Filmes

Um faroeste sem deserto — e com mais culpa do que pólvora (na Netflix) Divulgação / SPWA

Um faroeste sem deserto — e com mais culpa do que pólvora (na Netflix)

Entre falésias de Donegal e a violência dos anos 1970, “Na Terra de Santos e Pecadores” acompanha Finbar Murphy, matador cansado que tenta aposentar-se sem escapar do IRA. Robert Lorenz conduz a história com mão de produtor acostumado a Clint Eastwood, aposta em Liam Neeson e deixa o passado voltar em 1974 com um atentado que muda a caça. O texto aponta a frustração com a promessa religiosa do título, mas registra como o elenco e os detalhes de cena seguram o espectador até a conclusão.

Netflix: um porão, muitas versões e uma verdade que ninguém quer dizer em voz alta Divulgação / Netflix

Netflix: um porão, muitas versões e uma verdade que ninguém quer dizer em voz alta

A história acompanha uma escola para meninas em uma cidade sudita quando um incêndio misterioso no porão interrompe um dia escolar comum e empurra alunas e professoras para deslocamento sem orientação clara. A pergunta circula desde cedo, se foi acidente ou algo intencional, e o público precisa acompanhar essa dúvida enquanto a confusão ocupa corredores, salas e portas. A direção é de Khaled Fahed, com Alshaima’a Tayeb, Khairia Abu Laban e Adwa Fahad no elenco. No meio do desastre, a narrativa coloca as condições de vida das mulheres no país no mesmo espaço da crise, sem aliviar o trabalho de atenção de quem assiste.

No Prime Video, uma mãe tenta “fabricar” a filha perfeita — e o projeto vira terror doméstico Divulgação / Amazon Prime Video

No Prime Video, uma mãe tenta “fabricar” a filha perfeita — e o projeto vira terror doméstico

A ambição de Aurora Rodríguez Carballeira por uma maternidade “perfeita” conduz o filme de Paula Ortiz, que revisita uma história apagada após a Guerra Civil Espanhola. Criada com mãos de ferro, Hildegart surge como prodígio socialista, autora precoce e voz de ideias que atravessam “Sexo e Amor”. O roteiro acompanha o projeto de eugenia, a busca por um pai que não reivindique paternidade e o controle obsessivo da filha, até a virada em que a jovem passa a pensar por conta própria, precipitando o desfecho.

No Prime Video, um filme que mistura desejo, desconforto e aquela sensação de “tem algo errado aqui” Divulgação / Lionsgate

No Prime Video, um filme que mistura desejo, desconforto e aquela sensação de “tem algo errado aqui”

Erotismo não é festa, mas o fluido que azeita a engrenagem das relações, frio e mecânico. Estreando precocemente na direção, o ator e modelo Damian Hurley, 21 anos, está verde ainda para saber que o gozo é sempre eivado de hipocrisia, com parceiros lutando contra o arquétipo de imundície e corrupção e ávidos por ideais de pureza que nunca hão de existir. “Estritamente Confidencial” é um exemplo claro de filme que chama atenção menos pela história que pelas notas de rodapé.

Cansado da realidade? A Netflix entregou um conto de fadas com passaporte Divulgação / Hallmark Channel

Cansado da realidade? A Netflix entregou um conto de fadas com passaporte

A história não espera: Maggie embarca de última hora para a Europa e, já no caminho, conhece Adrian e entra no romance antes de medir o peso do que ele carrega. Quando a informação chega, ela descobre que Adrian não é um simples europeu, mas um príncipe prestes a ser coroado. A relação passa a depender de agenda, acesso e conversa, porque a rainha se coloca contra o envolvimento do filho com uma plebeia. O drama romântico segue esse corredor estreito e cobra do público tempo de espera para ver o casal insistir no mesmo conflito, com pequenas mudanças de posição.