusivamente à nossa música, mas pudéssemos sondar o futuro imediato dos outros e os outros também pudessem nos olhar com a percepção daquilo que nossa música prenuncia? 

A gente ia pela rua e avistava uma gata esplendorosa. E ela avistava a gente. Bastava sintonizar no som desse avistamento recíproco. Se tocasse uma música de protesto, um rap contra a polícia, nem precisaria tentar. Não teria rolado a química que autoriza uma aproximação proveitosa. Mas digamos que tocasse uma balada romântica, uma música clássica das cenas de amor. Um “Tema de Lara”, por exemplo, do filme “Dr. Jivago”. Aí, sim, era só investir com capricho e determinação que o resultado seria seguramente favorável, sem essas batalhas de tentativas e erros, que tanto nos aborrecem pela vida. Se rolasse um “Ai, se eu te pego”, ou outro hit do sertanejo universitário, seria só uma ventura, um rala e rola eventual e nada mais. A trilha sonora da vida real não serviria apenas para as conquistas amorosas. Sua utilidade se estenderia a todas as circunstâncias da vida. Você, no meio da noite erma, vai passando por uma avenida de luzes precárias. De repente vem vindo em direção contrária um grupo de rapazes, falando gíria e gingando o corpo e você se liga na trilha sonora. 


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POR EM 10/04/2012 ÀS 08:09 PM

Jeito de capital

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Meus poucos e eventuais leitores, muitas vezes contingentes, não devem saber que não moro no Rio de Janeiro. Assim é a vida: somos escolhidos com muito maior frequência do que escolhemos. Moro numa pequena cidade do interior de São Paulo, depois de ter respirado o ar de muitas cidades de diversos estados do Brasil. 

Esclarecido esse ponto da maior importância para o desenvolvimento do assunto em pauta, passemos ao que interessa. 

O Rio de Janeiro perdeu a condição de capital política do Brasil, com a inauguração de Brasília. As futricas ininterruptas a que temos assistido foram cheirar mal no planalto, lá onde a brisa morna não é gentil, e a terra, em se plantando, não dá de tudo. O Rio de Janeiro continua lindo, alô, alô, seu Chacrinha! 

Usufruindo de meu direito a ir e vir, como reza com grande humor nossa Constituição, também algumas vezes na vida fui me sentir capitalista, mas na antiga capital. 

E lá, fazendo minha caminhada diária pela pista do aterro do Flamengo, a impressão que tive foi a de que o Rio pode ter perdido para Brasília o poder político, mas a Cidade Maravilhosa continua sendo a capital da nação. O charme de síntese da nacionalidade, isso ninguém lhe tira. As muitas etnias que nos formam lá estavam. Peles e cabelos de todos os tipos. Feições indiáticas, representando o Brasil Central; olhos azuis vindos do Sul; o moreno da Europa Meridional, afro-descentes (bantos e sudaneses) e até o tipo oriental a gente vai encontrando pela calçada onde todos querem desfilar.  Além disso, o Rio é um verdadeiro monumento histórico ao vivo e a cores. 


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POR EM 09/04/2012 ÀS 09:21 PM

O que a posteridade já fez por mim?

publicado em

A natureza está sitiada, colocando a qualidade de vida em risco. Não só a qualidade de vida do ponto de vista mercadológico, que consiste em consumir porções diárias cada vez maiores. Mas a qualidade de vida mesma, com a entrada em cena de novas intempéries, novas doenças pela alteração de micro-organismos, a incapacidade de regeneração de nossos estragos, o declínio da fertilidade do solo, o desconforto pela insalubridade geral do clima, a toxidade nuclear.

Pelo porte do problema uma ação efetiva teria que partir de uma ação enérgica dos Estados nacionais e contar com o apoio, espontâneo ou induzido, da maioria da população do planeta. Mas os Estados são monstros esquizofrênicos (Leviatãs?). A parte encarregada de cuidar da natureza é fraquinha e ineficiente, quando não um mero balcão expedidor de alvarás. Não para evitar a destruição, mas para promovê-la de forma consentida e certificada. Destruição certificada com ISO. As agências ambientais dos países não têm poder de legislar (ou propor leis) nem eficácia em suas ações fiscalizatórias. As multas impostas aos poluidores quase nunca são quitadas; os incentivos aos preservadores raramente são saldados. A ação do governo se limita a expedir relatórios de questões isoladas sem gerar condições básicas para ações concretas. E com frequência muito acima do conveniente se envolvem em esquemas de oferecimento de dificuldades para vender facilidades. Enquanto isso os órgãos de exploração dispõem da potência bruta de cavar buracos de milhares de metros  e retirar o sumo da terra onde ele estiver. De devastar tabuleiros e serras, der transpor rios e drenar os charcos.  De poluir o ar, empestear a água, de gerar um barulho ensurdecedor, afugentando a quietude da janela climática que permitiu nosso impulso civilizatório, forjando um ambiente propício à aparição das sete mil pragas da pós-modernidade.    


