Autor: Enio Vieira

A ambição pernambucana: Adelaide Ivánova, Kleber Mendonça Filho e Chico Science

A ambição pernambucana: Adelaide Ivánova, Kleber Mendonça Filho e Chico Science

Há algo muito diferente na cultura contemporânea de Pernambuco. Já faz tempo que a turma de lá gira em outra rotação — vários passos à frente do restante do país. É de lá que sai o melhor cinema (Kleber Mendonça Filho, Gabriel Mascaro, Marcelo Gomes, Cláudio Assis). O meteoro João Gomes renova a sonoridade do forró, a música de vaqueiro, e se aproxima do rock nacional e da MPB. Ele resgata o espírito de Chico Science, que viu a potência de desorganizar e reorganizar a cultura.

Centenário de Rubem Fonseca

Centenário de Rubem Fonseca

Há escritores que se impõem pelo estilo da escrita. Outros são reconhecidos pela contundência do mundo que expõem. Rubem Fonseca pertence às duas categorias, e talvez a mais uma terceira: a dos autores que, mais do que testemunhar a transformação de seu tempo, moldam suas imagens e contradições. No centenário de seu nascimento, o lugar que ocupa na literatura brasileira continua envolto por tensões.

Twin Peaks e a invenção das séries modernas

Twin Peaks e a invenção das séries modernas

No começo, parecia só mais uma história policial para a televisão norte-americana no ano de 1990. Uma cidadezinha no noroeste dos Estados Unidos, uma jovem assassinada, um agente federal excêntrico encarregado de resolver o crime. Tudo em “Twin Peaks”, a princípio, poderia ser confundido com um enredo de mistério tradicional. A trama clássica para desvendar a identidade do assassino, a pergunta insistente que a narrativa faz para prender a atenção dos leitores ou, no caso, dos telespectadores.

O pensamento rápido e o devagar de Tati Bernardi

O pensamento rápido e o devagar de Tati Bernardi

A produção cultural passa por um período em que a literatura parece ter baixado o TikTok. Isso porque o mundo digital alterou o modo como escrevemos e lemos. Assim embaralhou critérios pelos quais julgamos as obras literárias feitas hoje. A linguagem veloz das redes sociais, da internet, invadiu o terreno da ficção, obrigando crítica e leitores a recalibrar os seus instrumentos de leitura. Quem ainda lê com régua antiga pode não perceber que existe um método no caos e no falatório digital.

Além das listas: a literatura na era digital do novo Brasil

Além das listas: a literatura na era digital do novo Brasil

A recente publicação da lista dos 25 melhores livros brasileiros do século 21 pelo jornal “Folha de S. Paulo” provocou um burburinho típico do nosso tempo. As indignações, os comentários precipitados, os rankings alternativos no X e o já tradicional “ninguém leu, mas todo mundo opinou”. Não era só uma lista colocada no debate público, mas também um diagnóstico, ainda que involuntário, de onde estamos culturalmente. A lista mostrou o que se escreve, como, quem escreve, lê e se sente autorizado a julgar.