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Cansado da realidade? A Netflix entregou um conto de fadas com passaporte Divulgação / Hallmark Channel

Cansado da realidade? A Netflix entregou um conto de fadas com passaporte

De manhã, em “Meu Amor é um Príncipe”, Maggie decide embarcar em uma viagem de última hora para a Europa e paga com horas de sono e deslocamento. Uma pasta com papel entra como rotina básica de organização, mas o roteiro não estica a preparação. O filme escolhe o atalho e entrega a personagem já em movimento, e o espectador aceita a pressa com pouca informação em troca.

À tarde, Maggie conhece Adrian e o romance começa sem pausa, com conversa e deslocamento guiando o vínculo. Merritt Patterson faz Maggie avançar de cena em cena sem pedir explicação extra, e um carro serve de base neutra para idas e vindas. A rapidez economiza tempo de construção, mas cobra do público um salto de confiança, porque o sentimento se firma mais pelo que é dito do que pelo que é acumulado.

Mesa e conversa repetida

À noite, Maggie descobre que Adrian não é um simples europeu, mas um príncipe prestes a ser coroado, e a relação passa a exigir coordenação. Jack Donnelly mantém Adrian direto, sem rodeios, e a mudança aparece em regras que entram na conversa, com uma mesa voltando como ponto de apoio para negociações. A partir daí, cada passo do casal consome mais tempo de ajuste, porque o que antes era espontâneo passa a depender de cautela.

No dia seguinte, a rainha se coloca contra o romance de seu filho com uma plebeia e transforma o impasse em rotina. A cadeira vira presença recorrente em conversas longas de contenção, com a mesma ideia reapresentada em novas palavras. O conflito não se resolve ali e segue preso a recusa e insistência, e o custo vira minutos gastos para a história avançar pouco a cada rodada.

À noite, com a coroação próxima no horizonte, o casal passa a negociar com o relógio, e a urgência cobra energia. A rainha controla acesso e dita o tom, e portas se fecham no plano das decisões, o que empurra Maggie e Adrian para novas conversas em torno da mesa. O elenco sustenta esse circuito de justificativas, e o público paga com tempo para acompanhar regras sendo repetidas.

Relógio e porta fechada

De tarde, a direção de Ernie Barbarash e o roteiro assinado pelo mesmo nome mantêm a ação em linha reta, voltando ao impasse sempre que a história precisa girar mais um pouco. Um balcão e um copo reaparecem como cenário de encontro, mas o peso está no retrabalho: decisões precisam ser reafirmadas para continuar de pé. Esse retorno cobra paciência, porque a cena muda pouco e o conflito permanece no mesmo lugar.

Na manhã seguinte, “Meu Amor é um Príncipe” segue a fantasia de conto de fadas na vida real e mantém o casal preso ao protocolo da coroação. A porta entre desejo e regra continua ali, e a logística do romance toma o centro, exigindo conversa e espera. Quem entra esperando um drama romântico de passos previsíveis recebe exatamente isso, com o custo de tempo e atenção, e sai com a última imagem presa no básico: Maggie com a pasta na mão, voltando para mais uma conversa.

Filme: Meu Amor é um Príncipe”
Diretor: Ernie Barbarash
Ano: 2017
Gênero: Drama/Romance
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★