Autor: Giancarlo Galdino

Prime Video esconde um thriller que funciona como armadilha: você entra pela ação e fica pelo suspense Divulgação / Elevate Production Finance

Prime Video esconde um thriller que funciona como armadilha: você entra pela ação e fica pelo suspense

Uma mulher amargurada é capaz de tudo. Essa é a primeira impressão acerca de “Guerra Oculta”, um thriller psicológico protagonizado por uma agente do FBI tentando lidar com a morte recente do marido e da filha pequena, num atentado terrorista. A diretora Sophia Banks segue todos os mandamentos do bom enredo, porém seu filme peca ao exigir de Abby Trent, essa mártir com sede de vingança, um rol de qualidades que ninguém teria.

O filme da Netflix com fama de ser um dos mais perturbadores já feitos — e dá pra entender em minutos Divulgação / Netflix

O filme da Netflix com fama de ser um dos mais perturbadores já feitos — e dá pra entender em minutos

Impulsionado pelo ano em que múltiplas adaptações de King chegaram ao cinema, o texto aponta “1922” como a mais competente em capturar o sentimento kinguiano. Entre milharais ensolarados e um cenário distópico, a crítica destaca a fotografia de Ben Richardson e a força do elenco liderado por Thomas Jane. O foco recai na culpa que devora Wilfred, na metáfora dos ratos e no caminho até um terror psicológico raro, com ecos de “Crime e Castigo” e “O Iluminado”.

Suspense existencialista estrelado por Hilary Swank é um dos melhores e mais subestimados filmes da história da Netflix Divulgação / Netflix

Suspense existencialista estrelado por Hilary Swank é um dos melhores e mais subestimados filmes da história da Netflix

Neste suspense de ficção científica, uma ginoide assume o papel de Mãe e cria Filha num laboratório após a extinção “ética” da humanidade. O ensaio aponta a codependência invertida entre máquina e garota, a fissura moral que cresce com a chegada da Mulher e a sedução de escapar para ver o mundo. Ao aproximar “I Am Mother” de “Ex-Machina: Instinto Artificial” e contrastá-lo com “Mãe!”, o texto lê a maternidade emulada como paradoxo e projeto eugênico de final amargo.

O filme da HBO Max que te faz esquecer o celular em 3 minutos: Sean Penn x Dakota Johnson, no olhar Vivien Killilea / Getty Images

O filme da HBO Max que te faz esquecer o celular em 3 minutos: Sean Penn x Dakota Johnson, no olhar

Em “Papai”, Christy Hall põe num ambiente mínimo dois estranhos e vai nos convencendo de que eles, por paradoxal que soe, têm muito mais em comum do que as aparências deixam-nos ver, e aí seu relato começa a fazer sentido. Este é um filme sobre o que há por trás das máscaras e armaduras com que saímos à rua todo santo dia, um mistério que somente se desvela quando conseguimos esquecer as urgências do cotidiano — falsas, quase sempre — e nos enxergar uns aos outros.

Netflix tem um romance baseado em D. H. Lawrence que é bonito, incômodo e impossível de ignorar Seamus Ryan / Netflix

Netflix tem um romance baseado em D. H. Lawrence que é bonito, incômodo e impossível de ignorar

Entre a Inglaterra conservadora do pós-Primeira Guerra e a herdade sombria de Wragby, o ensaio acompanha Constance Reid, presa a Clifford, e sua aproximação de Oliver Mellors. A adaptação de Laure de Clermont-Tonnerre, a partir de D. H. Lawrence, é lida como romance e como reflexão sobre o ódio que sufoca em silêncio. O texto destaca a atuação de Emma Corrin, o contrapeso de Jack O’Connell, a fotografia de Benoît Delhomme e o desfecho melancólico e solar de “O Amante de Lady Chatterley”.