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Do cineasta que driblou a indústria cinematográfica e construiu duas das franquias mais lucrativas da história, sequência de sucesso está no Prime Video Divulgação / Lionsgate

Do cineasta que driblou a indústria cinematográfica e construiu duas das franquias mais lucrativas da história, sequência de sucesso está no Prime Video

Instalado no norte da Tailândia, à beira do rio Salween, John Rambo (Sylvester Stallone) tenta manter uma rotina silenciosa e previsível em “Rambo IV”. Ele caça, conserta o próprio barco e evita qualquer conversa que envolva guerra. A distância da violência é uma escolha consciente, quase teimosa. Só que esse equilíbrio começa a ruir quando Sarah Miller (Julie Benz) e Michael Burnett (Paul Schulze) aparecem pedindo ajuda para chegar até aldeias afetadas pelo conflito na vizinha Birmânia.

Sarah não pede permissão como quem implora, mas como quem sabe que precisa insistir. Rambo recua de início, corta a conversa com respostas curtas e deixa claro que aquela travessia não é passeio. O rio não é só um caminho; é um filtro. Ele separa quem sobrevive de quem subestima o risco. Ainda assim, algo na firmeza de Sarah o faz ceder. Não é exatamente empatia, nem redenção. É mais um cálculo silencioso de que, se alguém vai levá-los, melhor que seja alguém que saiba o que está fazendo.

A travessia acontece sob tensão constante. Rambo reduz o motor em trechos mais perigosos, observa margens suspeitas e interrompe qualquer movimento desnecessário. Ele não explica muito, mas conduz tudo com precisão. Sarah tenta manter a esperança intacta, enquanto Michael começa a perceber que a missão humanitária depende de decisões muito menos idealistas do que imaginava. Quando finalmente chegam ao destino, Rambo os deixa ali e volta para seu isolamento, como quem fecha uma porta antes que ela volte a abrir.

Mas a guerra não respeita esse tipo de despedida.

Dias depois, o pastor Arthur Marsh (Ken Howard) surge com a notícia que muda tudo: os missionários foram capturados. Não há rodeio na informação, nem espaço para dúvida. Ele já reuniu dinheiro, já contratou mercenários, já organizou o que pôde. Falta alguém que conheça o caminho. Falta Rambo. O pedido não é emocional, é direto. E, dessa vez, Rambo não demora tanto para responder. Ele aceita — e vai além. Decide participar da missão.

O grupo de resgate, liderado por Lewis (Matthew Marsden), chega com postura de quem confia mais na força do que no silêncio. Rambo observa, mede cada um deles e assume o controle do trajeto sem pedir autorização formal. No rio, ele dita o ritmo. Interdita conversas, escolhe pontos de parada e corta qualquer tentativa de improviso. A missão agora tem prazo, e cada decisão afeta diretamente as chances de encontrar os reféns ainda vivos.

Quando deixam o barco e entram no território inimigo, o clima muda de forma palpável. O espaço se fecha, o som ganha peso, e qualquer passo mal calculado pode denunciar a presença do grupo. Rambo lidera o avanço com economia de gestos. Ele sinaliza, para, observa, recua quando necessário. Os mercenários seguem, mas nem todos com a mesma disciplina. Há tensão entre agir rápido e agir certo — e essa diferença começa a cobrar seu preço.

O confronto, quando chega, não surpreende. Ele apenas confirma o que já estava anunciado desde o início da missão. Rambo abandona qualquer tentativa de discrição e assume uma posição mais agressiva. Ele organiza o grupo, distribui funções e mantém o foco no objetivo: chegar até os capturados. Não há espaço para hesitação. Cada segundo conta, e cada erro pode custar mais do que alguém está disposto a pagar.

O resgate, quando finalmente acontece, não traz alívio. Sarah ainda mantém uma força impressionante, mesmo diante do que enfrentou. Michael já não tem a mesma resistência. O grupo precisa agir rápido. Rambo reorganiza tudo: quem carrega, quem cobre, quem avança. Ele encurta o tempo no local e impõe uma retirada contínua. Não é uma fuga desordenada, mas também não é limpa. É o tipo de saída possível.

O retorno ao rio funciona como uma linha de chegada provisória. Ainda há risco, ainda há perseguição, mas existe também um caminho de saída concreto. Quando o barco finalmente se afasta da margem, Rambo retoma o leme com a mesma precisão de antes. Só que agora há algo diferente: ele não está mais apenas passando. Ele se envolveu, decidiu, agiu, e pagou o preço disso.

E, no fim, não há discurso. Só o silêncio de quem sabe exatamente o que fez e por quê.

Filme: Rambo IV
Diretor: Sylvester Stallone
Ano: 2008
Gênero: Ação/Suspense
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★