Crônica

Falar de amor não é chover no molhado

Falar de amor não é chover no molhado

Num esforço concentrado de desmonte da tristeza, com a destreza de renascer a esperança por dias melhores, por noites melhores, por homens melhores, suscitando uma pausa no desencanto como consequência da chuva branda, suave e ininterrupta que corrompe o silêncio ao gotejar dos beirais das casas sobre latas, lutos e outros objetos deixados no quintal da solitude, a despir os sentidos, a lavar a roupa suja no de-dentro do peito, a levar a sério a premissa de felicidade ainda que tardia, germinando sementes no fofo da terra e candura no coração das pessoas.

Belchior também é uma voz no coração da Eslovênia

Belchior também é uma voz no coração da Eslovênia

As vozes que povoam minha cabeça humilham qualquer tentativa de explicar a polarização do mundo contemporâneo. Não têm dois lados. Ecoam de parte a parte, como se a caixa craniana vazia fosse. Carregam visões multipolares: uma hora são pinguins saltitantes, feitos antárticos pensamentos, noutra são albinos ursos polares, Polo Norte sofrendo com o aquecimento global. 

Se assoprar com fé o amor acende

Se assoprar com fé o amor acende

Tentar eu tentei, mas nunca matei passarinho. Tinha uma péssima pontaria. Certa vez, atirando por atirar, conformado com a incompetência de exterminador mirim, usei o estilingue com forquilha de goiabeira e… Pimba! Não é que acertei o pobre de um periquito? Não estava preparado para o sucesso da caçada. Então, o remorso derramou dentro de mim, celeremente, como se fora um tsunami de ondas venenosas, ao mesmo tempo em que o bichinho despencava entre as folhas até cair inerte aos meus pés descalços.

Escapismos

Escapismos

A terra estava arrasada, uma estiagem sem fim e a desordem do turbilhão daquela época, reflexos sociais e financeiros dos conflitos e atritos pela unificação daquele amontado de cidades em um só país, a Itália. Na véspera, Vigilio havia se despedido da família e pedido a bênção à velha mãe Teresa Rauta — o pai, Lazzaro, já tinha falecido fazia alguns anos.

A dura vida de um esquerdopata

A dura vida de um esquerdopata

Havia perdido uma aposta para o Ângela. Apostei que o doidivanas do presidente não invadiria a bosta da Venezuela e acabei me lascando. Agora, de acordo com o combinado, eu seria obrigado não apenas a suportar a sua desagradável companhia até o ginásio de esportes — vale-tudo era esporte? — onde rolava uma competição de MMA, como também a pagar as entradas e supri-lo de cerveja a gosto.