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Baseado em tragédia real, filme com Matthew McConaughey vai te deixar sufocado e sob pressão segundo a segundo, na Apple TV+ Divulgação / Apple Original Films

Baseado em tragédia real, filme com Matthew McConaughey vai te deixar sufocado e sob pressão segundo a segundo, na Apple TV+

“O Ônibus Perdido” parte de uma situação extrema e real para construir um drama direto, tenso e profundamente humano. Ambientado durante o incêndio que devastou a cidade de Paradise, na Califórnia, o filme acompanha Kevin McKay (Matthew McConaughey), um motorista de ônibus escolar e pai de família comum, que aceita uma missão quase impossível: atravessar áreas tomadas pelo fogo para resgatar uma professora e seus alunos presos no caminho da evacuação.

Kevin não é apresentado como herói clássico, mas como alguém que age porque não consegue fazer o contrário. McConaughey aposta numa atuação contida, baseada mais em hesitação, cálculo e cansaço do que em bravatas. Cada decisão do personagem carrega peso imediato, seja pelo tempo que se perde, pelo risco que aumenta ou pela responsabilidade de conduzir vidas que não são suas. O filme acompanha esses gestos com atenção quase documental, sempre colado às consequências práticas de cada escolha.

Do outro lado está Mary Ludwig (America Ferrera), a professora que tenta manter a ordem e a calma entre as crianças enquanto percebe que os protocolos habituais deixam de funcionar. Ferrera constrói uma personagem firme, mas vulnerável, que precisa improvisar soluções simples para problemas urgentes, como falta de ar, medo coletivo e desinformação. A relação entre Kevin e Mary não é romantizada: ela nasce da necessidade, do respeito mútuo e da urgência compartilhada.

A tensão cresce menos por grandes cenas espetaculares e mais pelo acúmulo de obstáculos concretos. Estradas bloqueadas, falhas de comunicação, decisões contraditórias vindas das autoridades e a imprevisibilidade do próprio fogo moldam o ritmo da narrativa. Ray Martinez (Yul Vazquez), representante da linha de comando dos bombeiros, surge como voz institucional que tenta impor regras em um cenário onde as regras já não dão conta da realidade. O conflito entre agir rápido e obedecer protocolos atravessa o filme inteiro.

Paul Greengrass dirige com sua marca conhecida: câmera próxima, sensação de movimento constante e cortes que acompanham o estado emocional dos personagens. A técnica nunca vira exibicionismo; ela serve para reforçar a desorientação, o cansaço e a pressão do tempo. Em vez de explicar o perigo, o filme o faz sentir, sempre a partir do ponto de vista de quem está dentro do ônibus, respirando a mesma fumaça e lidando com as mesmas dúvidas.

“O Ônibus Perdido” evita discursos grandiosos sobre heroísmo. O que interessa aqui são escolhas pequenas, tomadas sob estresse, que produzem efeitos imediatos. O filme aposta na força do gesto prático: avançar, parar, recuar, insistir. E é justamente nessa sucessão de decisões imperfeitas, humanas e urgentes que ele encontra sua potência dramática, deixando claro que, em situações-limite, sobreviver já é um ato extraordinário.

Filme: O Ônibus Perdido
Diretor: Paul Greengrass
Ano: 2025
Gênero: Biografia/Drama/Suspense/Tragédia
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★