Em “Destruição Final: O Último Refúgio” (2020), Ric Roman Waugh parte de uma premissa direta e eficiente: o mundo está com os dias contados, e uma família comum precisa correr contra o tempo para continuar existindo. John Garrity (Gerard Butler), engenheiro estrutural, recebe uma convocação oficial para acessar um abrigo subterrâneo antes da colisão de um cometa com a Terra. Ao lado da esposa Allison (Morena Baccarin) e do filho Nathan (Roger Dale Floyd), ele precisa atravessar um país já em colapso, onde regras, autoridades e laços sociais começam a falhar.
O filme começa com uma sensação de normalidade frágil. A ameaça ainda parece distante, quase abstrata, mas as primeiras decisões práticas deixam claro que não se trata de um espetáculo cósmico, e sim de logística e sobrevivência. John tenta cumprir protocolos, Allison questiona os riscos, e Nathan observa tudo com a inquietação silenciosa de quem percebe que os adultos não têm todas as respostas. A cada passo, o relógio avança, e a margem de erro diminui.
Quando a jornada ganha a estrada, o longa revela seu maior interesse: menos o fim do mundo, mais o que as pessoas fazem quando entendem que não haverá resgate para todos. O caminho da família é atravessado por bloqueios improvisados, pessoas desesperadas e decisões que não cabem em manuais de ética. John insiste em negociar, Allison reage quando precisa, e o filme expõe como pequenas escolhas alteram acesso, segurança e tempo disponível. Nada é gratuito: cada parada cobra um preço claro.
Gerard Butler trabalha num registro mais contido do que o habitual. Seu John Garrity não é um herói de ação clássico, mas alguém tentando manter controle num cenário que desmonta qualquer sensação de autoridade. Morena Baccarin equilibra firmeza e vulnerabilidade, evitando o papel passivo que esse tipo de história costuma impor. Já Roger Dale Floyd sustenta o peso emocional do filme sem exageros, funcionando como termômetro humano da situação.
O suspense nasce menos de explosões e mais de atrasos, desvios e obstáculos práticos. O filme aposta em situações reconhecíveis: filas, falta de informação, decisões tomadas com dados incompletos. Ric Roman Waugh mantém a câmera próxima dos personagens, cortando o excesso de espetáculo para reforçar a pressão constante. A ameaça está sempre presente, mas muitas vezes fora de quadro, o que aumenta a sensação de urgência.
Há momentos em que o roteiro simplifica conflitos ou acelera soluções, e nem todas as situações têm o mesmo peso dramático. Ainda assim, “Destruição Final: O Último Refúgio” se sustenta por tratar o apocalipse como um problema humano antes de ser um evento astronômico. O filme não tenta reinventar o gênero, mas entende que, em histórias assim, o interesse está menos no impacto final e mais no percurso até ele.
Sem transformar a tragédia em discurso ou espetáculo vazio, o longa acompanha essa família até os limites do possível, sempre deixando claro que sobreviver depende menos de força e mais de decisões tomadas sob pressão. É um filme tenso, eficiente e emocionalmente direto, que funciona justamente por não prometer mais do que entrega.
★★★★★★★★★★



