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8 em cada 10 pessoas consideram essa uma de suas comédias românticas favoritas, e está na Netflix! Divulgação / Touchstone Pictures

8 em cada 10 pessoas consideram essa uma de suas comédias românticas favoritas, e está na Netflix!

“Doce Lar” acompanha Melanie Carmichael (Reese Witherspoon), uma mulher que decidiu sair do Alabama e recomeçar a vida em Nova York deixando mais do que a cidade para trás. Ela também deixou um casamento mal resolvido com Jake (Josh Lucas), algo que prefere manter fora do radar enquanto constrói uma nova identidade pessoal e profissional. Em Nova York, Melanie se movimenta com segurança, circula em ambientes sofisticados e parece finalmente no controle da própria narrativa.

Esse novo equilíbrio ganha força quando ela começa a se relacionar com Andrew Hennings (Patrick Dempsey), um político carismático, educado e perfeitamente integrado ao jogo social da cidade. Andrew não é apenas um par romântico, mas um passaporte simbólico para uma vida organizada, previsível e oficialmente aceita. O problema é que esse tipo de vida exige registros limpos, histórias coerentes e decisões que não podem mais ser adiadas.

Quando Andrew faz um pedido que muda o ritmo da relação, Melanie percebe que não há mais espaço para empurrar o passado com a barriga. Para seguir adiante, ela precisa voltar ao Alabama e resolver o que ficou pendente com Jake. O retorno não é emocionalmente simples nem logisticamente neutro. A cidade pequena funciona quase como um arquivo vivo: todo mundo lembra, todo mundo comenta, todo mundo cobra coerência.

Jake, interpretado por Josh Lucas com uma mistura de charme e resistência, não é um antagonista caricatural. Ele conhece Melanie demais para aceitar soluções rápidas e, ao mesmo tempo, sabe que detém algo que ela precisa. Cada conversa entre os dois vira uma negociação, onde afeto, mágoa e controle de tempo se misturam. O filme evita transformar esse embate em melodrama exagerado e prefere observar como pequenas decisões geram atrasos, ruídos e desconfortos reais.

A comédia surge justamente dessas tentativas de Melanie de manter tudo sob controle. Ela improvisa explicações, tenta acelerar processos e subestima o peso de voltar a um lugar onde sua história é conhecida por inteiro. As situações engraçadas não vêm de piadas soltas, mas do contraste entre a mulher sofisticada que ela se tornou e a versão que a cidade insiste em lembrar. O humor é direto, cotidiano e funciona porque tem consequência imediata.

Andrew permanece como uma presença constante, mesmo à distância. Sua posição pública e familiar adiciona pressão silenciosa às escolhas de Melanie. Nada precisa ser dito em tom de ameaça para que o risco fique claro. Cada atraso ou informação mal resolvida reduz a margem de manobra dela, algo que o filme mostra sem discursos explicativos, apenas acompanhando as reações.

Dirigido por Andy Tennant, “Doce Lar” entende que uma comédia romântica pode ser leve sem ser ingênua. O roteiro trata o amor como algo que também passa por burocracia, coragem e disposição para enfrentar conversas desconfortáveis. Não há lições grandiosas nem discursos edificantes, apenas personagens tentando organizar a própria vida sem fingir que o passado desaparece sozinho.

O filme se mantém fiel à sua proposta: contar uma história de retorno, confronto e escolha sem transformar isso em manifesto. Reese Witherspoon sustenta Melanie com carisma e energia, enquanto Patrick Dempsey e Josh Lucas oferecem contrapontos claros e funcionais. “Doce Lar” funciona justamente porque entende que, às vezes, seguir em frente exige parar, voltar e resolver o que ficou aberto, mesmo quando isso atrapalha os planos mais bem desenhados.

Filme: Doce Lar
Diretor: Andy Tennant
Ano: 2002
Gênero: Comédia/Romance
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.