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Barry Levinson, Tom Cruise e Dustin Hoffman: quando três gigantes do cinema se encontram e realizam filmaço ganhador de 4 Oscars, na Netflix Divulgação / United Artists

Barry Levinson, Tom Cruise e Dustin Hoffman: quando três gigantes do cinema se encontram e realizam filmaço ganhador de 4 Oscars, na Netflix

“Rain Man” acompanha Charlie Babbitt (Tom Cruise), um vendedor ambicioso e sempre no limite da paciência, que descobre após a morte do pai que quase toda a herança ficou com um irmão até então desconhecido. Esse irmão é Raymond (Dustin Hoffman), um homem autista que vive em uma instituição e segue rotinas rígidas, regras claras e um mundo muito próprio. A partir daí, Charlie decide se aproximar não por afeto, mas por interesse prático, acreditando que pode negociar parte do dinheiro que julga seu.

O filme avança quando Charlie tira Raymond da instituição e transforma a disputa financeira em uma viagem improvisada pelos Estados Unidos. Na estrada, tudo que Charlie faz para ganhar tempo ou dinheiro esbarra nos limites de Raymond, que não cede, não improvisa e não entende urgência do mesmo jeito. Levinson dirige com atenção aos gestos cotidianos, deixando claro que cada atraso, cada mudança de plano e cada pequeno conflito tem custo real. Nada anda rápido, e isso é parte essencial da experiência.

Dustin Hoffman constrói Raymond sem caricatura, sustentando o personagem na repetição, no silêncio e na previsibilidade, enquanto Tom Cruise faz de Charlie alguém inquieto, falho e frequentemente irritante, mas humano. A relação entre os dois não nasce de grandes discursos, e sim de negociações práticas: horários, refeições, deslocamentos e decisões mínimas que nunca são simples. Valeria Golino, como Susanna, funciona como ponto de observação externa, lembrando que nem tudo pode ser resolvido na base da insistência.

Há momentos de humor, quase sempre desconfortáveis, que surgem quando Charlie tenta acelerar o mundo e Raymond simplesmente não acompanha. O riso vem menos da piada e mais do choque entre expectativas. O filme nunca transforma isso em espetáculo fácil, preferindo mostrar como essas situações afetam o controle, o dinheiro e a autoridade de quem acha que pode dominar tudo.

Sem apelar para sentimentalismo óbvio, “Rain Man” aposta no desgaste do convívio e no tempo como força narrativa. O que começa como uma disputa por herança vai sendo atravessado por pequenas perdas de controle, ajustes forçados e mudanças de posição. O longa não deixa uma lição explicada em voz alta, mas a consequência prática de decisões tomadas na pressa, em uma história que entende que afeto não se impõe e nem se negocia como um contrato.

Filme: Rain Man
Diretor: Barry Levinson
Ano: 1988
Gênero: Drama
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.