Autor: Eberth Vêncio

Gabinete do amor

Gabinete do amor

Notícia boa se criava. Nos últimos tempos, prestava-me a certos monoelismos. De me pegar escrevendo poesia. De cogitar brincadeiras com os barros da minha meninice. De encardir a roupa com terra. De tomar ralhos da chuva. De escutar de novo a minha jovem mãe gritando pela janela sai-da-chuva-menino-que-você-vai-se-gripar. Nunca mais me gripei por inocência.

Uma temível frente fria avança por dentro da gente

Uma temível frente fria avança por dentro da gente

Cada qual exercita o humanismo da forma que consegue. Creio que esse desfazimento interior tenha uma justificativa plausível. Assim como as palavras ríspidas ditas sem cuidado e os afagos negligenciados sem escrúpulos com o futuro. Assim como a noite de ontem, a manhã de hoje e o porvir que ninguém garante se realmente virá. Ninguém sabe de mim, do outro ou de si mesmo. Todos se acham, mas, na prática, ninguém anda se encontrando. Parei de sentir e isso é tudo. Nada que seja da sua conta, por suposto.

O mundo é um hospício

O mundo é um hospício

Atribui-se esta frase a Albert Einstein. Para não cometer mais uma gafe, perguntei a Dona Fiinha, pesquisei na internet, mas, não encontrei nenhuma fonte segura que atestasse a sua veracidade. Portanto, pelo menos por hora, até que alguém me desminta e me envergonhe, será uma frase atribuída a ninguém. Coisas de domínio público. Feito o medo da morte.

Estamos por nossa conta e risco

Estamos por nossa conta e risco

Estamos por nossa conta e risco. Põe os teus discos para tocar. 33 rotações por minuto. Por favor, dá-me tua mão. Os objetos da sala estão a girar. E eu que julgava ser o sol. Deve ser por causa do merlot, do Rivotril ou da droga da labirintite.