10 evidências históricas que provam que o Corinthians é o maior clube de futebol que já existiu no Brasil

10 evidências históricas que provam que o Corinthians é o maior clube de futebol que já existiu no Brasil

Engana-se quem pensa que o futebol não pode ser um instrumento transformador da sociedade. Como em qualquer outro esporte, nele há espaço para manifestações de todo tipo. Seja na comemoração de um gol, no canto de uma torcida organizada, no luto por alguém importante no cenário nacional ou em qualquer uma das várias formas de expressão que acabam se tornando oportunidades de conscientização, o futebol sempre amplia a voz do povo e a leva mais longe. Pioneiro em ser mais do que simplesmente um clube de futebol, o Sport Club Corinthians Paulista, fundado no dia 1º de setembro de 1910, representa o Brasil mais do que qualquer outro, e a sua história é semelhante à dos grandes vencedores.

Fundado por cinco operários e tendo como campo principal um depósito de lenha, o Timão tem suas raízes fincadas na classe popular, e não à toa tem uma torcida “maloqueira e sofredora”, chamada de Fiel. Ao longo de sua trajetória, desde a primeira vitória sobre o Estrela Polar até os dias atuais, o alvinegro construiu uma gigantesca bagagem de glórias, reunindo todos os principais títulos nacionais e internacionais que se pode almejar. Em homenagem à data de seu aniversário, reunimos aqui os 10 motivos que levam o Todo Poderoso Timão a ser, sem sombra de dúvida, o maior time da história do Brasil.

A hegemonia regional

Para começar a lista, há que se ter a noção de que a construção de um grande time começa em seu próprio território. Nesse sentido, o Corinthians tem como carta de apresentação o maior número, disparado, de conquistas regionais entre os clubes paulistas. É preciso lembrar que, no passado, os times davam mais valor aos regionais que à própria Libertadores da América. E o Campeonato Paulista, indiscutivelmente, é um dos mais disputados e difíceis. Basta ver o grande número de times que figuram na série A e disputam o título do estado. Além disso, o Corinthians é também o time com mais conquistas isoladas do Torneio Rio-SP, ampliando sua base territorial de vitórias e demonstrando o seu apreço pelo domínio.

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A maior torcida do país

Sem querer contrariar as pesquisas, todos sabem a verdade: em questão de torcedores de um único clube, a torcida do Corinthians é a maior do país. A diferença quantitativa para a torcida do Flamengo se dá porque muitos torcedores, notadamente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, dividem seu coração entre o clube da cidade e o que foi imposto pelos veículos de comunicação — principalmente a partir da década de 1980. Isso é tão verdade que, no Sudeste, o Corinthians lidera com tranquila folga em números absolutos. Mesmo considerando aqueles torcedores que poderíamos chamar de “mistos”, a pesquisa mostra praticamente um empate técnico entre os dois clubes no que diz respeito à quantidade de torcedores. Porém, independente da controvérsia, a massa corinthiana, imensa no Brasil, chega a superar a soma dos rivais Palmeiras e São Paulo em número de torcedores no estado. É um colosso de torcida, que faz qualquer rival tremer quando ela empurra o Timão para as vitórias, onde quer que seja.

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A maior quantidade de títulos nacionais

Em se tratando de Brasil, o Corinthians é simplesmente avassalador. O mais interessante é que até 1990, quando ganhou do São Paulo em pleno Morumbi, naquela final histórica, o Corinthians não tinha nenhum Campeonato Brasileiro. Contudo, a partir daquele emblemático título, o time se acostumou a vencer e não passou mais nenhuma década sem conquistar pelo menos um título nacional. São sete no total, sendo um bicampeonato em 1998 e 99. Além desse feito, o time detém ainda três títulos da Copa do Brasil e uma Supercopa. Ao todo são 11 títulos, o que o deixa atrás apenas do Palmeiras, que conseguiu aumentar seus títulos após o reconhecimento das edições antigas, com poucos jogos, e tendo um curioso bicampeonato brasileiro do mesmo ano. Quando se fala de títulos desde a unificação, o Corinthians é o maior. E não há o que discutir sobre isso.

