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Se você amou La La Land, vai adorar filme indicado ao Oscar com Hugh Jackman, Zendaya e Zac Efron na Netflix Divulgação / Twentieth Century Fox

Se você amou La La Land, vai adorar filme indicado ao Oscar com Hugh Jackman, Zendaya e Zac Efron na Netflix

“O Rei do Show” acompanha P. T. Barnum (Hugh Jackman) no momento em que ele decide transformar insegurança social em negócio. Sem dinheiro, sem prestígio e cansado de portas fechadas, Barnum aposta tudo na criação de um espetáculo que desafia padrões e vende curiosidade como entretenimento. A ideia é simples, mas o risco é alto: se o público não aparecer, ele perde tudo.

Barnum monta seu show reunindo artistas que nunca tiveram espaço nos salões respeitáveis. Pessoas vistas como estranhas, inadequadas ou descartáveis viram o centro do palco. O movimento gera dinheiro imediato, mas também atrai desconfiança e desprezo da elite cultural. O sucesso de bilheteria não resolve o problema principal: reconhecimento social ainda é um território interditado.

Para atravessar essa barreira, Barnum se alia a Phillip Carlyle (Zac Efron), um jovem de origem aristocrática que funciona como passaporte para ambientes onde o criador do espetáculo não entra sozinho. A parceria amplia o alcance do show, mas cria tensões claras. Phillip paga um preço por cruzar essa fronteira, enquanto Barnum passa a lidar com um jogo mais complexo de aparência, status e expectativa.

Em casa, Charity Barnum (Michelle Williams) observa tudo com uma mistura de apoio e cautela. Ela entende a ambição do marido, mas sente o impacto direto das escolhas práticas que ele faz para manter o espetáculo em pé. O filme deixa claro que o crescimento profissional cobra um custo íntimo, mesmo quando o caixa está cheio.

O musical surge de forma orgânica, ligado à ação e ao trabalho. As canções funcionam como ensaios públicos, testes de aceitação e ajustes de rota. Quando o ritmo acerta, o público responde; quando falha, a consequência é imediata. Nada é gratuito: cada número existe porque resolve um problema concreto dentro do espetáculo.

Há humor, energia e brilho, mas o filme não ignora os conflitos que surgem quando ambição vira regra. Barnum é carismático, mas também impulsivo. Seu talento para vender sonhos convive com decisões que geram desgaste, ruído e exposição. O sucesso nunca vem limpo; ele chega acompanhado de negociação constante e risco real.

Dirigido por Michael Gracey, “O Rei do Show” não tenta explicar o mundo do entretenimento nem oferecer lições prontas. Prefere observar como alguém constrói um império frágil a partir da curiosidade alheia, equilibrando dinheiro, afeto e imagem pública. É um filme vibrante, acessível e direto, que entende espetáculo como trabalho duro, e não como magia.

Filme: O Rei do Show
Diretor: Michael Gracey
Ano: 2017
Gênero: Biografia/Drama/Musical
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★