Crônica

As pessoas e os remédios

As pessoas e os remédios

Depois de uma certa idade, os remédios passam a fazer parte do dia a dia. É o meu caso: eu tomo alguns remédios todos os dias e vários outros de acordo com as necessidades. A leitura de bulas passou a ser uma realidade e, contra a minha vontade, passei a ser um entendido em remédios — não um especialista, pois não sou médico, mas um conhecedor amador. Sei o suficiente para manter conversas sobre remédios com os amigos da minha idade, pois, sem dúvida, esse tema passou a fazer parte do cardápio de assuntos, ao lado das doenças.

O telúrico e a biblioteca ao redor

O telúrico e a biblioteca ao redor

O que me fazia telúrico era a água, não o solo. Mais especificamente, os trezentos litros do aquário de quina que enfeitava meu apartamento em São Paulo. Como transportar aquário e peixes era tarefa hercúlea, para não dizer fora de cogitação, apegava-me a ele para comprometer-me a voltar para o bairro de Pinheiros, para São Paulo, para o Brasil, depois de qualquer extravagância de férias.

Sangue e cárcere na memória recente

Sangue e cárcere na memória recente

O tempo faz com que consigamos olhar para a situação com a amplitude da história, não somente o momento da época. O Brasil, uma verdadeira potência dentre os países tropicais, sempre teve tradição em vacinação, com uma estrutura que permitia (e permite) campanhas capilarizadas e eficientes em todo o território. Na corrida que houve pelo desenvolvimento científico de algo que resolvesse de vez a pandemia que marcou nossa geração, era um prato cheio para as grandes farmacêuticas.

Comendo a dor pelas beiradas no fogão azul de quatro bocas

Comendo a dor pelas beiradas no fogão azul de quatro bocas

Já fazia dias que Edu não dormia bem. Vinha notando mudanças no comportamento do pai. Nestor fora clinicamente desenganado pelos médicos, ou seja, a tendência, na medida em que o tempo passasse, era que os neurônios dentro da sua cabeça continuassem a se deteriorar, tornando-se ainda mais aloprados, confundindo as sinapses como se fossem fios desencapados, a ponto de o cérebro desentender se o indivíduo estivesse morto ou vivo, alegre ou triste, faminto ou saciado.

O mistério do cometa

O mistério do cometa

Volta e meia, um desses telescópios gigantes que existem por aí detecta algo diferente, e todo mundo fica ligado. Há algum tempo, apareceu uma parada com o estranho nome de Oumuamua, e um monte de gente teve certeza de que era uma nave alienígena. O tal objeto acabou passando direto pelo Sistema Solar e saiu das conversas nas redes sociais, mas muita gente continuou certa de que era uma nave gigante, apesar de os cientistas garantirem que era um cometa.