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POR EM 08/04/2012 ÀS 06:11 PM

Uma carta de João Cabral de Melo Neto a Manuel Bandeira

publicado em
Numa carta ao poeta Manuel Bandeira, o poeta João Cabral de Melo Neto reflete sobre a acomodação da crítica literária, fala de uma intriga com Carlos Drummond e revela-se comprador de desenhos de Picasso e Van Gogh 

Meu caro Manuel,

Muito obrigado pelas suas palavras sobre o meu livro. E pelas do Vinícius [de Morais], transcritas por você. Ainda não recebi carta dele, nem o texto de Cordélia e o peregrino que lhe havia pedido — para imprimir.

Infelizmente muito poucos parecem ter gostado do livro. Como, aliás, dos meus anteriores. Tanto que, não fosse minha resolução de me calar em poesia, estaria disposto a fazer Odorico Tavares, Alphonsus de Guimaraens Filho, J.G. de Araújo Jorge...

Nossa crítica é um caso impressionante de “sensibilidade habituada”. Você já reparou na maneira como cada geração, no Brasil, ao se impor, traz seu crítico e abandona o anterior? O caso de Tristão de Ataíde, por exemplo, que nunca percebeu os nossos romancistas, é típico. O que vale é que esses críticos posteriores não negam a sensibilidade anterior; pelo contrário, incorporam-na a uma região nova, que eles trazem e que termina sendo hábito também. Isso, por exemplo, é que permite um Álvaro Lins  topar sua (de você) poesia. Talvez v. me pergunte o que eu chamo de sensibilidade habituada. Começo definindo negativamente: quando v. sentiu no primeiro livro do Mário de Andrade um “ruim diferente”, havia um caso de sensibilidade não-habituada; e positivamente: quando certo crítico de muitas campanillas (que é como se diz aqui dos toureiros da moda) aconselhou a Clarice Lispector que não publicasse seu primeiro livro, do qual, depois da aceitação dos não-habituados, acabou por escrever grandes elogios — se dava um caso de hábito de sensibilidade  (como podia o crítico gostar de um romance “psicológico” se não estava dentro das conhecidas maneiras de Lúcio Cardoso ou Graciliano.


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POR EM 07/04/2012 ÀS 08:40 PM

Os mandamentos do escritor

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15 ensinamentos, segundo Nietzsche, Hemingway, Onetti e García Márquez

Os chamados mandamentos literários existem desde o surgimento da escrita. Aristóteles e Shakespeare foram pródigos em ensinar, por meio de conselhos, como se tornar um grande escritor. Gustave Flaubert, James Joyce, Henry Miller e Anaïs Nin também deixaram suas versões. Neste post, publico uma compilação de conselhos literários (ou mandamentos literários) de quatro nomes fundamentais da literatura mundial dos últimos 150 anos: Friedrich Nietzsche, Ernest Hemingway, Juan Carlos Onetti e Gabriel García Már­quez.  


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POR EM 06/04/2012 ÀS 06:02 PM

Tomando sopa com a Oprah Winfrey

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Fui enviado a Abadiânia pela Revista Bula a fim de conhecer de perto o trabalho de João de Deus, um fazendeiro cheio de filhos que se tornara guru naquela comunidade, e que supostamente curava doentes desenganados pela medicina tradicional. 

Fiquei motivado com a missão. Embora incrédulo — não me custava nada —, eu poderia reivindicar algum tipo de passe, magia ou unguento, algo que efetivamente fizesse brotar cabelos na minha cabeça, embora a calvície incomodasse muito menos do que a minha insegurança e ceticismo. Afinal, eu também era um desenganado. Um desenganado menor, mas, um desenganado. Aderir às perucas ou à legião de seguidores e serviçais de João de Deus não estava nos meus planos. 

O movimento no local era intenso. Naquele dia, em particular, alguém comentou que o ambiente estava ainda mais agitado que o habitual, por conta da presença de uma mulher negra, uma celebridade norte-americana que fazia uma visita. Olhando assim de longe vi que uma crioula simpática assistia ao transe de João, que enfiava o dedo fura-bolo num buraco cavado no lombo de uma mulher idosa. “A velha sofre de artrose, depressão e dores terríveis”, um curioso me relatou. A não ser pela velhice, pela artrose e pelas dores terríveis, eu até que me identifiquei com aquela moribunda. 

