Autor: Giancarlo Galdino

A sensação é de estar dentro de uma peça: Beckett como referência e 108 minutos de pressão psicológica na Netflix Divulgação / Yannis Drakoulidis

A sensação é de estar dentro de uma peça: Beckett como referência e 108 minutos de pressão psicológica na Netflix

A partir da inadequação do homem diante do mundo e da busca por autoconhecimento, o ensaio descreve como o medo do futuro pode virar paranoia e alimentar enredos de exílio e impotência. Essa chave conduz a leitura de “Beckett”, conectando o filme ao dramaturgo Samuel Beckett e ao teatro do absurdo, com menção direta a “Esperando Godot”. O texto comenta a homenagem no roteiro, a dupla Beckett e April, e a caçada na Grécia, destacando o incômodo com a violência contra um forasteiro negro.

Você termina em silêncio: a “aula de história” mais pesada escondida no catálogo da Netflix Divulgação / Focus Features

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Da reflexão sobre prisões íntimas e o corpo que se rebela, o ensaio chega aos Estados Unidos e ao legado de Harriet Tubman. A crítica mostra como “Harriet” (2019), dirigido por Kasi Lemmons, resgata uma vida pouco conhecida e reposiciona a ativista como símbolo da cidadania afro-americana. O texto comenta a transformação de Minty em Harriet, destaca a performance de Cynthia Erivo e aponta dúvidas do roteiro sobre relações e motivações. A fuga de Maryland à Filadélfia e a missão de libertar mais de trezentos escravizados fecham o arco.

Você vai pelo visual… e sai impactado: o épico da Netflix que vira aula de história sem ser chato Divulgação / Lionsgate Entertainment

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Partindo de uma meditação sobre o tempo e o apagamento dos injustiçados, o texto aproxima História, solidão e rebeldia para entrar em “Pompeia”. A crítica destaca Milo, celta escravizado, e a abertura com Plínio, o Jovem, como moldura para a revolta e o cativeiro no Império Romano. Aponta imagens de lirismo sombrio, compara uma cena a Lars von Trier e, no fim, elogia a arena entre Milo e Atticus, ao mesmo tempo em que lamenta o desastre relegado.

Rir foi o primeiro engano: essa comédia de terror no Prime Video te pega quando você baixa a guarda Robert Viglasky / Premium Plus Entertainment

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Se o nascimento do Salvador não é capaz de redimir as almas impuras, com o fim dos tempos nada mais sobra, mau ou bom, e tudo pode, afinal, ser refeito, ideia que flutua nas entrelinhas de “A Última Noite”, um terror bem-humorado, quase leve, sobre as hipocrisias das relações. Camille Griffin compõe um filme ágil, perspicaz, que em pouco mais de hora e meia apresenta a máscara de seus personagens derretendo sob o calor de uma nuvem tóxica que cresce.

Você vai pensar nele depois dos créditos: a adaptação de livro vencedor do Pulitzer no Prime Video que deixa cicatriz Divulgação / 2929 Productions

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Em “A Estrada”, John Hillcoat adapta o romance de Cormac McCarthy mantendo seu niilismo e a recusa de explicar o apocalipse. O roteiro de Joe Penhall evoca o pós-11 de Setembro ao seguir um pai viúvo e o filho pela América, fugindo de canibais e de uma paisagem de escombros e fuligem. Viggo Mortensen e Kodi Smit-McPhee sustentam a travessia, enquanto Charlize Theron surge em flashbacks e a fotografia de Javier Aguirresarobe pinta o mundo cor de chumbo.