Autor: Eberth Vêncio

A pior forma de amar é sentir saudade

A pior forma de amar é sentir saudade

Molhei a palavra, de novo, para disfarçar a emoção. Detestava comover-me, mas, já não me sentia um filho tão racional e tão insensível quanto se dizia. A fama de iceberg-sobre-pernas derretia. O Titanic estava naufragando fazia tempo. A morte beijaria o velho. E a saudade chegaria, sorrateira como uma serpente, e cresceria, pungente como um tumor, com toda certeza, like a rolling stone.

Suruba e carnificina na longa fila das refugiadas

Suruba e carnificina na longa fila das refugiadas

Por trás das estratégias de guerra prevalecia um front de insensíveis composto por boçais autoritários e por impotentes sexuais que não se assumiam como fracassados. O amor era apenas mais um daqueles sentimentos caros que tinham fugido do coração dos homens para destinos absolutamente desconhecidos.

Não confie em pessoas que tratam mal o garçom

Não confie em pessoas que tratam mal o garçom

O projétil atingiu o cadeirante no peito, trespassou pelo estreito espaço entre duas costelas do gradil costal, raspou a trave da aorta, tirou tinta do coração, saiu por uma brecha mole no dorso deixando uma loca onde bem caberia uma mão, ricocheteou na máscara-de-ferro de um cliente russo cuja face tinha sido devorada por um urso em Kiev durante a ocupação da Ucrânia e acabou acertando em cheio na minha testa, no justo instante em que eu estava prestes a terminar este texto.

Não insista: o bem não vence no final

Não insista: o bem não vence no final

A guerra começa. A guerra começa desde sempre. Desde que o homem perde a cauda e passa a se locomover sobre duas pernas. A evolução da espécie não compensa o enredo. A guerra começa desde cedo, antes mesmo de eu nascer, desde que eu nasci, justamente porque nasci e porque deixei de ser um menino. Maturidade é ruína.

Se não tomar um tiro pelas costas, a esperança será a última a morrer

Se não tomar um tiro pelas costas, a esperança será a última a morrer

Somos poucos, mas, somos unidos. Rapa de arroz queimado, grudado no fundo da panela de ferro. Carregamos no amargo da língua o sabor ferruginoso da poesia atemporal de um Carlos Drummond de Andrade. Seja como for, a gente só bate em mulher se for com flor. Porque, sem espinho, com carinho, se acaricia em redundância, em metáfora, em fantasia. Só a testosterona constrói. Isso é válido para os homens e para as mulheres.