Autor: Eberth Vêncio

Te amo pra cacete

Te amo pra cacete

Ao final do feriado, quando retornei com a minha gata para casa, eu me senti impactado por ter estado com aquelas pessoas que sofri uma espécie de síndrome de abstinência. Entrei numa deprê, num inusitado estado de melancolia. Pouco mais de vinte e quatro horas, e eu já sentia uma saudade imensurável deles. Resolvi escrever para desanuviar. Mesmo que o texto ficasse uma porcaria, como parece que ficou mesmo. Reforma interior é assim: os benefícios passam.

Eu amo o SUS

Eu amo o SUS

Não, eu não endoidei. Pode parecer chinfrim como a maioria das declarações de amor, mas, eu falo com sinceridade e com certo conhecimento de causa. Eu conheço o SUS por dentro. Parcialmente, mas eu conheço. Pela minha vivência como profissional de saúde. Decorridos trinta e três anos de trabalho como servidor público do Estado de Goiás, finalmente, aposentei-me. A sensação é um misto de felicidade e de embaraço. Explico. Ainda me sinto como o cachorro que caiu do caminhão de mudanças.

Corra que Jesus vem aí

Corra que Jesus vem aí

Minha memória secava como merda no asfalto. A fala fanática utilizada pelo Piolho era uma espécie de variação da icônica frase de Guimarães Rosa em “Grande Sertão: Veredas: “Deus, quando vier, que venha armado”. Rosa foi um escritor incrível, o maior de todos. Era pouquíssimo provável que Piolho fizesse uma alusão consciente ao romance de Rosa, tendo em vista que ele repelia a leitura de livros, com exceção dos sacros.

Comendo a dor pelas beiradas no fogão azul de quatro bocas

Comendo a dor pelas beiradas no fogão azul de quatro bocas

Já fazia dias que Edu não dormia bem. Vinha notando mudanças no comportamento do pai. Nestor fora clinicamente desenganado pelos médicos, ou seja, a tendência, na medida em que o tempo passasse, era que os neurônios dentro da sua cabeça continuassem a se deteriorar, tornando-se ainda mais aloprados, confundindo as sinapses como se fossem fios desencapados, a ponto de o cérebro desentender se o indivíduo estivesse morto ou vivo, alegre ou triste, faminto ou saciado.

Falar de amor não é chover no molhado

Falar de amor não é chover no molhado

Num esforço concentrado de desmonte da tristeza, com a destreza de renascer a esperança por dias melhores, por noites melhores, por homens melhores, suscitando uma pausa no desencanto como consequência da chuva branda, suave e ininterrupta que corrompe o silêncio ao gotejar dos beirais das casas sobre latas, lutos e outros objetos deixados no quintal da solitude, a despir os sentidos, a lavar a roupa suja no de-dentro do peito, a levar a sério a premissa de felicidade ainda que tardia, germinando sementes no fofo da terra e candura no coração das pessoas.