Autor: Elder Dias

A generosidade de Boechat contada por seus colegas jornalistas

A generosidade de Boechat contada por seus colegas jornalistas

Sim, jornalistas. Envelheçam. Envelheçamos. E que a generosidade se porte como o melhor dos vinhos nessa caminhada do tempo. Generosidade com seu público-leitor e com a notícia. Ela torna o riso fácil, deixa a alma leve e compensa uma série de defeitos. Boechat certamente os tinha, mas o que fica para a história da comunicação é o zelo extremo ao ouvir do mais humilde ao mais poderoso, na composição da pauta do dia.

Ninho do Urubu, Rio, Brumadinho: o jeitinho brasileiro e suas tragédias

Ninho do Urubu, Rio, Brumadinho: o jeitinho brasileiro e suas tragédias

Em menos de duas semanas, três tragédias no Brasil. Desde o meio-dia de 25 de janeiro, Brumadinho está na lama e assim estará ainda por muito tempo, com muitos de suas três centenas de mortos tendo os rejeitos de mineração que os mataram como seu túmulo definitivo. Essa terceira seria muito menos tragédia e muito mais um grave crime por negligência, como aos poucos tem sido revelado por documentos e depoimentos que vão surgindo.

Governos, empresários e nós, brasileiros: o Museu Nacional morreu foi de vergonha

Governos, empresários e nós, brasileiros: o Museu Nacional morreu foi de vergonha

O Museu Nacional do Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, que um dia foi a residência oficial da família real portuguesa, está morto. Não adianta vir governante dizer que vai convocar empresas e bancos para restaurá-lo. Tanto políticos como empresários passarão recibo de hipócritas — o que, provavelmente, vão fazer sem a menor parcimônia. Não adianta mais: Inês está morta. Luzia está morta.

O cinismo tem sede de bala

O cinismo tem sede de bala

Um saco de cimento pode ferir e matar. O operário revoltado com o colega pode jogá-lo do andaime quando a vítima passar lá embaixo. Mas cimento foi feito para a construção. Uma pistola pode livrar um enforcado. O mocinho do filme de faroeste pode mirar na corda do condenado e salvá-lo da morte. Mas pistola foi feita para ferir e matar.

Os sinos que unem John Donne, Hemingway e Raul Seixas

Os sinos que unem John Donne, Hemingway e Raul Seixas

Apesar de cético, Hemingway tem muito de influência do anglicano John Donne. A citação do inglês no livro, portanto, é mais do que uma simples referência: talvez esteja mais para deferência, ou até reverência. O que chega a ser uma ironia: Donne, um dos principais arquitetos do pensamento de Hemingway, esteve no porão até seu reaparecimento, no preâmbulo de “Por Quem os Sinos Dobram”. “Por Quem os Sinos Dobram” influenciaria também o pensamento de um controverso e genial artista brasileiro: Raul Seixas, que batizou seu 9º álbum — e uma de suas canções — com esse título.