Autor: Rebeca Bedone

Quando nosso cão morre, morre um pouco de nós

Quando nosso cão morre, morre um pouco de nós

Eu chorava, mas não era um choro qualquer. Era um pranto com suspiros e soluços, de um jeito tão primitivo que tive vergonha de mim mesma; mas ele não se importou. A uma distância de meio metro de mim, ele me observava com seus olhos amendoados e aflitos. Sem me julgar, esperava com a cabeça levemente pendida para o lado.

O que me dói é não poder te dar um abraço

O que me dói é não poder te dar um abraço

O mundo lá fora estava estranho, quieto, diferente: era a angústia das famílias que rezavam pela recuperação do parente doente, a saudade que os amigos sentiam uns dos outros, a expectativa das crianças que sonhavam com o retorno às aulas, o medo que os enfermos sentiam e o tempo que não passava para aqueles que estavam sozinhos.

Avós não morrem. Eles vivem dentro da gente

Avós não morrem. Eles vivem dentro da gente

Quando somos crianças, não temos noção de que nossos avós não são eternos. E o tempo passa tão rápido que, de repente, não temos mais os nossos avós por perto. Mesmo com eles ainda vivos, nossa correria diária cheia de compromissos muitas vezes nos faz adiar visitas e reencontros.

As mães nunca morrem. É por isso que sempre falamos nelas…

As mães nunca morrem. É por isso que sempre falamos nelas…

Carlos Drummond de Andrade disse que “mãe, na sua graça, é eternidade”. Sim, mãe é a palavra mais bela. Mãe é caminho; colo que consola. Mãe é mão que segura; beijo que ameniza febre. Porque “mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada”. Mãe vela as noites mal dormidas para espantar a dor e a angústia do seu menino. Mãe chora junto.

Sobre uma pandemia e a humanidade que nos restou

Sobre uma pandemia e a humanidade que nos restou

Escrever é terapêutico. Palavras abrem caminhos e acedem luzes. O distanciamento social tem inundado minha cabeça de ideias. Tento organizá-las. Deixo-as entrar. Podem vir, me guiem. Me levem às lembranças do passado e dos dias anteriores — e olha que alguns dias nem estão tão distantes assim.