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Desligue o cérebro e se divirta com aventura grandiosa estrelada por Tom Cruise e Russell Crowe, no Prime Video Divulgação / Universal Pictures

Desligue o cérebro e se divirta com aventura grandiosa estrelada por Tom Cruise e Russell Crowe, no Prime Video

“A Múmia” aposta em aventura grandiosa, monstros clássicos e no carisma de Tom Cruise para relançar uma história que mistura maldição antiga e caos moderno. Dirigido por Alex Kurtzman, o filme coloca Nick Morton (Tom Cruise), um saqueador oportunista, no centro de um conflito que ele mesmo ajuda a provocar. Ao lado do parceiro Chris Vail (Jake Johnson) e da pesquisadora Jenny Halsey (Annabelle Wallis), ele desperta algo que estava melhor enterrado. E quando a princesa Ahmanet (Sofia Boutella) volta à vida, não quer apenas vingança: ela quer concluir um ritual interrompido séculos antes.

A trama começa na Mesopotâmia antiga, quando Ahmanet tenta invocar Set, o deus da morte, para governar ao lado dele. O plano falha, ela é traída, mumificada e selada em uma tumba. O problema é que, no presente, Nick e Chris encontram essa tumba por acaso durante uma missão no Oriente Médio. O que parecia apenas mais uma oportunidade de lucro vira um erro monumental. Ao removerem o sarcófago, eles libertam Ahmanet, e a história deixa de ser arqueologia para virar ameaça imediata.

Perfil do herói

Nick é o típico herói relutante, movido mais por interesse do que por nobreza. Tom Cruise sustenta o personagem com energia física constante, correndo, caindo, escapando, enquanto tenta entender por que foi escolhido pela múmia. Porque Ahmanet não quer destruição aleatória. Ela elege Nick como peça central de seu plano. Sofia Boutella constrói uma vilã elegante e inquietante, que mistura presença corporal intensa com uma frieza calculada. Ela não grita poder; ela impõe.

Jenny Halsey, vivida por Annabelle Wallis, funciona como contraponto racional. É ela quem entende o peso histórico e sobrenatural do que foi descoberto. Enquanto Nick reage, Jenny investiga. Enquanto ele tenta sobreviver, ela tenta impedir que a adaga de Set seja usada para completar o ritual. A dinâmica entre os dois cria um equilíbrio interessante: ele age por impulso, ela pensa em consequência.

Mistura de gêneros

O filme alterna ação frenética com momentos de terror mais atmosférico. Há sequências em que a ameaça é física e direta, e outras em que a tensão cresce pela sensação de que algo está sempre observando. Jake Johnson, como Chris Vail, introduz um humor nervoso que alivia a pressão em alguns momentos, ainda que nem todas as piadas encontrem o tom ideal. Ainda assim, essa leveza ajuda a humanizar Nick e a tornar o perigo mais palpável.

A produção aposta em escala. Tempestades de areia, ruínas antigas, laboratórios modernos e confrontos em espaços fechados criam contraste entre passado e presente. Alex Kurtzman conduz a narrativa com foco na movimentação constante; quase sempre há alguém correndo contra o tempo ou tentando recuperar um objeto essencial. Essa urgência mantém o ritmo acelerado, mesmo quando o roteiro simplifica algumas motivações.

“A Múmia” funciona melhor quando abraça o espetáculo e a tensão direta entre Nick e Ahmanet. O conflito central é simples e eficiente: ela precisa dele para completar o ritual, ele precisa impedir que isso aconteça. Essa linha clara sustenta a trama e evita que a fantasia se perca em explicações excessivas. O filme entrega entretenimento consistente, conduzido por um protagonista carismático e uma antagonista memorável.

Mexer com forças antigas sempre cobra um preço. E, aqui, esse preço é pessoal, imediato e impossível de ignorar.

Filme: A Múmia
Diretor: Alex Kurtzman
Ano: 2017
Gênero: Ação/Aventura/Fantasia/Suspense/Terror
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★