Autor: Giancarlo Galdino

Prime Video trouxe um filme que parece terapia… só que conduzida por alguém que te odeia Divulgação / Universal Pictures

Prime Video trouxe um filme que parece terapia… só que conduzida por alguém que te odeia

Entre Toscana e o norte gelado da Inglaterra, “Não Fale o Mal” arma um jogo de aparências em que o desconforto cresce devagar e explode sem piedade. A crítica destaca como James Watkins intensifica as sugestões do original dinamarquês, aproximando o filme de thrillers noventistas e de “A Mão que Balança o Berço”. Com situações sociais agressivas, humor torto e violência latente, o texto aponta um elenco que disputa atenção até o terceiro ato e conclui com uma lição amarga.

A filha de Ridley Scott dirigiu um filme na HBO Max que dá vontade de olhar por cima do ombro Divulgação / Scott Free Productions

A filha de Ridley Scott dirigiu um filme na HBO Max que dá vontade de olhar por cima do ombro

Em “A Seita”, o apocalipse chega devagar. Enquanto isso, a diretora Jordan Scott esmera-se em averiguar os tantos mecanismos que agem sobre nossa combalida humanidade, sempre atrás de qualquer coisa que lhe confira sentido. O futuro é cercado de promessas enganosas, personificadas na difícil relação de um pai e uma filha, ainda mais desgastada quando um evento infeliz do passado concorre para um infortúnio de agora. Honrando o sobrenome, a filha caçula de Ridley Scott tira boas cenas de um roteiro banal. E tudo flui.

Um faroeste sem deserto — e com mais culpa do que pólvora (na Netflix) Divulgação / SPWA

Um faroeste sem deserto — e com mais culpa do que pólvora (na Netflix)

Entre falésias de Donegal e a violência dos anos 1970, “Na Terra de Santos e Pecadores” acompanha Finbar Murphy, matador cansado que tenta aposentar-se sem escapar do IRA. Robert Lorenz conduz a história com mão de produtor acostumado a Clint Eastwood, aposta em Liam Neeson e deixa o passado voltar em 1974 com um atentado que muda a caça. O texto aponta a frustração com a promessa religiosa do título, mas registra como o elenco e os detalhes de cena seguram o espectador até a conclusão.

No Prime Video, uma mãe tenta “fabricar” a filha perfeita — e o projeto vira terror doméstico Divulgação / Amazon Prime Video

No Prime Video, uma mãe tenta “fabricar” a filha perfeita — e o projeto vira terror doméstico

A ambição de Aurora Rodríguez Carballeira por uma maternidade “perfeita” conduz o filme de Paula Ortiz, que revisita uma história apagada após a Guerra Civil Espanhola. Criada com mãos de ferro, Hildegart surge como prodígio socialista, autora precoce e voz de ideias que atravessam “Sexo e Amor”. O roteiro acompanha o projeto de eugenia, a busca por um pai que não reivindique paternidade e o controle obsessivo da filha, até a virada em que a jovem passa a pensar por conta própria, precipitando o desfecho.

No Prime Video, um filme que mistura desejo, desconforto e aquela sensação de “tem algo errado aqui” Divulgação / Lionsgate

No Prime Video, um filme que mistura desejo, desconforto e aquela sensação de “tem algo errado aqui”

Erotismo não é festa, mas o fluido que azeita a engrenagem das relações, frio e mecânico. Estreando precocemente na direção, o ator e modelo Damian Hurley, 21 anos, está verde ainda para saber que o gozo é sempre eivado de hipocrisia, com parceiros lutando contra o arquétipo de imundície e corrupção e ávidos por ideais de pureza que nunca hão de existir. “Estritamente Confidencial” é um exemplo claro de filme que chama atenção menos pela história que pelas notas de rodapé.