Autor: Giancarlo Galdino

O filme “esquecido” de Steven Spielberg que deveria ser obrigatório está na Netflix Divulgação / DreamWorks Distribution

O filme “esquecido” de Steven Spielberg que deveria ser obrigatório está na Netflix

Entre a denúncia histórica e a inquietação moral, “Amistad” investiga uma quadra nebulosa dos Estados Unidos ao acompanhar Cinque, o insurgente levado ao tribunal. Steven Spielberg retoma argumentos de “A Lista de Schindler” para aproximar escravidão e Holocausto, e deixa o espectador preso às engrenagens do poder, da religião e da política. Quando os bastidores da Suprema Corte de 1839 aparecem, o filme ganha novas camadas, reforçadas por Anthony Hopkins como John Quincy Adams.

Mark Ruffalo e Julia Roberts em um drama que parece grande demais pra ser “só um filme” — na HBO Max Divulgução / HBO Max

Mark Ruffalo e Julia Roberts em um drama que parece grande demais pra ser “só um filme” — na HBO Max

Homens fomos muito mais donos do mundo até meados dos anos 1980. Foi nessa quadra da História que uma inimiga sorrateira, cínica, perversa chegou para ficar, minando a resistência de marmanjos bem instalados em vidas frenéticas, de festas regadas a álcool, drogas e, claro, sexo livre. Por essas e muitas outras, relatos como o que Ryan Murphy faz em “The Normal Heart” continuam vigorosos, revelando um drama que a humanidade foi superando a custo, mas que nem por isso deixa de doer.

Prime Video tem um drama histórico que parece inocente… até te esmagar na última meia hora Divulgação / Amazon Studios

Prime Video tem um drama histórico que parece inocente… até te esmagar na última meia hora

Manchester, uma cidade fabril no noroeste da Inglaterra, testemunhou a pletora de profundas mudanças que sacudiram o planeta após a Revolução Industrial (1760-1840), um dos assuntos que o criterioso Mike Leigh esgrime em “Peterloo”. Em 154 minutos, o diretor-roteirista joga luz sobre um episódio fundamental para a consolidação dos direitos da classe trabalhadora, deixando para o final a sequência que justifica o longa e reafirma seu pessimismo diante das escolhas que temos feito.

O filme de suspense de terror na HBO Max que usa sangue para falar de vazio existencial Divulgação / Destination Films

O filme de suspense de terror na HBO Max que usa sangue para falar de vazio existencial

Jovens orbitam num campo de emoções selvagens, a oscilar entre euforia, brandura e medo, numa fome inconsciente de poder captar o mundo que os rodeia. Guardadas as devidas proporções, é disso que trata “O Palhaço no Milharal”, um slasher típico, mas estilizado, sobre ameaças fantasiosas e bem concretas. Aqui, Eli Craig volta a exercitar a vocação tragicômica que o consagrou em “Tucker e Dale Contra o Mal” (2010), propondo um circo de horrores cujo picadeiro é ocupado por gente de pouca idade e muitas dúvidas.

Na Netflix: 108 minutos em estado de alerta — e você nem percebe que está prendendo a respiração

Na Netflix: 108 minutos em estado de alerta — e você nem percebe que está prendendo a respiração

Uma enfermeira inglesa, Lib Wright, chega a um cenário de miséria e fome para vigiar Anna O’Donnell, celebrada como milagre. A proximidade entre as duas transforma o que parecia etéreo em palpável, enquanto a confusão entre guardar a fé e servir propósitos nada ingênuos cresce ao redor. Baseado no romance de Emma Donoghue, o filme reúne misticismo, religião e a pergunta sobre como Deus se apresenta — e como certos homens O veem.