À primeira vista, pensei que a mulher negra fosse a cantora Whitney Houston, mas ela tinha morrido de overdose há poucos dias, em Los Angeles. Muita pretensão a minha, achar que a cantora faria uma aparição mediúnica pública em tão pouco tempo. Michelle Obama? Não. A Primeira Dama dos Estados Unidos não viria a Goiás sem que eu ficasse sabendo. Desde o meu encontro secreto com seu marido Barack, no Central Park (lembram-se que contei a estória aqui mesmo na Revista Bula?), em Nova York, nós ficamos bastante próximos, assim de trocar emails pelo menos três vezes por semana. Até parecia Michelle, ma belle, mas não era.  


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POR EM 06/04/2012 ÀS 05:26 PM

Belfagor

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A única história curta, conhecida, de Nicolau Maquiavel. Um diabo é enviado à terra para verificar porque todos os homens que chegam ao inferno apresentam como causa única de estarem ali o fato de serem casados

Nicolau Maquiavel

Nas antigas memórias das crônicas de Flo­rença lê-se uma história relacionada a um homem san­tíssimo que, em meio à devassidão da época, era mui respeitado por todos seus contemporâneos. Certo dia, absorto em suas piedosas meditações, conseguiu ver que as almas dos infelizes mortais que morriam pecadores e que iam para o inferno lamentavam — se não todos, pelo menos a maior parte — que a razão de tal desdita devia-se ao fato de terem-se casado. Minos e Radamanto, juntos com ou­tros juízes do inferno, ficaram deveras admirados e, não po­dendo dar crédito às calúnias que tais almas lançavam ao sexo feminino, deram ciência disso a Plutão, tanto mais que tais la­mentações só faziam crescer. Plutão então deliberou examinar o caso de perto com todos os príncipes do inferno para, só depois, tomar partido do que fosse julgado o mais conveniente para descobrir a falácia e saber a verdade por inteiro. Convocou-os, pois, ao conselho, e falou nos seguintes termos:

— Embora eu, meus diletos amigos, por disposição celeste e vontade do destino, e ainda que me encontre acima do juízo de Deus e dos homens, no entanto, como maior prova de sabedoria e prudência, resolvi consultar-vos hoje sobre a conduta que devo seguir num caso que poderia redundar em infâmia para nosso império. Todas as almas dos homens que entram em nosso reino pretendem ter sido causa disso a própria mulher, o que não nos parece possível. Condenando tal afirmação, talvez os levianos nos acusem de maldade; caso não o fizermos, talvez os injustos nos considerem demasiado indulgentes e pouco afeitos à justiça. Querendo evitar uma e outra acusação, e não encontrando um meio para tal, decidimos convocar-vos a fim de que nos ajudeis com vossos conselhos e façais com que este reino continue a viver sem infâmia, como sempre tem vivido.


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POR EM 04/04/2012 ÀS 06:31 PM

Jargões profissionais

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Há muito não me via tanto tempo preso à frente da televisão vendo jogo de futebol. Imagino que haja uma boa razão para isso, mas que não preciso confessar aqui. Não me agrada muito ser “corneteado”. É assim que se diz?

A gente passa de um canal para outro e parece que não saiu do anterior. Os narradores futebolísticos devem ter feito o pacto da uniformidade. As questões de estilo, raras exceções, são periféricas: não afetam a estrutura da narração. Os poucos bordões existentes não fazem lá grande diferença. Mas o que mais me impressiona é o jargão. Interessantíssimo. Daria um dicionário de expressões futebolísticas, se é que alguém já não andou fazendo isso. 

Não sei se você, meu leitor apaixonado pelo esporte dos ingleses, já observou: um locutor esportivo jamais diz que um jogador machucou-se. Se se pergunta a um jovem (e os jovens são as principais vítimas das precariedades linguísticas, justamente por serem jovens) o que significa “contundido”, ele, mesmo antes de piscar, já terá respondido que se trata de jogador de futebol machucado. Tal é a força do chavão, que dá um sentido específico à palavra. Ninguém mais se contunde: só jogador de futebol.  Outra expressão universalizada é “valorizar a posse da bola”. Um dia alguém de muito prestígio no meio terá usado a expressão, que acabava de criar. Bastou. Hoje, não há mais narrador de futebol que, vendo a bola ficar naquele tico-tico irritante, esquerda, direita, esquerda, direita, sem sair disso, alega que os jogadores estão valorizando a posse da bola. Pode ser medo, covardia, falta de opção, criatividade embotada, pode ser qualquer coisa, eles vão sempre alegar que é certo tipo de valorização. E a expressão, que se iniciou como uma metáfora, meio pobre, vá lá, bem cedo transformou-se numa catacrese.   