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A invasão corinthiana no maracanã

Como desdobramento óbvio de ter a maior e mais fanática torcida, o Corinthians marcou o futebol com a maior invasão da história nacional em um estádio rival. Isso ocorreu em 5 de dezembro de 1976, em uma partida válida pela semifinal do Campeonato Brasileiro daquele ano. Incríveis 70 mil torcedores — isso mesmo, você não está lendo errado! — saíram de São Paulo rumo ao Rio de Janeiro para apoiar o Timão contra o Fluminense. Com uma frota inacreditável nas ruas, foi necessária inclusive uma operação do DETRAN para viabilizar o fluxo de corinthianos. A invasão ao Maracanã deu certo, e o resultado foi o esperado: o Corinthians chegou à final, com o peso de 22 anos de jejum, após passar sofridamente pelos pênaltis. Se não fosse assim, não seria o Corinthians.  

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O primeiro Campeão Mundial da FIFA

Em 2000, após dois anos dominando o cenário brasileiro e sendo bicampeão nacional, o Corinthians foi convidado a participar como time da casa no primeiro Mundial de Clubes organizado pela FIFA. Contando com os poderosos Manchester United e Real Madrid, era a primeira vez que haveria uma fórmula de chaveamento antes do mata-mata, possibilitando uma maior credibilidade ao campeão e conferindo uma maior legitimidade, por contar com clubes campeões de todo o globo. Após passar em primeiro lugar no grupo que tinha nada menos do que o Real Madrid, o Corinthians se creditou à final e, novamente no Maracanã, conquistou mais um feito na disputa de pênaltis: sagrou-se o primeiro campeão mundial com a organização e o aval da FIFA, feito que repetiria mais tarde, em 2012, na final contra o imenso Chelsea. Definitivamente, algo assim não é para qualquer um.

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Corinthians 10×1 Tiradentes

Pelo Campeonato Brasileiro de 1983, o Corinthians simplesmente aplicou a maior goleada da história do campeonato brasileiro. Um time que se preze, aspirante a maior do país, necessariamente precisa ter em sua coleção uma indiscutível goleada em cima de algum adversário. Não contente em ser detentor de tantos sacodes históricos, o Timão é o recordista dos Campeonatos Brasileiros com o resultado desse jogo, que curiosamente venceu de virada. Isso mesmo. O Tiradentes saiu na frente do marcador no Canindé, com um gol aos 18 minutos de jogo. Mesmo assim, a virada veio, com um atropelo frenético que ainda contou com inacreditáveis 4 gols do craque e doutor Sócrates. Mais um feito para a lista do Poderoso Timão.

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O fator Sócrates

Que clube no Brasil contou com o talento de um craque do quilate de Sócrates? O ídolo da Fiel torcida não era apenas um jogador, mas figurava como a entidade máxima do clube. Com um futebol primoroso, um calcanhar abençoado e o espírito do verdadeiro futebol brasileiro encarnado em seu corpo, o doutor só não fez chover pelas bandas do Parque São Jorge. Por essas e outras, o jornal britânico “The Guardian” o elegeu como um dos seis esportistas mais inteligentes da história. Depois de Pelé, seguramente, Sócrates foi o mais talentoso e completo jogador do futebol nacional. E ainda participou do movimento político mais importante da história do esporte, com as cores do Timão. Mais isso é conversa para daqui a pouco.

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A invasão corinthiana ao Japão

Como se não fosse suficiente ter organizado a maior invasão do futebol nacional, o Timão partiu rumo ao cenário internacional. Em seu mágico ano de 2012, em que conquistou a Libertadores da America, a torcida mais fanática do Brasil resolveu repetir o feito de 1976 e seguiu o time rumo ao Japão, no histórico confronto contra o Chelsea em que o Corinthians se sagrou bicampeão do mundo. O feito, por si só, já seria suficiente para um tópico. Porém o bando de loucos simplesmente deu um show à parte no antípoda do Brasil. Com cerca de 30 mil fanáticos, que empurraram o time do primeiro jogo ao título histórico, a massa corinthiana gravou seu nome na história e impressionou a CNN e a FIFA, que fizeram reportagens sobre mais esse incrível feito.

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Uma Libertadores em cima do Boca Juniors

O número de equipes brasileiras que ganharam uma Libertadores da América é restrito e bastante seleto. Mas uma Libertadores em cima do Boca Juniors apenas o Santos de Pelé, na longínqua década de 60, conseguiu. Além, é claro, do Todo Poderoso Timão. Com dois jogos emocionantes e um gol fantástico de Romarinho em plena Bombonera, o Corinthians se sagrou campeão invicto do maior torneio sul-americano e, de quebra, credenciou-se para a histórica final com o Chelsea, no Mundial daquele ano. Era o casamento perfeito: o maior do Brasil vencendo o maior torneio das Américas. Para consagrar a tríplice coroa, o Timão ainda bateu o São Paulo na final da Recopa e se consolidou como bicho-papão de finais internacionais. Até agora, teve zero derrotas nelas.

