Crônica

Decepções

Decepções

Existe um bombom de marca famosa cujo recheio é uma suculenta gororoba chocolática, de lamber os beiços. Lançaram outro dia uma versão gigante dele. Achei que finalmente tinham entendido o consumidor: colheradas, excessos, alguma generosidade para o café da tarde. Comprei. Foi uma decepção. A casca era grande, sim. Mas, por dentro, havia apenas o velho silêncio das promessas infladas. Fiquei ali, bombom oco em uma mão, cara de ludibriado refletindo na colher empunhada pela outra.

Quem é o dono do português?

Quem é o dono do português?

Ele achou que esse argumento era definitivo, se achava dono da língua e então eu é que fiquei irritado, com vontade de pedir para ele devolver o nosso ouro, como fazem os brasileiros nessas ocasiões, ou dizer que nós, brasileiros, somos mais de 200 milhões e eles, portugueses, apenas 10 milhões; portanto, nós já tomamos a língua, que agora é nossa.

A vida imita a arte. Eu imito Ernest Hemingway

A vida imita a arte. Eu imito Ernest Hemingway

Fazia uma fresca manhã de outono. Estacionaram os idosos em cadeiras de rodas para o tradicional banho de sol. Fazia bem para os ossos. E para o ócio. Mais ignorantes do que a média feminina, os homens quase sempre morriam primeiro. De tal sorte que havia muito mais velhas do que velhos naquele abrigo. Alheios ao mulherio, dois internos conversavam, sob algum grau de incompreensão mútua, tendo em vista que ambos estavam praticamente surdos como uma porta.

O fusquinha do conhecimento

O fusquinha do conhecimento

Na minha primeira sexta-feira de aula na faculdade, o professor J. interrompeu um interessante arrazoado acerca da dialética hegeliana para comentar que a partir daquele fim de semana deixávamos de ser meros adolescentes no almoço de domingo da casa dos pais. Estávamos revestidos de uma autoridade estranha, esta que adorna não o corpo mas a mente daqueles que sabem fazer parte de uma privilegiada elite intelectual.

Os cinco sentidos no Brasil

Os cinco sentidos no Brasil

Os seres humanos utilizam os seus cinco sentidos o tempo todo, mas o brasileiro tem a visão, a audição, o tato, o paladar e o olfato muito mais apurados do que as pessoas de outros lugares do mundo. É que, por aqui, os cinco sentidos são testados o tempo todo e sofrem cargas muito mais pesadas. Olha só como funcionam as nossas percepções sensoriais.