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POR EM 03/04/2012 ÀS 08:37 PM

Horowitz mostra como a esquerda destrói seus rivais

publicado em

Horowitz O comunismo foi derrotado em todos os lugares do mundo — in­clusive na China. Neste país, deu-se um fenômeno curioso: o capitalismo salvou a “nomenklatura” vermelha. En­tretanto, se o socialismo perdeu a guerra — uma derrota provisória, avalia o respeitável historiador marxista Eric Hobsbawm —, no campo da perspectiva histórica, a esquerda, pelo menos em termos editoriais, permanece vitoriosa. Sua influência permanece ativa em revistas, jornais e livros.

Parte dos livros resenhados e aprovados é de autores que comungam o credo esquerdista ou são simpatizantes. Muito disso ocorre devido à linguagem. No campo da linguagem, a direita e o centro políticos não conseguem competir com a linguagem dos reds. A linguagem geral, mesmo de quem não é adepto das ideias de Karl Marx e Lênin, está impregnada pelo pensamento dos dois autores-políticos. Daí a dominação do discurso do “social” contra ou sobre o discurso da “produção”. O liberal patropi, em seus discursos pelo menos, fala praticamente a mesma linguagem, com variações, da esquerda light. A dominação cultural é evidenciada na maioria dos livros resenhados. A Editora Peixoto Neto tem publicado livros de qualidade, como “O Terrorismo Intelectual — De 1945 Aos Nossos Dias”, de Jean Sévillia, “O Poder — História Natural do Seu Crescimento”, de Bertrand de Jouvenel, e “Radicais nas Uni­versidades — Como a Política Cor­rompeu o Ensino Superior nos Es­tados Unidos da América”, de Roger Kimball, mas, quando o leitor abre os suplementos “Prosa & Verso”, de “O Globo”, “Sabático”, de “O Estado de S. Paulo”, e “Ilustríssima”, da “Folha de S. Paulo”, e as revistas “Veja” — a mais aberta ao discurso liberal — e “Época”, percebe que os livros citados não foram e possivelmente não serão resenhados. A Peixoto Neto acaba de lançar o excelente “O Filho Radical — A Odisseia de Uma Geração” (554 páginas, tradução no geral esmerada de Camila L. Campolino), de David Horowitz. Richard Gid Powers escreveu, no “The New York Times Review”: “Um livro corajoso e franco”.  Ho­rowitz foi de esquerda durante anos e, depois, migrou para a direita. Tornou-se “o mais odiado ex-radical de sua geração”. Ao deixar a esquerda, descobriu que a esquerda “odeia” — e combate — mais seus adversários (sobretudo os “caídos”), que trata como inimigos, do que a direita. 


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POR EM 02/04/2012 ÀS 10:33 PM

Jack London, o mito permanente

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Considerado um dos maiores escritores da língua inglesa em todos os tempos, Jack London gastou intensamente sua breve existência e cumpriu o que prometeu: “Não passarei meus dias tentando prolongá-los; prefiro ser cinzas a ser pó”. Morreu aos 40 anos

Um dos mais vigorosos autores norte-americanos, Jack London, me parece ter sido menos honrado do que merecia no seu centenário de nascimento, ocorrido em 1976. Vamos ver o que ocorre no centenário de sua morte, em 2016. Não teve até agora uma biografia à altura de sua vida, movimentada o bastante para preencher um livro onde se mesclariam aventura, drama, política, romance e tragédia. Fora alguns fracos relatos biográficos aqui e ali (incluso um escrito pela filha de Jack, Joan London, em 1938), dois autores intentaram descrever sua vida: Irving Stone, em 1938, e mais recentemente, Alex Kershaw, em 2000.  O livro de Stone foi traduzido e lançado, há anos, no Brasil, com o título: “A Vida Errante de Jack London”. Deixa muito a desejar, levando em conta que o autor fez trabalhos melhores, incluindo uma biografia de Van Gogh, e uma de Michelangelo, levada ao cinema no filme “Agonia e Êxtase”, com Charlton Heston.

Talvez os métodos de pesquisa, relativamente pobres na década de 1930, tenham limitado o trabalho de Stone. Kershaw teve mais sucesso, embora não se possa dizer que seja uma biografia definitiva. Com mais fontes ao seu alcance, encontrando dados organizados em bibliotecas, universidades e fundações mais recentes, ele conseguiu construir um livro mais profundo, aprimorado e ilustrado. Pena que ainda não haja tradução em português. Mas quem quiser conhecê-lo, pode conseguir a versão espanhola, “Jack London — Un Soñador Americano”, da Editora La Liebre de Marzo, de Barcelona. A internet põe qualquer livraria do mundo ali na esquina.


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