Numa tarde de fevereiro, aos 47 anos, o escritor que fez da solidão literatura despedia-se do mundo
Da infância em Santiago ao retorno a Porto Alegre, a trajetória de Caio Fernando Abreu passa por adolescência em cidade grande, redações, vigilância política, uma temporada de autoexílio europeu e a decisão pública de falar do próprio corpo. Contista e cronista central da virada oitenta-noventa, ele fez da escuta uma ética e do detalhe um abrigo. Aos 47 anos, encerrou a vida numa tarde de fevereiro. O que ficou foi uma voz capaz de ensinar cuidado, nomear fragilidades e repactuar o afeto com quem lê em dias curtos de medo