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A Democracia Corinthiana

O início dos anos 1980 no Brasil foi palco de um movimento importantíssimo dentro das quatro linhas, em que um time de futebol expressava, por meio de um senso comum coletivo, o que seria uma poderosa vitrine para os acontecimentos políticos do país. Parecia coisa do destino. O universo reuniu, em um mesmo grupo, jogadores ligados por um propósito inovador e diferenciado. Imaginar que, em um mesmo grupo, lideranças como Sócrates, Casagrande, Wladimir e Zenon poderiam instaurar uma nova forma de organizar a vida futebolística de um clube era bastante surreal. E as conspirações para esse acontecimento passavam até mesmo pelos comandantes do Timão. O novo presidente, Waldemar Pires, assumiu em 1981 e colocou no cargo de diretor de futebol Adilson Monteiro Alves, que simpatizava com as ideias dos jogadores, que desejavam um ambiente mais saudável para as pretensões coletivas e individuais. Pode-se mesmo falar que era uma gestão democrática. No Corinthians, os bichos eram divididos entre todos — do roupeiro à lavadeira, do artilheiro ao reserva que não entrava. Todas as decisões tomadas passavam pelo voto de cada um deles, em um ambiente que valorizava as opiniões de cada integrante. A concentração para os jogos era opcional. Assim também era o modo de encarar a vida pessoal: até mesmo a bebida era liberada no ambiente do clube. Esse modo de encarar o dia a dia do time possibilitava haver, em um clube de futebol, um cotidiano diametralmente oposto ao vivido pelo restante do país na época do regime militar, mesmo que àquela altura já enfraquecido e em transição para o governo civil. 

Um dos destaques era a exibição de recados nas camisas dos jogadores. Havia um cuidado na forma de passar esses comandos ao público, já que o Corinthians estava se consolidando como grande clube brasileiro e a conscientização dos populares deveria ser cirúrgica e direta. Um exemplo era o próprio slogan “democracia corinthiana”, que usava a mesma fonte tipográfica que a maior empresa de refrigerantes da época utilizava em sua marca, sendo uma forma de mexer subliminarmente com o inconsciente do torcedor. Até mesmo as escalações eram definidas democraticamente: o próprio grupo decidia quem iria jogar e quem poderia ser contratado pelo clube.

Ganhar ou perder, mas sempre com democracia

Essa relação pactuada rendeu frutos ao Timão dentro e fora de campo. Nos anos de 1982 e 1983, o time sagrou-se bicampeão Paulista, e foi vice em 1984. Mas um dos grandes legados dessa conjuntura foi a amplificação da necessidade de democracia para toda a sociedade. O que acontecia no Corinthians era um alento para os brasileiros da época. Era a demonstração de que o exercício da soberania popular era mais do que saudável e viável: era exigível. O Brasil clamava pela democracia e os vanguardistas corinthianos a impulsionavam, à sua maneira, por meio de uma contribuição experimental histórica, rumo a um novo destino para a nação.

Legado

Em um país plural e sincrético como o Brasil, ares de democracia ressoam como naturais e inatos. A contribuição corinthiana para a redemocratização do país foi evidente, na medida em que o futebol, esporte mais popular por aqui, demonstrava uma experiência prática de como as liberdades eram importantes para o amadurecimento social. A população, que passava por um longo regime antidemocrático, era municiada com iniciativas escancaradas de participação e  acesso ao poder vindas justamente de um esporte marcado pela sua pouca preocupação com o cenário político. 

Cercear liberdades, não votar e censurar são a antítese da democracia. Nesse sentido, o movimento da democracia corinthiana foi instrumento importante para consolidar na mentalidade do brasileiro médio que não há vida social sem as garantias que concretizem a dignidade humana. Fundamental na propagação das “Diretas Já”, o movimento dos jogadores do Timão incendiou o futebol em um período difícil e de evolução da mentalidade do país. Mais valioso que qualquer troféu era incutir na consciência dos torcedores a sensação prazerosa da vida em democracia. Afinal, como foi famosamente dito por Churchill, “a democracia é o pior regime, fora todos os outros”.