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O poeta maldito que fez o país cantar e morreu esquecido aos 47 anos: a tragédia de Sérgio Sampaio

O poeta maldito que fez o país cantar e morreu esquecido aos 47 anos: a tragédia de Sérgio Sampaio

Entre uma janela mal fechada em Santa Teresa e um palco que ainda ressoa, a vida de Sérgio Sampaio atravessa pensões, estúdios de lâmpada quente e mesas de bar onde o convite cabe no verso de um guardanapo. Há um refrão que o país adotou e há canções guardadas em cozinhas, corredores, fitas. A história corre por dentro de censuras miúdas, de vendas tímidas, de plateias pequenas, e insiste em ficar. Quando a cidade se silencia, a marcha retorna, baixa e precisa, chamando de novo o bloco para a rua.

Leia isto para se tornar um escritor genial

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É possível estudar a literatura, mas ensinar alguém a escrever é uma questão mais complexa e controversa. Oficinas literárias são agradáveis ocasiões sociais, em que um número reduzido de pessoas criativas se encontra para trocar experiências em um ambiente apropriado. Tais eventos contribuem para que a literatura continue a despertar interesse e, se possível, nunca desapareça de nossas vidas, com sua incessante oferta de algo mais.

A aristocracia do nada: Paulo Emílio e a ficção paulista

A aristocracia do nada: Paulo Emílio e a ficção paulista

Em 1977, surgiu um livro inesperado na cena literária brasileira. A narrativa era um bicho estranho, porém familiar, para seus primeiros leitores. Estranho porque parecia deslocado na trajetória do mais renomado crítico e pensador do cinema nacional. O tom familiar vinha de sua escrita, ainda que inédita na ficção, que carregava o mesmo rigor analítico e a mesma ironia de seus ensaios sobre cinema e sociedade.

No dia em que completou 36 anos, ela decidiu que não haveria mais manhã seguinte. Antes, escreveu a própria tragédia

No dia em que completou 36 anos, ela decidiu que não haveria mais manhã seguinte. Antes, escreveu a própria tragédia

Filha ilegítima num país em convulsão, Florbela Espanca cresceu entre silêncios e salas de visitas que mediam cada gesto. Estudou, casou-se três vezes, divorciou-se quando isso custava reputação, escreveu do corpo e pagou o preço. Perdeu o irmão, enfrentou consultórios e noites em claro, sustentou a própria voz numa república instável e sob a sombra que antecedeu o Estado Novo. No aniversário de 36 anos, em Matosinhos, escolheu o fim.

Ela foi a primeira mulher a vender 100 mil discos de samba. Venceu a fome e o machismo. Morreu aos 40 anos, de forma absurda

Ela foi a primeira mulher a vender 100 mil discos de samba. Venceu a fome e o machismo. Morreu aos 40 anos, de forma absurda

Em 1983, o Brasil aprendeu a esperar à porta de um hospital e, com a notícia, ganhou um silêncio que ainda marca o peito. Esta crônica acompanha Clara Nunes da infância em Paraopeba à consagração no Rio, atravessa quadras, estúdios e televisão, visita a clínica, o velório na Portela e o rastro que ficou na música e na vida comum. Sem mitificar, nomeia feridas, gestos e decisões de som. O resultado é um retrato com rito, respeito e futuro, atento ao país que ela afinou.