Autor: Adalto Alves

Os romances espelhados de Natalia Ginzburg

Os romances espelhados de Natalia Ginzburg

A cronologia não há de ser um problema incontornável, mas a leitura de “Todos os Nossos Ontens” calhou de ser anterior ao “Léxico Familiar”, representantes da escrita colorida da italiana Natalia Ginzburg. Pela ordem dos fatores, “Léxico Familiar” deveria ter tido a primazia do primeiro encontro. Lançado em 1958, ele antecede “Todos os Nossos Ontens” em exata meia década. Não se trata de uma linha evolutiva imprescindível para o sabor da descoberta. O sentido da viagem não altera a efusão do movimento.

O melhores livros lidos em 2023 (Adalto Alves)

O melhores livros lidos em 2023 (Adalto Alves)

Este ano eu basicamente recuperei o prazer da leitura. E dei uma boa arrancada no segundo semestre. A rotina profissional obriga a visita diária aos jornais, aos sites de informação, às redes sociais. Então chegaram as newsletters. Com destaques para literatura, música e cinema. Pessoas que gostam de ler escrevendo sobre seus processos de escrita acabam somando percepções relevantes. Fiquei um pouco mais atento aos lançamentos, principalmente os nacionais. Abri um pouco mais os olhos para autores vizinhos da América Latina.

Emmanuel Carrère: o verdadeiro terror é a falta de sentido

Emmanuel Carrère: o verdadeiro terror é a falta de sentido

Depois que li “Ioga”, de Emmanuel Carrère, dei de cara com três livros dele no sebo. A leitura de “Ioga” foi incentivada por algumas newsletters. Fiquei com a impressão de que todo mundo se derreteu por essa narrativa. Os livros que trouxe pra casa são “Limonov”, “O Reino” e “Outras Vidas que Não a Minha”. Imagino que seja uma boa introdução. Embora esteja na hora de intercalar Emmanuel Carrère. Dar uma pausa antes de encarar os títulos que me esperam. Surfar na onda deste francês é complicado por um desgaste causado na emoção.

Na estrada com os detetives de Roberto Bolaño

Na estrada com os detetives de Roberto Bolaño

“Os Detetives Selvagens” é um romance existencialista. Os personagens estão meio à deriva. Eles não sabem exatamente o que fazer ou para onde ir, que direção imprimir à existência. O que não seria, assim, muito grave, se eles fossem europeus. Ser existencialista no velho mundo tem certo charme decadente. Duro é ser existencialista ou algo que o valha na América Latina. O charme deixa de ser decadente para se tornar suicida.