“Herói Por Encomenda” é daqueles filmes que não prometem mais do que entregam e, curiosamente, acertam justamente por isso. Dirigido por Pierre Morel, o longa aposta em ação direta, humor físico e personagens em constante deslocamento, sem perder tempo com explicações longas ou discursos sobre política internacional. A história acompanha Mason Pettits (John Cena), um ex-agente das forças especiais que aceita um trabalho aparentemente simples: fazer a segurança da jornalista Claire Wellington (Alison Brie) durante uma entrevista com um líder político estrangeiro, Juan Venegas (Juan Pablo Raba).
Desde o início, fica claro que Mason encara o serviço como mais um contrato. Ele entra no país, avalia riscos, estabelece regras e tenta manter tudo sob controle. Claire, por outro lado, tem outro foco: conseguir a melhor entrevista possível, mesmo que isso signifique testar limites e criar atritos. Essa diferença de postura é o motor da dinâmica entre os dois, rendendo diálogos afiados e situações em que o humor surge de forma natural, quase sempre ligado ao improviso e ao choque de prioridades.
Quando o cenário político muda abruptamente, o filme abandona qualquer ilusão de estabilidade e assume um ritmo de fuga constante. Mason precisa recorrer a tudo o que sabe para manter os dois vivos, enquanto Claire é forçada a adaptar sua visão idealizada do trabalho à realidade prática da sobrevivência. John Cena funciona bem nesse papel de profissional experiente, que resolve problemas com o corpo antes das palavras, enquanto Alison Brie traz leveza e energia, evitando que a personagem vire apenas alguém a ser resgatado o tempo todo.
A ação é objetiva, sem firulas, e a direção de Pierre Morel privilegia clareza espacial e ritmo ágil. As cenas não se estendem além do necessário e o filme sabe quando desacelerar para criar tensão ou abrir espaço para uma piada rápida. Juan Pablo Raba, como Venegas, cumpre bem a função de figura de poder instável, ajudando a estabelecer o clima de insegurança que atravessa toda a narrativa.
“Herói Por Encomenda” não tenta reinventar o gênero nem esconder suas influências. Ele funciona como um entretenimento consciente do próprio tamanho, equilibrando ação e comédia com eficiência. É um filme que entende que, às vezes, basta colocar personagens interessantes em situações complicadas e deixá-los reagir. O resultado é leve, divertido e eficiente, daqueles que passam rápido e cumprem exatamente o que prometem.
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