Autor: Giancarlo Galdino

A Netflix entrega uma parábola amarga: gente nova compra, gente velha some — e ninguém sai ileso Divulgação / Netflix

A Netflix entrega uma parábola amarga: gente nova compra, gente velha some — e ninguém sai ileso

Entre prequel e reboot, “O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno de Leatherface” ecoa “O Massacre da Serra Elétrica” e “Halloween — A Noite do Terror”, defendendo a parte mais frágil, ainda que monstruosa. Sally Hardesty caça a criatura que a marcou quase cinquenta anos antes, enquanto Melody, Lila e Dante chegam a Harlow com influenciadores e despertam indignação local. A expulsão de Leatherface e da mãe aciona ódio, identidade e barbárie, num terror que usa gentrificação e maniqueísmo como motor.

Na Netflix, a paranoia nuclear vira entretenimento — e é impossível assistir sem pensar no mundo real Divulgação / Netflix

Na Netflix, a paranoia nuclear vira entretenimento — e é impossível assistir sem pensar no mundo real

Ambientado no atrito entre as duas Coreias e na sombra da Guerra Fria, “Steel Rain” parte de um atentado e encena o risco de uma debacle nuclear. Yang Woo-seok adapta sua webtoon com mão firme, mas sem oferecer grande proveito além do próprio longa, sustentado pela dupla Jung Woo-sung e Kwak Do-won. Entre reviravoltas, diferenças de vida no Norte e no Sul e uma relação forçada entre inimigos, o filme aciona sátira sociopolítica em chave de soft nonsense e exibe a excelência técnica do cinema sul-coreano.

Jason Momoa e Dave Bautista viram irmãos — e o Prime Video explora o caos emocional disso Divulgação / Amazon Prime Video

Jason Momoa e Dave Bautista viram irmãos — e o Prime Video explora o caos emocional disso

Irmãos brigam por miudezas e por motivos que transcendem a razão, encarados por quem está de fora como algo passageiro. Às vezes, a maturidade empalidece um tanto as memórias lembranças amargas de uma convivência difícil, mas há questões que custam a serenar e voltam como tormentas impiedosas, como se assiste em “Dupla Perigosa”. O diretor Ángel Manuel Soto acerta ao ver problemas de família juntando um par de adoráveis brucutus, parceria rica em nuanças.

Adrian Brody em modo Travis Bickle: a Netflix tem um personagem que não sabe viver sem guerra Divulgação / IFC Films

Adrian Brody em modo Travis Bickle: a Netflix tem um personagem que não sabe viver sem guerra

“Passado Violento” acompanha um homem que tenta viver do modo mais singelo, mas volta a ser assombrado por traumas e rancores até cair de novo no mesmo calabouço. Dirigido por Paul Solet, o longa é também um projeto afetivo de Adrian Brody, que assume múltiplas funções e dá vida a Clean, lixeiro de Utica, em noites frias e escuras. O passado permanece enigmático, e a busca por respostas desemboca num segundo ato de confronto com o gângster Michael, em nome de Dianda.

Robert Pattinson em dois registros opostos: a HBO Max tem a atuação mais inquieta do último ano Divulgação / Warner Bros.

Robert Pattinson em dois registros opostos: a HBO Max tem a atuação mais inquieta do último ano

Bong Joon-ho, já consagrado por “Parasita”, retoma a veia de distopia social e aproxima “Mickey 17” de “Expresso do Amanhã” e “Okja”. Em Niflheim, ultrarricos financiam a colonização enquanto pobres viram material descartável, vivendo e morrendo conforme o talante dos colonizadores. A narrativa acompanha Mickey Barnes, sua cópia Mickey 18 e o romance com Nasha, até expor o desprezo do bilionário Kenneth Marshall. Entre camadas de reflexão e linguagem visual, o filme aposta na contundência.