Autor: Lara Brenner

O espírito não carrega excesso de bagagem. Tudo o que não servir mais, jogue fora

O espírito não carrega excesso de bagagem. Tudo o que não servir mais, jogue fora

Não sei você, mas tem hora que me sinto meio intoxicada. Abro as gavetas e só vejo bagunça, reparo um trincado feioso no vidro do celular, futrico as maquiagens e descubro que várias já passaram da data de validade. Esbaforida, percebo que o relatório prometido para a sexta passada está atrasado — de novo! — e que a visita ao centro de caridade que me comprometi a fazer acabou ficando para o mês que vem.

A insuportável presença de sua ausência

A insuportável presença de sua ausência

Tento me regozijar com o fato de que você já esteve aqui, mas isso só traz cólera e veneno. Antes não tivesse estado. Antes jamais tivesse me afundado nessa mescla de seda, e perfume, e faca, e fogo. Antes eu tivesse saído de perto, porque descobri a aniquiladora imortalidade em você. A imoralidade da imortalidade: talvez seja um bom livro.

Ode às humildes paroxítonas

Ode às humildes paroxítonas

Paroxítonas são a grande parte das palavras da Língua, força poderosa que define quase tudo o que dizemos e escrevemos. Imenso conjunto, mas pouco unido, plebe rude e talentosa que volta e meia abre mão de seus direitos em prol de oxítonas blasés (essa inodora classe do meio) e áticas proparoxítonas (essas políticas idílicas no Congresso do nosso léxico).

Como funcionam os neurônios de um apaixonado

Como funcionam os neurônios de um apaixonado

Gosto de beijar o canto do seu nariz, na junção com as bochechas. Você ri. Sabe que esse é nosso código de nada. É só um jeito que inventamos de passar o tempo diferentemente dos outros casais. Você franze o nariz, a gente brinda com um vinho quase bom, enquanto zomba do novo estagiário do seu trabalho e de como ele acha que a vida é séria.

A dor e a delícia de ser mulher

A dor e a delícia de ser mulher

Ser mulher é ouvir com abraço, sorrir com olhos, chorar com espírito e sonhar com ação. É franzir o cenho pra enxergar o que o outro tem de melhor, e a ele estender a mão (ainda que nem sempre a mereça). É ser inacreditavelmente leve, mas carregar um piano de culpa nas costas, movendo montanhas para tornar mais fácil o fardo do irmão.

Se você tem de 20 a 30 anos, este texto é pra você

Se você tem de 20 a 30 anos, este texto é pra você

De repente, as velinhas de seu aniversário não começam mais com o algarismo 1. Acabou, meu bem. Se tiver sorte, poderá voltar a ver tal número nessa posição quando completar 100 anos. Para isso, evite as drogas, procure dormir oito horas por dia e fuja do stress. Ou não faça nada disso, já que Keith Richards está aí para desmentir os médicos e sambar sobre a cautela, afinal. Passar dos 20 aos 30 é atravessar uma corda bamba a equilibrar um bocado de coisas importantes sobre braços, ombros e costas. A gente só mergulha nessa travessia porque não sabe direito o que tem do outro lado, mas é provável que as escolhas mais decisivas da vida sejam feitas nesse período.