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Os cinco sentidos no Brasil

Os cinco sentidos no Brasil

Os seres humanos utilizam os seus cinco sentidos o tempo todo, mas o brasileiro tem a visão, a audição, o tato, o paladar e o olfato muito mais apurados do que as pessoas de outros lugares do mundo. É que, por aqui, os cinco sentidos são testados o tempo todo e sofrem cargas muito mais pesadas. Olha só como funcionam as nossas percepções sensoriais.

James Joyce ao microfone: o registro histórico em que o autor lê um trecho de Finnegans Wake

James Joyce ao microfone: o registro histórico em que o autor lê um trecho de Finnegans Wake

Gravada em agosto de 1929, em um estúdio ligado à Orthological Society, em Cambridge, a leitura de “Anna Livia Plurabelle” por James Joyce é um dos raros registros sonoros do autor. Hoje o áudio reaparece em gravações relançadas e arquivos digitais, aproximando leitores de um Work in Progress que mais tarde se chamaria “Finnegans Wake” e oferecendo pistas sobre como o escritor entendia ritmo, sotaque e humor na própria invenção verbal, muito além da imagem solene criada pela crítica posterior.

Silviano Santiago e a escrita da vida

Silviano Santiago e a escrita da vida

As biografias viraram um gênero de altíssimo sucesso de vendas e, ao mesmo tempo, de uma obviedade constrangedora. O que mais se vê são as narrativas de vencedores, homens exemplares. As trajetórias de quem começou do nada, superou dificuldades, venceu traumas, foi abusado na infância, sofreu maus-tratos e, no fim, alcançou alguma forma de redenção. Os enredos se repetem. Existe também o outro extremo: as biografias de figuras execráveis, escritas para recuperar o lado humano delas.

Ornella Vanoni e a voz que permaneceu

Ornella Vanoni e a voz que permaneceu

A notícia tardia da morte de Ornella Vanoni desperta uma memória íntima, construída entre discos antigos, vozes que atravessam gerações e revisitas que moldam afetos persistentes. Suas canções, especialmente as versões primeiras de “L’Appuntamento” e “Senza Fine”, retornam como ecos de um passado que insiste em permanecer. O relato pessoal encontra na música um território de continuidade, lembrando que algumas vozes seguem vivas mesmo quando silenciam. Em meio a recordações irredutíveis, suas interpretações reacendem afetos guardados no tempo que passa.

Eu escrevo porque escrever não me leva a nada

Eu escrevo porque escrever não me leva a nada

Naquela época, em meados dos anos 1970, a ditadura militar imperava no país e eu ainda não fazia a mínima ideia do que significasse uma vida adulta desvirtuada por sonhos adulterados. Só pensava em brincar, em ir à escola, em escrever historinhas pueris inspirado no acervo precioso de um Monteiro Lobato, com a barriga colada no chão frio que recendia a cera de embalagem econômica. A minha perspectiva de vida, portanto, era tão superficial, rasa e rasteira quanto as pegadas no piso vermelhão da casa de família de classe média em que fui criado.