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Desligue o cérebro: aventura com Chris Pratt, no Prime Video, vai te fazer esquecer dos boletos Divulgação / Amazon Prime Video

Desligue o cérebro: aventura com Chris Pratt, no Prime Video, vai te fazer esquecer dos boletos

O dia em que o futuro invade o presente costuma revelar quem está pronto para correr riscos e quem prefere ficar na arquibancada. Em “A Guerra do Amanhã”, Chris Pratt assume esse teste de fogo com a mistura certa de carisma e cansaço, vivendo Dan Forester, um professor de biologia que só queria uma promoção no laboratório, mas acaba convocado para uma guerra trinta anos à frente no tempo. Dirigido por Chris McKay, o filme parte de uma premissa direta e eficiente: viajantes de 2051 chegam para avisar que a humanidade está sendo exterminada por uma espécie alienígena e que a única saída é mandar gente do presente para reforçar o front. Dan, pai dedicado e marido tentando equilibrar contas, entra nessa engrenagem à força da lei e embarca numa missão que tem menos glamour do que os discursos patrióticos prometem.

Quando ele chega ao futuro, a guerra já está praticamente perdida. O cenário é de cidade destruída, tropas reduzidas e criaturas que atacam em grupo, rápidas e brutais. É nesse contexto que surge Muri, interpretada por Yvonne Strahovski, uma cientista que tenta transformar desespero em método. Ela trabalha contra o tempo para desenvolver algo que possa virar o jogo, enquanto militares pressionam por resultados imediatos. Dan, que até então era só mais um recruta improvisado, passa a se envolver diretamente nas operações que podem garantir uma chance real de sobrevivência. O filme acerta ao mostrar que ninguém ali é herói profissional; são pessoas comuns tentando não falhar quando falhar significa extinção.

Há também James Forester, vivido por J.K. Simmons, o pai de Dan. Recluso, armado e cheio de ressentimentos antigos, ele representa outro tipo de batalha: a que ficou mal resolvida dentro de casa. Quando a trama traz o conflito de volta ao presente, a relação entre pai e filho ganha peso prático, não sentimental. Eles precisam cooperar porque o plano exige recursos, conhecimento e coragem que nenhum dos dois tem sozinho. A aproximação acontece mais por necessidade do que por discurso, e isso torna tudo mais convincente.

“A Guerra do Amanhã” combina ação pesada com uma dose sincera de drama familiar. As sequências de combate são intensas, com criaturas que realmente parecem ameaça concreta, mas o que sustenta o interesse é a urgência pessoal de Dan. Ele não está lutando por medalhas nem por glória histórica; está tentando garantir que a filha tenha algum tipo de futuro. Chris Pratt segura bem essa linha, equilibrando humor nervoso com desespero contido, enquanto Strahovski entrega uma Muri firme, racional e emocionalmente envolvida no que faz. J.K. Simmons, por sua vez, entra menos em cena, mas quando aparece impõe presença.

O filme pode até exagerar na escala e nos ruídos típicos de blockbuster, mas mantém o foco na ideia central: o que você faria se soubesse que o mundo acaba em trinta anos e que depende de você evitar isso? A história funciona porque transforma viagem no tempo em responsabilidade imediata. Entre tiros, laboratórios improvisados e reencontros tensos, “A Guerra do Amanhã” entrega exatamente o que promete: ação robusta, personagens reconhecíveis e um conflito que mistura guerra global com acerto de contas familiar, tudo sem perder o senso de entretenimento.

Filme: A Guerra do Amanhã
Diretor: Chris Mckay
Ano: 2021
Gênero: Ação/Aventura/Drama/Ficção Científica/Guerra/Suspense
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★