Um triângulo amoroso labiríntico desenrola-se em “Meu Policial”, uma história de amor, mas também de covardia, mesquinhez e atraso. O desejo reprimido numa sociedade que criminalizava relações homoafetivas na Grã-Bretanha dos anos 1950 é o alvo do britânico Michael Grandage, e o diretor vai fundo no inconsciente de seus personagens a fim de descobrir por que escolhem viver como vivem, ainda que ressalte a obscuridade cercando tudo. Baseado no romance homônimo publicado em 2012 por Bethan Roberts, o roteiro de Ron Nyswaner passa a limpo a vida de uma mulher e dois homens, num vaivém de encontros e desencontros que leva ao encarceramento de um deles e a gêneros distintos de mágoa para os demais.
Um estranho casal
Parecia que Tom e Marion viveriam felizes para sempre num povoado da ilha, até que fantasmas do passado começam a voltar. Eles reencontram Patrick, que também fazia parte desse contexto, doente, recuperando-se de um derrame, e Marion o leva para casa. Pouco depois, Linus Roache e Gina McKee cedem espaço a Harry Styles e Emma Corrin, nas versões jovens dos personagens, que se conhecem e engatam um namoro em 1957. Patrick surgiu na vida dos dois nessa época, enquanto Tom ensinava Marion a nadar e aprendendo a gostar de arte com ela, guiando os passeios deles no museu. Imagina-se que Patrick esteja gostando de Marion e ela sinta por ele uma paixão contida e sufocada, mas Grandage logo põe as cartas na mesa e abre o relacionamento entre Tom e Patrick, jogando luz sobre a real intenção de cada um.
O terceiro elemento
A narrativa envereda por um noir pleno de estilo, ao longo do qual Grandage aproveita para incluir tomadas de homens reunidos em pubs escuros, desafiando a lei que teimava em querer regular a libido dos cidadãos. Patrick é um deles, e quando não pode encontrar-se com Tom se arranja com um outro qualquer, num beco afastado, mas ao alcance de policiais como o seu amante. David Dawson é, sem dúvida, o melhor aqui, como se pode ver pela compreensão do ritmo da trama e na maneira como é capaz de transmitir o martírio existencial de Patrick — muito diferente de Styles, como ator um ótimo ex-vocalista de boy band. Afortunadamente, Rupert Everett corresponde e o anti-herói tem uma equilibrada medida de beleza e asco, despertando fúria e compaixão num encerramento artificioso, mas quase arrebatador.
★★★★★★★★★★



